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“Nenhum atleta conquista nada sozinho”: o olhar coletivo de uma jovem do handebol sul-mato-grossense

da redação - 30 de jan de 2026 às 12:25 101 Views 0 Comentários
“Nenhum atleta conquista nada sozinho”: o olhar coletivo de uma jovem do handebol sul-mato-grossense Da Redação

“Não é fácil lidar com as críticas, com as pessoas que tentam te diminuir.” A frase resume um dos pontos centrais da relação de Heloiza de Paula Rodrigues com o handebol. Jovem atleta de Caarapó, no sul de Mato Grosso do Sul, ela encontrou no esporte não apenas um espaço de competição, mas também um lugar de afirmação pessoal, resistência e construção de identidade.

 

O handebol entrou em sua vida em 2019, de maneira simples, sem qualquer projeção futura. “O handebol entrou na minha vida através da escolinha de esporte da minha escola Joaquim Vianna. Meu professor passou nas salas avisando que esse esporte iria se iniciar, e eu chamei uma amiga minha e fomos, sem expectativa alguma de que eu iria me apegar ao esporte.” O que começou como curiosidade rapidamente se transformou em compromisso. Com o passar do tempo, a quadra deixou de ser apenas um espaço escolar e passou a ocupar um lugar central em sua rotina.

 

O caminho, no entanto, não foi isento de dúvidas. Heloiza relata que uma das maiores dificuldades enfrentadas não esteve ligada apenas às exigências físicas ou técnicas do esporte, mas ao ambiente ao redor. “As principais dificuldades foram ouvir de muitas pessoas que esse esporte não levava a lugar algum, que eu nunca iria sair da cidade para jogar qualquer tipo de jogo.” As falas externas, repetidas ao longo do tempo, acabaram reverberando internamente. “Muitas vezes pensei em desistir e duvidei de mim mesma, por não me sentir suficiente.”

 

Mesmo assim, ela seguiu. Hoje, sua rotina é marcada por esforço e conciliação de diferentes responsabilidades. “Treino duas ou três vezes por semana, e durante o período que não há treinos, corremos. Estudo na parte da manhã, trabalho à tarde e treino à noite.” A carga diária é pesada, e o cansaço é constante. “É muito cansativo essa rotina, mas me organizo conforme os dias de treino.” A organização, nesse contexto, não é apenas logística, mas uma estratégia para continuar no esporte.

 

Dentro desse processo, a figura do treinador aparece como um ponto de sustentação. “Meu treinador, Denis Cardoso, tem sido muito importante na minha formação. Tudo o que aprendi até aqui e onde cheguei foi graças a ele.” Para Heloiza, o handebol é um trabalho coletivo, e essa visão se reflete também na forma como ela interpreta suas conquistas. “Todos os momentos que vivi foram marcantes, tanto nos jogos quanto na minha primeira convocação. Nenhum atleta conquista nada sozinho.”

 

Em termos técnicos, ela reconhece avanços e também limites. Afirma que ainda busca evoluir em vários aspectos do jogo, mas destaca um momento específico. “O jogo em que mais me destaquei foi o Jojums de 2025, meu último escolares. Lá mostrei muito e entreguei o meu máximo, tudo o que aprendi.” Mais do que resultados, o torneio representou uma síntese do seu processo de formação até aquele ponto.

 

Ao observar o cenário atual, Heloiza demonstra uma leitura otimista sobre o futuro da modalidade no estado. “Eu enxergo que vem um futuro brilhante para muitas atletas. O handebol feminino tem ganhado o estado, e há muitas meninas de base com um jogo incrível.” A percepção é de crescimento, especialmente entre as categorias mais jovens, o que reforça sua própria decisão de continuar investindo no esporte.

 

Fora da quadra, os impactos do handebol também são evidentes. “Me ensinou muitas coisas. Me ensinou a ser forte, a ser guerreira e a não abaixar a cabeça para tudo o que ouço.” Para ela, o esporte ajudou a construir não apenas uma atleta, mas uma postura diante da vida. “Me ensinou a ser mais forte e ensinou quem eu sou hoje.”

 

Entre tantos jogos, um permanece de forma mais intensa na memória. “Um dos jogos que mais me marcou emocionalmente foi a semifinal em Campo Grande. Foi um jogo muito decisivo, muito pegado, que marcou muito o nosso time e o que jogamos ali.” A partida também simbolizou um enfrentamento emocional. “Não é fácil lidar com as críticas, com as pessoas que tentam te diminuir.”

 

O nervosismo e a ansiedade fazem parte do processo competitivo, especialmente em jogos decisivos. “Na hora do jogo sentimos muito nervosismo, muita ansiedade, muito medo.” Com o andamento da partida, no entanto, essas sensações se transformam. “Conforme o jogo corre, tudo isso vai indo embora e vamos ganhando confiança em nós mesmas.”

 

Olhando para frente, Heloiza é direta sobre o que busca. “Meus principais objetivos são conseguir ir para uma seleção de alto nível e melhorar cada vez mais.” O desejo de crescimento vem acompanhado de uma mensagem clara para outras meninas que vivem situações semelhantes às que ela enfrentou. “Não desista daquilo que você quer por falta de apoio ou insegurança. Você sabe dos seus sonhos e sabe que consegue chegar onde quer.”

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