Da Redação
“Não tratar como inimigo quem é apenas adversário.” A frase resume uma das principais lições que o handebol deixou para Matheus Santos ao longo de mais de uma década dedicada ao esporte. Entre títulos, participações em competições estaduais e nacionais, bolsas de estudo conquistadas por meio do desempenho esportivo e amizades construídas dentro das quadras, o atleta sul-mato-grossense segue mantendo uma relação próxima com a modalidade que conheceu ainda na adolescência.
Matheus começou no handebol aos 14 anos, durante o ensino fundamental. Embora considere que iniciou relativamente tarde em comparação com muitos colegas, encontrou rapidamente motivos para permanecer no esporte.
“Comecei no handebol ainda no ensino fundamental, aos 14 anos, relativamente tarde em relação a muitos amigos e colegas. A motivação se deu muito por conta das grandes amizades que se mantiveram até hoje e por ser um esporte diferente de se praticar, que exige mais vigor e agilidade”, relembra.
O envolvimento com a modalidade ultrapassou rapidamente a prática recreativa. Ainda nos anos escolares, o desempenho dentro das quadras abriu novas oportunidades acadêmicas.
“Percebi que seria mais do que um hobby quando estava saindo do fundamental e comecei a receber propostas de escolas particulares para ganhar bolsas de estudo e participar de competições representando esses colégios”, conta.
A partir daquele momento, o handebol passou a ocupar espaço importante em sua rotina. Durante a adolescência, os treinamentos eram frequentes, chegando a quatro ou cinco sessões semanais. Atualmente, a realidade é diferente devido às responsabilidades profissionais.
“Atualmente a rotina de treinos é mais limitada em virtude do trabalho, tendo basicamente um ou dois treinos por semana, numa rotina que, na adolescência, era de quatro ou cinco dias de treino.”
Mesmo com a redução do tempo disponível para os treinamentos, Matheus continua participando de competições e mantendo o vínculo com a modalidade. Ao longo da trajetória, ele acumulou momentos que considera marcantes.
Entre eles está o primeiro título conquistado logo no início da carreira esportiva.
“A primeira competição que não sai da cabeça aconteceu aos 14 anos. Eu era líder da equipe, artilheiro e conquistamos o primeiro título no handebol, que foi o JERES.”
Outro momento lembrado pelo atleta foi o primeiro título estadual, já representando uma escola particular.
“O primeiro título estadual também foi muito importante. Eu tinha 17 anos e fui eleito o melhor jogador da competição.”
Na fase adulta, outras conquistas ganharam significado especial. Entre elas está o título dos Jogos Abertos de Campo Grande.
“O título adulto dos Jogos Abertos de Campo Grande foi um dos que mais demorou para acontecer. Era uma competição com maior quantidade de equipes e um nível de dificuldade muito grande dentro do Estado.”
Matheus também destaca o Campeonato Estadual Adulto de 2022, disputado após o período mais crítico da pandemia.
“O último Campeonato Estadual Adulto, em 2022, foi muito marcante porque eu era líder e representante da equipe. Foi o primeiro grande campeonato do Estado após a Covid.”
Além das competições estaduais, o atleta teve a oportunidade de atuar em nível nacional.
“Participei de duas edições da Liga Nacional de Handebol e consegui fazer gols em todos os jogos que disputei.”
Apesar das conquistas dentro das quadras, os principais desafios enfrentados ao longo da carreira, segundo ele, estiveram fora delas.
“Os principais desafios sempre foram fora de quadra, com pouco incentivo externo e pouquíssimo fomento dos órgãos competentes.”
Mesmo diante dessas dificuldades, Matheus observa mudanças positivas nos últimos anos e acredita no crescimento da modalidade em Mato Grosso do Sul.
“O ponto mais interessante do handebol é, na minha opinião, ser um esporte em que a grande maioria das pessoas se conhece. Diferente do futsal, por exemplo, em que cada competição reúne dezenas de equipes. Isso faz com que o círculo de amizades seja gigantesco e as competições, na grande maioria das vezes, sejam leves e disputadas sem brigas.”
Para ele, esse ambiente de convivência ajuda a fortalecer a modalidade em todas as categorias.
“Desde as categorias menores até o máster, as pessoas se conhecem. Com o incentivo que estamos recebendo de alguns anos para cá, a impressão que passa é que em alguns anos voltaremos a ser potência no cenário nacional, independentemente da categoria. Pessoas estão trabalhando muito para isso, desde os dirigentes até os órgãos do governo.”
Fora das quadras, o atleta também reconhece a importância das pessoas que o acompanharam durante toda a caminhada esportiva.
“Hoje minhas maiores inspirações são minha esposa, Karen, que está presente em todos os jogos e viagens, alguns colegas de equipe que sempre jogam junto comigo e, claro, minha mãe, que sempre me acompanhou na época escolar.”
Ao refletir sobre o legado que o handebol deixou em sua vida, Matheus destaca valores relacionados à convivência e ao respeito.
“O handebol trouxe, primeiramente, o respeito ao próximo, a forma de tratar as pessoas e a não tratar como inimigo quem é apenas adversário.”
Pensando no futuro, o principal objetivo é continuar competindo e recuperar o tempo perdido em períodos de afastamento por lesões.
“O maior objetivo agora é recuperar o tempo perdido por lesões e jogar o máximo de competições possível enquanto me for permitido.”
Para quem está começando na modalidade, ele deixa um conselho baseado na própria experiência.
“Escute o seu técnico ou professor, porque ele é quem vai te levar longe. Deixe o seu máximo em cada treino, porque vão sentir falta disso depois. E desfrute ao máximo cada momento vivido dentro desse esporte.”