Da Redação
A paixão pelo handebol surgiu de forma inesperada na vida de Rafael Pereira da Silva Freitas, de 18 anos. Natural de Dourados (MS), o atleta da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) descobriu a modalidade ainda no ensino fundamental e, desde então, passou a construir uma trajetória marcada pela dedicação aos treinamentos, pela conciliação entre esporte e estudos e pela superação de desafios pessoais.
Nascido em 15 de abril de 2008, Rafael conta que teve o primeiro contato com o handebol no sexto ano da escola. Até aquele momento, a modalidade fazia pouco parte da sua realidade. A oportunidade de participar das atividades esportivas despertou sua curiosidade e acabou mudando seus planos.
"Minha trajetória no handebol começou no sexto ano da escola. Até então, eu nem conhecia muito a modalidade. Quando surgiu a oportunidade de praticar, achei interessante e resolvi experimentar. Aos poucos fui gostando cada vez mais do esporte, principalmente pela intensidade dos jogos, pelo trabalho em equipe e pela competitividade. O que começou como uma curiosidade acabou virando uma paixão e hoje o handebol faz parte da minha vida", relata.
Atualmente, Rafael representa a UFGD em competições universitárias e destaca o significado de vestir a camisa da instituição e também de Mato Grosso do Sul. Para ele, cada partida representa o resultado do trabalho realizado durante os treinamentos e uma oportunidade de representar a universidade e o estado.
"Representar a UFGD e o Mato Grosso do Sul é um motivo de muito orgulho para mim. Sempre entro em quadra querendo dar o meu melhor, porque sei da responsabilidade que é vestir essa camisa. Também é uma forma de mostrar todo o esforço que existe por trás dos treinos e de representar bem a universidade e o nosso estado."
A rotina, segundo o atleta, exige organização para conciliar as atividades acadêmicas, os treinamentos e os compromissos pessoais. Estudante de Agronomia, ele afirma que o equilíbrio entre as diferentes responsabilidades é um dos principais desafios da atual fase da carreira.
"Minha rotina é bem corrida. Divido meu tempo entre a faculdade de Agronomia, os treinos e as tarefas de casa. Quando sobra um tempo, gosto de descansar e ficar com minha família e meus amigos. Não é fácil equilibrar tudo, mas, com organização, dá certo."
Além da rotina intensa, Rafael também precisou lidar com um desafio que acompanha sua trajetória desde o início da prática esportiva: a deficiência na mão esquerda. Sem os dedos da mão, ele precisou adaptar sua forma de jogar e desenvolver alternativas para seguir evoluindo dentro das quadras.
"Acho que o maior desafio é dar conta de tudo. A faculdade exige bastante, os treinos também, e ainda tenho minhas responsabilidades em casa. Além disso, precisei aprender a jogar me adaptando à deficiência na minha mão esquerda, já que não tenho os dedos. Tem dias em que erro um passe ou um arremesso e bate aquela frustração, porque sei que minha mão pode ter influenciado. Mas faz parte. Em vez de ficar pensando nisso, tento continuar treinando e evoluindo, porque sei que sempre dá para melhorar."
Mesmo diante das dificuldades, Rafael afirma que procura manter o foco no desenvolvimento técnico e no aprendizado proporcionado pelo esporte. Entre as experiências que marcaram sua carreira, ele destaca a participação nos Jogos Regionais de São Paulo, competição que considera um divisor de águas em sua formação esportiva.
"Os Jogos Regionais de São Paulo foram, sem dúvida, a competição mais marcante da minha trajetória até agora. Foi uma experiência muito importante, enfrentando equipes fortes e aprendendo bastante a cada jogo. Voltei dessa competição ainda mais motivado para continuar evoluindo."
Para o atleta, o handebol exige muito mais do que qualidade técnica. Ele acredita que o desempenho coletivo depende diretamente da postura de cada integrante da equipe, tanto nos treinamentos quanto durante as partidas.
"Acho que dedicação, disciplina e comprometimento são fundamentais. Mas o mais importante é entender que o handebol é um esporte coletivo. Confiar nos companheiros, ouvir o treinador e jogar pelo time faz toda a diferença."
Ao analisar o cenário do handebol universitário em Mato Grosso do Sul, Rafael reconhece que houve crescimento nos últimos anos, mas considera que ainda existem desafios para ampliar o desenvolvimento da modalidade.
"Acho que o handebol universitário vem crescendo e tem muitos atletas bons no estado. Mesmo assim, ainda faltam mais incentivos, mais campeonatos e mais oportunidades para que os atletas possam evoluir e mostrar o seu potencial."
Outro ponto destacado pelo atleta é a importância das pessoas que fizeram parte de sua formação esportiva. Entre elas, Rafael faz questão de citar o professor Lagoa, responsável por apresentar o handebol a ele ainda na escola e por incentivar seu desenvolvimento desde os primeiros treinamentos.
"O professor Lagoa foi uma das pessoas mais importantes na minha trajetória. Foi ele quem me apresentou o handebol no sexto ano da escola, por meio do projeto que ele desenvolvia, e quem começou a me treinar. Desde o começo, acreditou em mim e sempre me incentivou a continuar no esporte. Muitas vezes, me usava como exemplo para incentivar os outros alunos, mostrando a importância da dedicação e da vontade de evoluir. Sou muito grato por tudo o que ele fez por mim e por ter acreditado no meu potencial desde o início."
Com o objetivo de continuar crescendo na modalidade, Rafael pretende seguir conciliando a formação acadêmica com a carreira esportiva. Além de representar a UFGD, ele espera disputar novas competições e defender outras equipes quando surgirem oportunidades.
"Quero continuar evoluindo como atleta, representar cada vez melhor a UFGD e aproveitar todas as oportunidades que o handebol me proporcionar. Também espero continuar sendo chamado para defender equipes em competições importantes, como aconteceu nos Jogos Regionais de São Paulo, e ter a oportunidade de representar outras equipes no futuro. Cada convite é uma chance de aprender mais, ganhar experiência e continuar crescendo dentro do esporte. Mas também quero seguir firme na faculdade e conseguir equilibrar o handebol com a minha formação em Agronomia."
Ao falar sobre o futuro de quem deseja ingressar na modalidade, Rafael afirma que a persistência é um dos principais fatores para permanecer no esporte e alcançar novos objetivos.
"Não tenham medo de tentar. Todo mundo vai enfrentar dificuldades em algum momento, mas isso faz parte do caminho. Se você gosta do esporte, se dedica e não desiste nos momentos difíceis, as coisas vão acontecendo. Aproveitem cada oportunidade, aprendam com os erros e nunca deixem de acreditar em vocês."