Da Redação
“Desde as primeiras aulas percebi que não se tratava apenas de uma luta, mas de uma verdadeira escola de valores.” A frase resume a relação de Diego da Silva Lima com o jiu-jitsu e ajuda a compreender como a modalidade deixou de ser apenas uma prática esportiva para se tornar um caminho profissional, educacional e social em sua vida.
Nascido em 26 de junho de 1986, em Presidente Epitácio (SP), Diego teve o primeiro contato com o jiu-jitsu em 2012, a partir do convite de um amigo que, à época, era seu professor de capoeira. “Meu primeiro contato com o jiu-jitsu aconteceu de forma simples, através do convite de um amigo que depois se tornou meu sensei de jiu-jitsu, Ronis Silva”, relembra. A relação construída no tatame atravessou os anos de formação, da faixa branca à faixa preta, e mais tarde resultou na fundação da Equipe Dog Fight Jiu Jitsu, criada em 2019.
Formado em Educação Física, Diego atua como professor e também leciona jiu-jitsu na Rede Municipal de Ensino, ampliando o alcance da arte marcial para além das academias. Segundo ele, a decisão de unir a formação acadêmica com o jiu-jitsu foi natural. “Após me formar em Educação Física, vi que essa seria também uma forma de trabalhar com a arte marcial”, explica. Dessa união surgiu o Studio de Lutas Dog Fight, espaço que ele define como um ambiente voltado ao desenvolvimento esportivo e humano.
A trajetória até a faixa preta, segundo Diego, foi marcada menos por conquistas rápidas e mais pela persistência. “O maior desafio foi a constância”, afirma. Ele relata dificuldades relacionadas à rotina de trabalho, às condições físicas e emocionais e às lesões que exigiram períodos de recuperação. Para ele, o aprendizado vai além do grau conquistado. “A faixa preta me ensinou que o verdadeiro crescimento está no processo, na humildade de aprender todos os dias e na resiliência para não desistir diante dos obstáculos. O mais importante é ser um faixa preta, e não somente ter uma faixa preta.”
No Studio de Lutas Dog Fight, a proposta segue essa mesma lógica. Diego explica que o espaço nasceu “do desejo de transformar vidas através do esporte”. A ideia é oferecer um ambiente seguro, disciplinado e acessível, no qual pessoas de diferentes idades possam praticar jiu-jitsu. “Dentro do tatame, formamos atletas; fora dele, buscamos formar pessoas melhores, conscientes do seu papel na família e na sociedade”, diz.
A filosofia de trabalho adotada no studio está baseada em valores tradicionais das artes marciais. “Nossa filosofia é baseada em respeito, disciplina, humildade e comprometimento”, afirma. Para Diego, esses princípios não se restringem aos treinos, mas acompanham os alunos no cotidiano, influenciando comportamento, relações familiares e postura social.
O impacto do jiu-jitsu na vida dos praticantes é um dos pontos que ele mais destaca. Segundo o professor, a modalidade contribui diretamente para a formação pessoal e para a qualidade de vida. “O jiu-jitsu ensina autocontrole, foco, perseverança e respeito ao próximo. Além disso, melhora a saúde física e mental, ajuda no controle do estresse e aumenta a autoestima”, explica. Ele observa que o tatame do Dog Fight passou a reunir não apenas indivíduos, mas famílias inteiras. “Hoje temos famílias treinando juntas, o que faz com que elas se tornem mais próximas e unidas.”
O trabalho com crianças e jovens ocupa um espaço central dentro do projeto. Diego vê o esporte como uma ferramenta educativa e preventiva. “O jiu-jitsu ajuda na formação do caráter, na disciplina e no respeito às regras”, afirma. Para ele, a prática regular contribui para afastar jovens de situações de risco, ao oferecer objetivos claros e um ambiente estruturado. Durante as aulas, o professor costuma usar comparações para facilitar o entendimento. “Costumo falar aos alunos que, às vezes, devemos ver nossos problemas como um golpe encaixado: precisamos respirar e buscar a opção mais simples para resolver.”
Ao falar sobre conquistas, Diego relativiza o peso de títulos e medalhas. “Destaco principalmente as conquistas coletivas”, afirma. Ele cita alunos que se tornaram campeões, crianças que apresentaram melhora no desempenho escolar e adultos que encontraram no jiu-jitsu uma nova motivação. Mesmo quando compete, o foco permanece no exemplo. “Sempre que vou lutar, me preocupo mais em motivar meus alunos e mostrar que tudo depende do nosso esforço.”
Sobre o cenário estadual, Diego avalia que o jiu-jitsu vive um momento de crescimento em Mato Grosso do Sul. “Vem crescendo de forma significativa, com mais academias, competições e atletas de alto nível”, analisa. Ele também destaca o reconhecimento externo. “O jiu-jitsu do MS é reconhecido mundialmente, pois temos vários atletas que estão no cenário mundial da modalidade.”
Para o futuro, os planos envolvem expansão e fortalecimento do trabalho já desenvolvido. “Nosso objetivo é ampliar o alcance da equipe, investir na formação de atletas e professores, fortalecer o trabalho social com crianças e jovens e consolidar a Dog Fight como referência em jiu-jitsu e formação humana”, projeta.
Aos que ainda têm receio de iniciar na modalidade, Diego deixa uma mensagem direta. “Não espere estar pronto para começar. O jiu-jitsu é para todos, independentemente de idade ou condicionamento físico.” Ele orienta que os interessados busquem referências e conheçam os professores, mas reforça a importância da iniciativa. “Dê o primeiro passo, confie no processo e permita que essa arte marcial transforme sua vida, assim como transformou a minha e a dos meus alunos.”