Da Redação
O futebol amador de Campo Grande segue movimentando bairros, reunindo famílias e criando identificação entre jogadores e comunidades. Para o atleta Mario Luiz Egidio de Jesus, de 28 anos, a essência da várzea está justamente nessa ligação com os bairros e com as pessoas que acompanham os jogos nos finais de semana.
“Tem que voltar a essência de jogar pelo time da vida, defender sua quebrada”, afirmou o jogador ao falar sobre o cenário atual do futebol amador em Mato Grosso do Sul.
Natural de Campo Grande e nascido em 17 de abril de 1998, Mario Luiz contou que começou a criar vínculo com o futebol amador aos 15 anos. Segundo ele, o esporte passou rapidamente a fazer parte da rotina e da vida pessoal.
“Começou com 15 anos o amor pelo futebol amador, quando eu já fazia planos para os próximos jogos”, relatou.
Ao longo dos anos, o atleta passou a enxergar o futebol além das quatro linhas. Para ele, as equipes representam vínculos familiares e convivência comunitária construída dentro dos bairros.
“Representa muito para mim defender as equipes, que são uma família, na verdade, as equipes do futebol amador”, disse.
Mario Luiz também destacou que os momentos mais marcantes da trajetória não estão ligados apenas aos títulos conquistados. Segundo ele, o reconhecimento recebido das crianças durante os jogos em outros bairros é algo que considera especial.
“Até hoje, para mim, os momentos mais marcantes são poder ter o carinho das crianças quando vou jogar em outros bairros. Isso me marca muito”, afirmou.
A presença do futebol amador nas comunidades, principalmente aos finais de semana, é vista por ele como um movimento importante para integração social e lazer. Mario acredita que a modalidade continuará crescendo em Campo Grande e em outras cidades do Estado.
“Eu enxergo como uma rotina na minha vida. Acho que não me vejo mais sem o futebol amador. Vejo que cada vez mais o futebol amador vai crescer e movimentar as comunidades nos finais de semana”, comentou.
Apesar da expansão das competições e da popularidade da várzea, o atleta também apontou mudanças no perfil das equipes. Para ele, muitos times deixaram de priorizar jogadores do próprio bairro, o que, na visão dele, acaba afastando parte da identidade tradicional das competições.
“A maior dificuldade é poder jogar pelo time do bairro, porque a maioria hoje traz caras de fora. Tem que voltar a essência de jogar pelo time da vida, defender sua quebrada”, declarou.
Entre os títulos conquistados, Mario Luiz relembrou de forma especial a campanha do Lava Jato Ceará no Tarsila. Segundo ele, a conquista teve significado pelo fato de a equipe não aparecer entre as favoritas antes da competição.
“O título que mais me marcou foi ser campeão com o Lava Jato Ceará, onde ninguém acreditava em nós. E nós conseguimos ser campeões do Tarsila”, contou.
Ainda de acordo com o atleta, o grupo buscava provar que tinha condições de disputar e conquistar campeonatos importantes dentro da várzea campo-grandense.
“Era um time que vinha buscando provar que podia ganhar grande título e isso foi muito satisfatório”, acrescentou.
A rotina para manter participação constante no futebol amador exige conciliação entre trabalho e competições. Mario Luiz explicou que durante a semana trabalha normalmente, mas mantém presença nos jogos e compromissos relacionados à várzea.
“Trabalho na semana e, nos finais de semana, não pode faltar a várzea. Até no meio de semana agora tem jogos”, afirmou.
O incentivo familiar também teve papel importante para a permanência no esporte. Segundo ele, os tios já participavam do futebol amador, o que acabou servindo de inspiração para continuar frequentando os campos.
“Vem de família. Meus tios sempre jogavam amador, aí foi mais um incentivo para continuar no amador”, disse.
Na avaliação do jogador, o futebol amador também exerce papel social dentro das comunidades, oferecendo lazer e aproximando moradores dos bairros.
“Proporciona alegria, diversão e movimenta as comunidades nos finais de semana. As famílias vão prestigiar, isso não tem preço que pague”, comentou.
Além disso, ele acredita que o esporte pode contribuir para afastar jovens da criminalidade e criar novas referências dentro das periferias.
“Ajuda ainda mais para poder tirar os jovens das ruas”, afirmou.
Mesmo após anos atuando na várzea, Mario Luiz diz que pretende continuar disputando campeonatos e buscando novos títulos. Entre os objetivos pessoais, ele também destaca a relação construída com crianças e torcedores nos bairros onde joga.
“Meu objetivo é continuar jogando e ganhando títulos pelo amador, e continuar tendo essa admiração que as crianças têm por mim, porque isso me motiva a jogar mais ainda os amadores”, finalizou.