Da Redação
Aos 28 anos, o atleta Dônovan Wesley Sanches segue conciliando trabalho e rotina de treinos para continuar representando Maracaju nas competições de voleibol. Natural de Jardim (MS), ele afirma que foi em Maracaju que recebeu as primeiras oportunidades para disputar campeonatos, experiência que considera um marco em sua trajetória esportiva.
Nascido em 11 de fevereiro de 1998, Dônovan conta que o contato com o voleibol começou ainda na infância, de forma espontânea, muito antes de imaginar que a modalidade faria parte de sua vida de maneira mais intensa.
"Essa história começou bem mais cedo do que eu imaginava. Aos 10 anos, eu jogava com meus amigos e vizinhos em um campinho abandonado que nós mesmos fizemos com a ajuda dos vizinhos, dos primos e dos nossos pais. Mas foi aos 13 anos que comecei a me dedicar ao esporte definitivamente", relembra.
O incentivo para seguir praticando veio de dentro de casa. Segundo ele, a família sempre manteve o voleibol como uma atividade de lazer, mas o apoio recebido foi fundamental para que o esporte deixasse de ser apenas uma diversão.
"Esse desejo pelo esporte veio através da minha família, que sempre jogou voleibol, mas apenas como hobby, para se divertir. Com a ajuda dos meus pais, consegui ir muito além de um simples passatempo no fim das tardes."
Embora tenha nascido em Jardim, Dônovan afirma que foi em Maracaju que encontrou espaço para disputar competições e desenvolver sua carreira como atleta.
"Além da cidade de Jardim, onde eu nasci, Maracaju foi a primeira cidade a me dar a oportunidade de representá-la em campeonatos, onde eu jamais imaginei que jogaria."
Representar o município, segundo ele, também significa assumir responsabilidades dentro de quadra. O atleta afirma que procura manter um nível elevado de cobrança pessoal para corresponder à confiança depositada pela equipe técnica e pelos companheiros.
"Eu sempre me cobro mais, porque você não está ali apenas para jogar. Os técnicos e toda a equipe conhecem o nosso potencial e acreditam em nós para mostrarmos isso em quadra e buscarmos o direito de subir ao pódio."
Entre os momentos que marcaram sua carreira, Dônovan destaca a participação nos Jogos Abertos Pantanal, em Ponta Porã, quando foi convidado para defender o município de Bonito em uma categoria acima da sua faixa etária. Ele também lembra de um reconhecimento recebido em Maracaju.
"Acredito que uma das competições mais marcantes foi uma Pantanal, em Ponta Porã, representando a cidade de Bonito. Fui convidado para jogar em uma categoria de atletas nascidos em 1996. Mas foi em Maracaju que recebi o prêmio de atleta destaque da cidade."
A rotina de treinos exige adaptações por causa do trabalho. Sem conseguir participar de todas as atividades coletivas durante a semana, ele mantém uma preparação física individual e aproveita os finais de semana para treinar com a equipe.
"Como não consigo estar presente em vários treinos por conta do meu serviço, treino sozinho e com intensidade na academia durante a semana. Somente nos finais de semana consigo treinar com a equipe."
Para Dônovan, um dos principais obstáculos enfrentados pelos atletas do interior de Mato Grosso do Sul é a falta de investimento, situação que, segundo ele, limita o desenvolvimento de muitos jogadores.
"A falta de oportunidade e de investimento faz com que muitos atletas bons que Maracaju tem não consigam ir para outras cidades e mostrar seus talentos."
Na avaliação do atleta, apesar das dificuldades, pessoas ligadas ao voleibol têm buscado alternativas para manter a modalidade ativa no município. Segundo ele, iniciativas organizadas pelos próprios praticantes têm contribuído para movimentar o esporte local.
"Infelizmente existe pouco investimento em campeonatos de voleibol. Um grupo de amigos meus está tentando mudar isso, criando competições para a cidade sem ajuda externa, para movimentar a modalidade e não deixar o voleibol morrer em Maracaju."
Ao falar sobre as referências que encontrou durante sua caminhada, Dônovan cita treinadores que contribuíram para sua formação dentro do esporte.
"Tenho vários técnicos e amigos que sempre me incentivaram a ir mais além, como o técnico Michel, de Maracaju, e o técnico Lêlanti, de Jardim."
O atleta afirma que pretende continuar competindo e levando o nome de Maracaju para outras cidades, além de mostrar o potencial existente no município.
"Meu objetivo é continuar jogando e representando Maracaju fora da cidade, mostrando que temos muitos atletas nas quadras capazes de levar o nome do município cada vez mais longe no esporte."
Por fim, Dônovan deixa uma mensagem para crianças e adolescentes que desejam seguir carreira no voleibol. Para ele, é importante não esperar que as oportunidades apareçam, mas buscar espaço para evoluir na modalidade.
"Mesmo com poucas oportunidades, não esperem que elas cheguem até vocês. Procurem técnicos e equipes que estejam dispostos a ajudar quem quer aprender e crescer em quadra. Acreditem primeiro em vocês e não tenham medo da primeira dificuldade que surgir. É nesse momento que vocês vão perceber que todo o esforço feito dentro de quadra vale a pena."