Da Redação
A corrida entrou na vida de Jéssica de Moraes Berlofa há menos de dois anos, mas já provocou mudanças na rotina, nos hábitos e na forma como ela encara os próprios desafios. Natural de Bela Vista (MS), onde nasceu em 7 de julho de 1990, ela começou a correr em agosto de 2024, motivada por pessoas próximas que já praticavam o esporte.
“No início eu tinha vergonha, porque eu não aguentava correr nem 100 metros”, relata. O incentivo veio do marido, que também começou a correr e passou a acompanhá-la nos primeiros treinos. “Foi ele quem me ajudou a iniciar. Ele sempre me incentiva e diz que eu consigo melhorar.”
A primeira experiência em uma prova aconteceu na Nascente Azul, em Bonito (MS). Mesmo com poucos meses de treino, o resultado chamou a atenção da corredora. “Quando eu vi que fiquei bem classificada, me senti desafiada a buscar resultados melhores e comecei a treinar com mais constância.”
No mês seguinte veio o primeiro pódio, experiência que aumentou ainda mais a motivação para seguir no esporte. A partir daí, Jéssica precisou adaptar a rotina para conseguir encaixar os treinos no dia a dia. Proprietária de uma pizzaria, ela encontrou no período da noite o único horário disponível para correr.
“Como eu tenho uma pizzaria, meu único horário para treinar era após as 22h30. Eu e meu marido deixávamos nossos filhos aos cuidados da minha mãe ou da minha sogra e fazíamos o treino nesse horário”, conta. Atualmente, ela afirma que a família conseguiu reorganizar a rotina, permitindo treinos em outros períodos do dia.
A relação com a corrida foi além da busca por resultados esportivos. Segundo Jéssica, a prática trouxe mudanças pessoais importantes e passou a representar uma nova forma de enxergar a vida.
“A corrida me motiva porque ela me lembra constantemente do que sou capaz”, afirma. “Viajar para correr tornou tudo ainda mais especial. Tenho a oportunidade de colecionar histórias, conhecer lugares incríveis e criar memórias que levarei para sempre.”
Entre os principais desafios enfrentados no início da trajetória, ela destaca a necessidade de equilibrar os treinos de corrida com a musculação, atividade que já fazia parte da rotina antes mesmo de começar no esporte.
“Sempre gostei muito de treinar força e trabalhar com cargas mais altas, então precisei aprender a dosar a intensidade dos treinos para conseguir evoluir nas corridas sem abrir mão da musculação”, explica.
Outro aprendizado, segundo ela, foi entender a importância da constância e do respeito ao próprio processo de evolução. “No começo, a ansiedade para evoluir mais rápido era grande, mas a corrida me ensinou que a constância vale mais do que a pressa.”
Entre as provas que marcaram sua trajetória até aqui, Jéssica destaca a Corrida Duas Fronteiras, em homenagem a Elenilson da Silva, realizada em Bela Vista. Foi nessa competição que ela conquistou o primeiro pódio geral da carreira.
“Além da emoção de conquistar meu primeiro pódio geral, foi uma prova que me fez acreditar ainda mais no meu potencial”, lembra.
Hoje, a atleta mantém uma rotina organizada para conseguir conciliar trabalho, treinos e família. Pela manhã, ela trabalha na produção da pizzaria. À tarde, realiza os treinos de musculação e, no início da noite, faz os treinos de corrida. Sempre que possível, também procura incentivar os filhos a praticarem atividades físicas.
“Quando dá tempo, ainda levo meus filhos para correr também, porque estou procurando inseri-los no esporte e tirar eles das telas”, afirma.
Jéssica acredita que a corrida teve impacto direto não apenas na saúde física, mas também na saúde mental e nos hábitos cotidianos. Ela relata que, antes de começar no esporte, tinha uma rotina completamente diferente nos finais de semana.
“Eu era aquela pessoa que esperava o final de semana ansiosa para comprar uma grade de cerveja e beber até não aguentar mais. Hoje sou aquela que consegue controlar a quantidade de bebida porque tenho meu longo”, diz, referindo-se aos treinos de longa distância.
A corredora também acompanha o crescimento das provas de rua em Mato Grosso do Sul e afirma enxergar mudanças positivas na vida de pessoas próximas que começaram no esporte recentemente.
“Tenho uma amiga que parou de fumar após começar a correr. Tenho amigas que usam a corrida como distração e outras que começaram apenas para emagrecer. Hoje, todas elas me relatam que estão vivendo o melhor momento das vidas delas”, comenta.
Antes das provas, Jéssica mantém uma preparação específica envolvendo alimentação, descanso e controle emocional. Ela relata que costuma preparar as próprias refeições e aumentar a ingestão de carboidratos na véspera das competições.
Na parte emocional, a corredora admite que sente ansiedade antes das largadas, mas encontrou maneiras de lidar com isso. “Eu tento mentalizar uma boa prova e ler algumas mensagens que eu mesma escrevi para lembrar o quanto sou grata por ter saúde para praticar corrida e também lembrar que eu treinei para estar correndo naquele dia.”
Para mulheres que desejam começar no esporte, mas ainda têm insegurança, ela deixa um conselho direto: “Comece. Não espere o momento perfeito, o pace perfeito ou o tênis perfeito.”
Entre os próximos objetivos, Jéssica pretende completar os 21 quilômetros no asfalto e, posteriormente, enfrentar o desafio da mesma distância em trilha.
“A corrida me ensinou a respeitar cada etapa e a não ter pressa, então prefiro focar em um objetivo de cada vez”, finaliza.