Terça-feira, 19 de maio de 2026, 17:42

“Não é fácil, mas também não é impossível”: a visão de um jovem atleta sul-mato-grossense

da redação - 23 de fev de 2026 às 15:59 90 Views 0 Comentários
“Não é fácil, mas também não é impossível”: a visão de um jovem atleta sul-mato-grossense Da Redação

“Não é fácil, mas também não é impossível. Você vai ter que ter muita cabeça, porque abre mão de tudo.” A frase resume o momento e a visão de João Victor dos Santos Silva de Moraes, nascido em 5 de janeiro de 2005, jovem atleta que tenta construir espaço no futebol sul-mato-grossense enquanto concilia trabalho e competições amadoras.

 

A relação com o futebol começou cedo, mas houve um ponto de virada. Segundo ele, o esporte deixou de ser apenas diversão quando surgiu a primeira oportunidade fora do Estado. “A partir do momento em que eu recebi uma proposta para jogar em um time lá do interior de São Paulo”, afirma. Foi nesse instante que ele passou a encarar o futebol como possibilidade concreta de carreira.

 

Em Mato Grosso do Sul, os primeiros passos foram dados em campeonatos escolares. “Começou com campeonato de escola, onde tinha muita competitividade”, relembra. A vivência nas competições estudantis abriu portas para uma experiência mais estruturada. “Logo depois apareceu o professor Osvaldo com a ideia de montar um time sub-17 para jogar o estadual”, conta.

 

O apoio familiar aparece como base constante ao longo do percurso. “Quem mais acreditou em mim e até hoje acredita é somente minha família”, diz. Em um cenário que ele considera limitado, a sustentação emocional e o incentivo dentro de casa foram determinantes para que continuasse tentando espaço no esporte.

 

Entre as principais dificuldades enfrentadas, João Victor cita a falta de oportunidades e a questão financeira. “As dificuldades que eu enfrentei foram falta de oportunidade, não ter uma condição financeira boa para me manter. Aqui na cidade os atletas são muito desvalorizados pelo clube daqui”, afirma. A fala aponta para um contexto em que, segundo ele, muitos jovens encontram barreiras para seguir no futebol competitivo.

 

Um dos momentos marcantes da trajetória foi a passagem pelo Ivinhema. “Sim, quando tive uma passagem pelo Ivinhema. Fomos vice-campeões estaduais sub-20, ganhando a vaga para a Copinha”, relata. A campanha representou visibilidade e a chance de disputar uma das principais vitrines do futebol de base no país. A experiência consolidou a percepção de que era possível competir em alto nível.

 

Atualmente, no entanto, a rotina está distante do ambiente profissional. “Ultimamente não estou treinando, fico mais no trabalho e jogo os campeonatos amadores aqui na cidade”, explica. A necessidade de trabalhar para garantir renda própria faz com que o futebol ocupe os espaços disponíveis, principalmente em competições locais.

 

Sobre o próprio estilo de jogo, João Victor destaca um aspecto comportamental. “Acredito que minha característica é não desistir, sempre acreditar que posso dar algo a mais.” Para ele, a persistência é o principal diferencial dentro de campo, especialmente em um contexto de poucas oportunidades.

 

Entre as referências, ele menciona um jogador que atua no futebol europeu. “Gosto do estilo de jogo do Ríos, que joga no Benfica”, afirma, citando Richard Ríos, meio-campista colombiano com passagem pelo futebol brasileiro e atualmente no futebol português. A escolha indica identificação com atletas que conciliam intensidade e presença no meio de campo.

 

Ao avaliar o cenário do futebol sul-mato-grossense para jovens atletas, João Victor é direto. “Eu acho muito ruim. Falta oportunidade, os atletas são muito desvalorizados.” A crítica reforça a percepção de que o Estado oferece poucas estruturas consolidadas para formação e manutenção de jogadores na base e na transição para o profissional.

 

Antes de entrar em campo, ele simplifica o pensamento. “Só penso em ser feliz e fazer o que eu mais amo.” A frase revela que, apesar das dificuldades relatadas, o vínculo com o futebol permanece ligado à satisfação pessoal.

 

Para o futuro, os objetivos misturam estabilidade financeira e permanência no sonho esportivo. “Hoje, no momento, meus objetivos são ter minha casa e minha moto”, afirma. Ao mesmo tempo, deixa uma mensagem para outros jovens que buscam o mesmo caminho: “Não é fácil, mas também não é impossível. Você vai ter que ter muita cabeça, porque abre mão de tudo.”

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.