Da Redação
A corrida de rua entrou na vida de Michelly de Araújo Romeiro Portela em 2014, mas, ao longo dos anos, acabou se tornando mais do que uma prática esportiva. Nascida em Jardim, município onde vive até hoje, a atleta amadora encontrou nas corridas um espaço de disciplina, superação e equilíbrio em meio à rotina de trabalho, estudos, família e empreendedorismo.
Casada e atuando profissionalmente em uma instituição financeira, Michelly também administra uma loja on-line voltada ao segmento esportivo. Entre compromissos pessoais e profissionais, ela mantém os treinos como parte da rotina e afirma que o esporte passou a ocupar um papel importante em sua vida, principalmente após um período difícil vivido em 2022.
“A corrida representa muito mais do que esporte. Em 2022, durante um período difícil da minha vida, ela se tornou minha válvula de escape. Foi nesse momento que percebi o quanto somos capazes de superar nossos próprios limites”, relatou.
Segundo Michelly, a prática esportiva ajudou no fortalecimento emocional e trouxe aprendizados que ultrapassam as pistas. “A corrida me ensinou disciplina, constância, coragem, gratidão, confiança e, principalmente, a confiar em Deus. Ela me mostrou que somos capazes de conquistar coisas que antes pareciam impossíveis”, afirmou.
O início na corrida aconteceu por meio do Grupo Circuito, criado pela corredora Ju Mustafa. Na época, o grupo era o único voltado à corrida de rua em Jardim e ficou conhecido na cidade como “as amarelinhas”, em referência à cor das camisetas utilizadas pelas integrantes.
“A corrida entrou na minha vida em 2014, por meio do Grupo Circuito, idealizado pela corredora Ju Mustafa. Nossa camiseta era amarela e, naquela época, éramos o único grupo de corrida da cidade”, lembrou.
Ela conta que conheceu Ju Mustafa no ambiente profissional e, a partir dali, surgiu uma amizade que permanece até hoje. O grupo também proporcionou novos vínculos pessoais construídos por meio da convivência nos treinos e provas.
“Fui convidada pela Ju, que conheci profissionalmente e que se tornou uma grande amiga. Nesse grupo conheci mulheres incríveis, e muitas dessas amizades permanecem até hoje, construídas através do companheirismo e da superação”, disse.
Apesar da identificação com o esporte, Michelly afirma que o caminho dentro da corrida não foi marcado apenas pela constância. Ela relata que precisou interromper os treinos em alguns momentos e recomeçar em diferentes fases da vida.
“Como corredora amadora, já comecei e parei algumas vezes ao longo dos anos. O maior desafio sempre foi manter a constância e conciliar a corrida com as responsabilidades do dia a dia”, explicou.
Além disso, ela destaca que precisou compreender seus próprios limites e respeitar o próprio ritmo de evolução. “Também precisei aprender a respeitar meu tempo e entender que cada pessoa tem seu próprio processo”, acrescentou.
Atualmente, Michelly busca conciliar a preparação para as provas com as demais responsabilidades da rotina. Segundo ela, a organização é fundamental para conseguir manter os treinos.
“Trabalho em uma instituição financeira, administro minha loja on-line, cuido da casa, do casamento, dos estudos e ainda preciso encaixar os treinos. Procuro manter disciplina, respeitar os períodos de descanso e seguir os treinos com dedicação”, afirmou.
Entre as experiências mais marcantes da trajetória como corredora está uma prova disputada no Rio de Janeiro, em 2022. A viagem reuniu amigas que ela conheceu ainda no início da caminhada dentro do esporte, em 2014.
“A prova mais marcante foi no Rio de Janeiro, em 2022. Participar daquele evento era um sonho que, por muito tempo, parecia impossível”, contou.
Enquanto algumas amigas participaram da meia maratona, Michelly disputou a prova de 5 quilômetros, distância com a qual diz ter mais afinidade. Na ocasião, alcançou o melhor tempo dos últimos anos, completando o percurso em 24 minutos e 9 segundos.
“Foi uma experiência que simbolizou amizade, superação e realização de sonhos”, resumiu.
Ao analisar o cenário atual da corrida de rua em Mato Grosso do Sul, Michelly avalia que houve crescimento significativo nos últimos anos, principalmente após a pandemia. Segundo ela, o aumento do número de praticantes e grupos de corrida tornou o esporte mais presente nas cidades.
“Hoje existem vários grupos, muitas provas e cada vez mais pessoas praticando atividade física. Anos atrás, saíamos para correr e praticamente não encontrávamos ninguém além do nosso grupo. Atualmente, vemos as ruas cheias de corredores”, afirmou.
A atleta também destaca que o equilíbrio entre treino, trabalho e vida pessoal depende de planejamento e constância. Para ela, entender que nem todos os dias serão produtivos faz parte do processo.
“Planejamento, organização e constância são fundamentais. Também acredito que respeitar o corpo, priorizar o descanso e entender que nem todos os dias serão perfeitos ajuda muito”, disse.
Mesmo após momentos em que pensou em desistir, Michelly afirma que a corrida sempre serviu como incentivo para continuar avançando.
“O apoio das amigas, a fé em Deus e a vontade de superar meus próprios limites me fizeram continuar”, declarou.
Além dos objetivos pessoais dentro das provas de rua, Michelly também passou a investir no empreendedorismo esportivo. Em 2025, ela criou a Pacewear, marca voltada à venda de roupas e acessórios para treino. O projeto começou com óculos e meias esportivas e foi ampliado ao longo do tempo.
“Ver minhas clientes felizes e se sentindo confiantes usando os produtos nas ruas e academias é tão gratificante quanto cruzar uma linha de chegada”, afirmou.
Hoje, a atleta está focada em um novo desafio nos 7 quilômetros. Mais do que performance, ela diz que o objetivo representa evolução pessoal.
“Esse objetivo não foi traçado apenas pensando em performance, mas para provar a mim mesma o quanto somos capazes de evoluir. Se consigo evoluir na corrida, também posso evoluir na vida pessoal e profissional”, concluiu.