Da Redação
A relação de Kayke de Castro Reis com o futebol começou cedo, como acontece com muitos meninos do interior, entre amigos, família e campos improvisados. “O futebol entrou na minha vida ainda na infância, como uma brincadeira, jogando com amigos e familiares. Com o tempo, percebi que aquilo não era apenas diversão”, conta o jovem de 17 anos, nascido em 31 de maio de 2008, em Chapadão do Sul, no norte de Mato Grosso do Sul.
A percepção de que o futebol poderia ser mais do que lazer veio acompanhada dos primeiros passos em um clube. Kayke iniciou sua formação na SERC, equipe tradicional da cidade. “Meu primeiro clube foi o da minha cidade, a SERC. Lá foi onde aprendi a dar meus primeiros passes”, relembra. O período foi decisivo para consolidar fundamentos e entender a rotina de treinos, ainda que em um ambiente próximo de casa e da família.
A partir dali, a carreira começou a ganhar contornos mais instáveis, comuns a jovens atletas em formação fora dos grandes centros. Kayke passou pelo Náutico, de Campo Grande, e depois retornou para Chapadão do Sul. “Depois do Náutico, voltei para minha cidade. Fiquei sem clube, mas não fiquei parado. Continuei treinando”, afirma. A frase ajuda a entender uma característica recorrente em sua trajetória: mesmo nos momentos sem vínculo formal, o futebol nunca foi abandonado.
A sequência de idas e vindas seguiu com uma oportunidade em São Gabriel do Oeste, onde disputou o Campeonato Estadual Sub-17. “Disputei o estadual sub-17, perdemos na semifinal”, relata. Com o fim da competição, veio mais um retorno à cidade natal e, novamente, um período sem clube. Desta vez, Kayke manteve contato com o esporte por meio do futsal. “Fiquei só no futsal, treinando”, diz.
A chance seguinte veio de fora do estado. Com ajuda de um professor, Kayke foi para Campo Mourão, no Paraná, onde permaneceu por cerca de cinco meses. O período, porém, foi interrompido por questões burocráticas. “Fiquei lá uns cinco meses, porque meu BID deu problema”, explica. A situação exigiu novas decisões rápidas. Após conversar com o professor, surgiu outra oportunidade, desta vez em São Paulo, para a disputa de uma competição. “Peguei e fui. Assim que acabou o campeonato, voltei para minha cidade”, conta.
O retorno, no entanto, foi acompanhado de um dos momentos mais delicados da sua trajetória. Sem clube e após uma sequência de tentativas interrompidas, Kayke admite que o desânimo apareceu. “Fiquei parado, não estava indo mais treinar, estava desanimado”, relata. A pausa coincidiu também com uma lesão. “Pensei em desistir quando lesionei o quadril”, afirma, de forma direta, sem rodeios.
O apoio familiar foi decisivo para atravessar esse período. Kayke faz questão de destacar quem esteve ao seu lado. “As pessoas que mais me apoiam são minha mãe, meu pai, minha avó e meu avô”, diz. O suporte emocional, somado ao incentivo de professores, ajudou a reverter o cenário. Pouco tempo depois, recebeu uma nova mensagem que mudou novamente o rumo. “Meu professor me mandou mensagem para eu arrumar minhas coisas e ir para São Gabriel de volta”, lembra.
Hoje, Kayke busca estabilidade e continuidade, algo que ainda não conseguiu manter por longos períodos. Ele resume sua fase atual como um momento de foco. “Atualmente, procuro manter uma rotina focada, com treinos constantes, cuidando do condicionamento físico”, afirma. A preocupação com o preparo físico aparece como um aprendizado acumulado após lesões e interrupções.
Dentro de campo, Kayke se define a partir de características objetivas. “Minhas características jogando são velocidade, dribles e força”, explica. Mais do que funções táticas, ele traduz seu estilo em uma expressão que se tornou popular no futebol brasileiro. “Meu futebol é ousadia e alegria”, define.
Entre cidades, estados, retornos e recomeços, a história de Kayke ainda está em construção. Aos 17 anos, ele carrega uma vivência que mistura oportunidades, frustrações, apoio familiar e persistência. Em meio às incertezas comuns à base do futebol brasileiro, uma frase dita quase de passagem ajuda a resumir seu percurso até aqui: “Fiquei sem clube, mas não fiquei parado”. É nesse movimento constante, mesmo quando tudo parece suspenso, que Kayke segue tentando transformar uma brincadeira de infância em profissão.