Da Redação
Natural de Dourados, no interior de Mato Grosso do Sul, Luís Cláudio Bezerra Filho, 32 anos, encontrou nas artes marciais um caminho de disciplina, superação e propósito. Faixa-preta de jiu-jitsu e atleta de boxe, ele iniciou sua trajetória no esporte aos 16 anos, após uma juventude marcada por brigas e uma vida agitada.
“Eu sempre fui muito de brigas na rua, na escola, tive uma infância um pouco agitada. Gostava de verdade da ‘violência’. Meu primeiro contato com arte marcial foi com 16 anos, no MMA. Estava voltando de algum lugar e vi uma academia com o logotipo ‘MMA’. Na época, era pouco visto aqui na cidade, mas eu sempre gostei de esporte de luta. Comecei nesse dia. Era tudo old school. No primeiro dia já me colocaram para fazer sparring de MMA”, relembra.
A partir daí, o interesse pelo jiu-jitsu surgiu naturalmente. “Depois de alguns meses ingressei no jiu-jitsu sem kimono, e depois de mais uns meses consegui comprar um kimono e começar de vez no jiu”, conta. A rotina intensa de treinos e competições o levou a conquistar importantes resultados, como o título mundial da CBJJD em três categorias diferentes no mesmo dia e o terceiro lugar no Brasileiro da CBJJE, na categoria até 82kg. “Atualmente sou o melhor na categoria do estado”, afirma.
O boxe entrou na vida do atleta mais tarde, durante a pandemia, quando decidiu preencher uma lacuna na cidade. “O boxe veio bem depois. Meu foco sempre foi MMA e jiu-jitsu, mas eu sempre assisti muita luta de boxe antigo — Tyson, Mohamed Ali. Sempre tive interesse no esporte, mas aqui não tinha essa modalidade. No início da pandemia resolvi começar a dar aula de boxe, já que na cidade ninguém tinha. Fiz alguns cursos de manopla e participei de seminários. Acredito que tenha sido o primeiro a trazer o boxe para a cidade”, relata.
A rotina de Luís é marcada por disciplina e esforço físico. “Hoje eu faço três treinos diários — um de jiu-jitsu, um de cardio ou musculação e um de boxe. Dou cinco ou seis aulas por dia, fora os meus próprios treinos. São de oito a nove horas por dia suando. Tento conciliar o trabalho e os treinos sem que eu me esgote, mas já aconteceu de ir para campeonato doente devido ao esgotamento físico”, explica.
Antes de se dedicar integralmente ao jiu-jitsu e ao boxe, o atleta teve uma passagem significativa pelo MMA profissional. “Participei de oito lutas nacionais de MMA profissional, tendo o cartel com quatro vitórias, duas derrotas, um empate e um ‘no contest’. A última foi em Curitiba, no FMS, contra um atleta invicto, com cartel 9-0”, relembra.
A decisão de deixar o MMA foi motivada pelo impacto das dietas e cortes de peso em sua rotina. “Resolvi deixar o MMA de lado, pois ficar fazendo dieta e bater peso me atrapalhava bastante no dia a dia. Decidi focar mais no jiu-jitsu e no boxe”, explica.
Para Luís, a trajetória nas artes marciais foi construída sobre resiliência. Ele destaca que sua principal inspiração é ele mesmo. “Minha maior inspiração nas artes marciais sou eu mesmo, por não ter desistido. Tive vários motivos para isso, para seguir outros caminhos, e mesmo assim continuei nesse sonho. Hoje consigo melhorar a vida de vários alunos com o esporte”, afirma.
As derrotas, segundo ele, são parte essencial do processo de amadurecimento. “As derrotas fazem parte do crescimento. Acredito que sem elas eu não seria quem sou hoje. Mas com certeza eu não luto por lutar. Eu luto pelo primeiro lugar sempre. Ser o melhor, para mim, é uma questão de obrigação”, resume.
Conciliar treinos, trabalho e competições é um desafio constante, principalmente quando há custos envolvidos. “Estou tentando competir mais nos eventos fora do estado, mas conciliar serviço, treino e despesas não é muito fácil”, comenta.
Mesmo assim, os planos para o futuro são ambiciosos. “Meus objetivos atuais são ser campeão mundial pela CBJJE, campeão do ADCC e do Mundial Master, nos Estados Unidos, no ano que vem”, projeta.
Luís também observa com atenção o crescimento das artes marciais no Brasil e acredita que o momento é favorável tanto para o jiu-jitsu quanto para o boxe. “Acredito que o BJJ esteja numa crescente enorme. O jiu-jitsu nunca foi tão visto e querido como hoje no Brasil. Assim como o boxe. Os eventos com influenciadores, de certa forma, estão dando mais visibilidade para o boxe”, analisa.
A experiência o levou a formar uma visão própria sobre o que é essencial para quem quer trilhar o mesmo caminho. “Meu conselho para quem quer se tornar faixa-preta de jiu-jitsu e também se aventurar no boxe é: comece sem pressa. Às vezes você não vai ter motivação para levantar e ir treinar, mas tenha a disciplina de ir. Quando você ver, já será um atleta de alto nível. E para quem treina por hobby, é a melhor coisa que pode fazer pela saúde”, aconselha.
Luís também faz um alerta para quem está começando. “Procure um professor que já competiu, procure uma academia que conhece o esporte de verdade”, conclui.