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Longe dos grandes centros, perto do sonho: João Eduardo e a realidade do atleta sul-mato-grossense

da redação - 3 de fev de 2026 às 15:10 72 Views 0 Comentários
Longe dos grandes centros, perto do sonho: João Eduardo e a realidade do atleta sul-mato-grossense Da Redação

“Às vezes o jogador tem apenas uma oportunidade de conseguir viajar para um grande centro, e nessa oportunidade única tem que mostrar capacidade e estar pronto”. A frase de João Eduardo de Souza Leite resume não apenas a própria trajetória no futebol, mas também a realidade enfrentada por muitos atletas de Mato Grosso do Sul que sonham em avançar no esporte longe dos grandes centros do país.

 

Nascido em 19 de abril de 2000, em Campo Grande, João Eduardo teve o primeiro contato com o futsal ainda criança, aos cinco anos, na escola. Pouco depois, já conciliava as quadras com o futebol de campo em Maracaju, cidade onde passou a infância e adolescência. “Comecei com o futsal na escola com cinco anos e, bem novo, com sete ou oito anos, conciliei futebol e futsal na minha cidade, Maracaju”, relembra.

 

O destaque nas competições locais fez com que o esporte deixasse de ser apenas uma atividade extracurricular. Ainda jovem, João chamou atenção e passou a ter novas oportunidades. “Quando comecei a me destacar em Maracaju, meu pai me levou para Campo Grande para jogar no CENE e, desde então, já comecei a disputar campeonatos importantes”, conta. A mudança marcou o início de uma rotina mais exigente, com treinos intensos, viagens e adaptação a um novo ambiente competitivo.

 

Mesmo tendo experiência nas duas modalidades, João Eduardo construiu sua identidade principalmente no futebol de campo. “Eu gosto mais do futebol, porque joguei muito mais tempo, mas o futsal ajuda muito na questão do pensamento rápido e de ser mais ágil”, explica. Para ele, a vivência no futsal contribuiu diretamente para a leitura de jogo e a tomada de decisão, aspectos que carregou para o campo ao longo da formação.

 

Ao falar sobre os desafios enfrentados por atletas sul-mato-grossenses, João destaca que a distância geográfica ainda pesa. “É complicado, pois estamos longe dos grandes centros. Para um atleta do Mato Grosso do Sul, ainda mais do interior, conseguir chegar a um clube com estrutura, tem que passar por vários obstáculos”, afirma. Entre eles, ele cita viagens longas, afastamento da família e processos de adaptação ainda na adolescência. “Às vezes o jogador tem apenas uma oportunidade de viajar para um grande centro e precisa estar pronto, sendo que poucos lugares no estado oferecem realmente estrutura para isso.”

 

Entre os momentos mais marcantes da carreira, João Eduardo aponta a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2020. Atuando pelo União ABC, ele esteve em campo contra o Grêmio, em partida válida pela segunda fase da competição. “Foi um jogo transmitido em rede nacional pelo SporTV. Me marcou por vários motivos: ver minha família e amigos me assistindo pela TV e por ser um jogo de segunda fase da Copinha, onde poucos times de Mato Grosso do Sul chegaram”, relata.

 

O confronto terminou com vitória do time gaúcho nos minutos finais, mas deixou uma lembrança positiva. “A gente fez um jogo muito bom, segurou o resultado até o final do segundo tempo, e infelizmente eles fizeram um gol no final e se classificaram. O Grêmio ainda chegou à final, era uma equipe muito qualificada, considerada por muitos a melhor daquele campeonato, e conseguimos jogar de igual para igual”, lembra.

 

Hoje, João Eduardo segue ligado ao esporte, embora fora do futebol profissional. Ele atua no futebol amador e no futsal, mantendo uma rotina que ainda envolve treinos e competições. “Atualmente, estou jogando no futebol amador, tenho treinos com a equipe Jeito Moleke de futsal e jogo também o amador de futebol de campo. Não atuo mais profissionalmente, mas ainda sou feliz praticando o esporte que eu amo”, afirma.

 

A decisão de deixar o futebol profissional, segundo ele, foi o momento mais difícil da carreira. “Com certeza foi a decisão de focar em outra área”, diz. Ainda assim, João destaca que a permanência no esporte, mesmo em outro contexto, foi fundamental para manter o vínculo com aquilo que sempre fez parte da sua vida.

 

Dentro de quadra ou de campo, ele se define como um atleta disposto a cumprir funções diferentes. “Procuro ser versátil e ajudar da forma que o treinador pede. Sou muito competitivo e busco a vitória a todo momento, mesmo quando a situação está difícil”, afirma. Sobre aspectos a melhorar, ele aponta a parte física. “Buscar estar sempre bem fisicamente ajudaria muito no meu desempenho”, avalia.

 

Entre as referências, João cita o lateral Guilherme Arana. “Sempre gostei muito de ver ele jogar, por atuar na posição que eu jogava e por ter passado pelo time que eu torço”, explica. Já o apoio, ele faz questão de destacar a família. “Desde o início, meu apoio sempre foi a minha família. Sou muito grato por tudo o que fizeram por mim dentro e fora de campo.”

 

O futuro segue ligado à competição. Mesmo longe do profissionalismo, João Eduardo mantém objetivos claros. “Pretendo continuar competindo e, quem sabe, conquistar os principais campeonatos do estado, tanto no futebol quanto no futsal. Esse é um grande objetivo que ainda tenho como atleta”, conclui.

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