Da Redação
Sofia Silva dos Santos, de 12 anos, começou a praticar jiu-jitsu por incentivo do pai e, desde então, vem construindo uma trajetória de destaque em campeonatos regionais. Nascida em 08 de março de 2013 na cidade de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul, ela acumula atualmente 14 medalhas conquistadas em competições no estado e também no Paraná, onde tem mantido desempenho invicto na própria categoria.
A entrada no esporte aconteceu de maneira natural. O ambiente de treinos que frequentava com o pai logo se tornou parte da rotina. “Comecei a treinar por causa do convite do meu pai, que já treinava. Na época, só tinha uma menina da minha idade, e ela também ia treinar com o pai dela. A galera que treinava com meu pai começou a me chamar pra treinar também. Aí fui com ele e desde então não parei mais.”
A primeira medalha veio junto de outra experiência marcante: a estreia no tatame e o primeiro kimono. “Meu pai não tinha condições financeiras de me dar um kimono na época, e acabei ganhando um de presente de uma amiga dele. O campeonato aconteceu no estado do Paraná, na cidade de Toledo. Fiz minha primeira luta, estreando em um campeonato, e venci. Só lembro que chorei muito olhando para o meu pai naquele momento. Foi uma experiência que marcou a minha vida.”
Das 14 medalhas já conquistadas por Sofia, nove são de ouro, três de prata e duas de bronze. Algumas competições deixaram registros mais significativos em sua trajetória. “A primeira medalha, que conquistei na minha estreia em Toledo, com apenas alguns meses de treino; o Campeonato da In The Guard, em Cascavel, onde ganhei três lutas e fui graduada à faixa amarela pelo meu Sensei no próprio evento; e o Campeonato Internacional realizado pela APROVE e ITAIPU, onde fui campeã e me consagrei como campeã internacional.”
Os treinos da atleta acontecem às terças e quintas-feiras. Ela participa tanto da aula voltada ao público infantil quanto da juvenil e adulta, totalizando cerca de três horas e meia de treino por dia. “Aqui nós treinamos duas vezes por semana, pois é o tempo que nossos instrutores têm disponível para nos treinar. Eu treino nesses dias: no horário infantil, por 1 hora e 30 minutos, e no horário juvenil/adulto, por 2 horas.”
Sofia destaca a importância das competições fora do estado, especialmente no Paraná, onde o jiu-jitsu possui maior número de academias e atletas por categoria. “É muito legal, porque além de o jiu-jitsu ser forte na região, os campeonatos do Paraná são muito bem organizados. No Paraná, há muitas academias que participam dos campeonatos, pois o jiu-jitsu é muito forte na região, e existem muitos adversários nas categorias.”
Ela admite que o nervosismo antecede as lutas, mas que isso não a impede de seguir competindo. “Fico nervosa antes das lutas, até dias antes da competição. Na checagem, você consegue ver as adversárias inscritas na categoria, aí eu pesquiso, assisto vídeos, vejo fotos e pódios delas. Mesmo assim, entro no tatame com aquele friozinho na barriga.”
Dentro e fora do tatame, o pai também exerce papel de treinador. Sofia reconhece a importância desse vínculo. “Minha relação com ele é muito boa, pois ele não me deixa faltar e me incentiva muito, principalmente nos campeonatos. Antes de eu entrar para lutar, ele sempre fala que, independente do resultado, eu sou o amor da vida dele e que sempre serei a melhor lutadora que ele conhece.”
Entre suas referências dentro do jiu-jitsu estão nomes consagrados e outros mais próximos da realidade local. “João Miyao, Daniel 220, Vagner Kuroiwa (Japa), Raissa Cristina (Aprove Jiu-Jitsu), e meu sensei Junior Teixeira.” A rotina de treinos é conciliada com os estudos. Ela estuda em tempo integral na rede estadual. “Chego em casa, tenho tempo de descansar um pouco, em seguida vou para os treinos.”
Os objetivos da jovem atleta já incluem metas de longo prazo. “São três: conquistar a faixa preta, conseguir recursos para ir para o Mundial KIDS em SP este ano pela CBJJE, e competir na Europa.”
Além dos resultados dentro das competições, Sofia aponta que o jiu-jitsu tem tido um impacto direto no seu comportamento e mentalidade. “Aprendi que, mesmo com medo ou nervosismo, eu posso seguir em frente. Ele me ensinou a ter disciplina, a respeitar os outros e, principalmente, a acreditar em mim. Aprendi a cair e levantar, dentro e fora do tatame.”
A atleta também destaca o apoio familiar como um dos pilares da sua motivação. “O jiu-jitsu me ensinou que a gente nunca está sozinho quando tem amor, esforço e coragem.” Mesmo com idade escolar, Sofia já representa uma nova geração de atletas que, com incentivo, acesso ao esporte e apoio da família, vêm ocupando espaço no cenário das artes marciais.