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Instrutora e árbitra, Riane Ishikawa explica como o kickboxing transformou sua vida

da redação - 21 de jan de 2026 às 15:21 112 Views 0 Comentários
Instrutora e árbitra, Riane Ishikawa explica como o kickboxing transformou sua vida Da Redação

Riane Ishikawa, instrutora de kickboxing nascida em Rio Brilhante em 1990, encontrou no esporte não apenas uma forma de mudar a própria rotina, mas um caminho profissional que hoje influencia dezenas de alunos em Mato Grosso do Sul. Sua trajetória começou em 2013, quando buscava apenas melhorar o condicionamento físico. O primeiro contato, porém, evoluiu rapidamente. “Comecei treinando para ter uma qualidade física melhor, fui gostando e isso foi o pontapé inicial para competir. Um tempo depois, comecei a dar aulas”, lembra.

 

A transição para a docência veio da observação de como o esporte impactava quem treinava ao seu lado. “O que me fez passar de praticante para instrutora foi perceber como a técnica correta e a disciplina mental transformam vidas. Quando entendi que podia ajudar outras pessoas a superarem seus limites através da metodologia do kickboxing, decidi me profissionalizar, por volta de 2021”, explica. Para ela, ensinar é mais do que transmitir golpes: “É construir autoconfiança e saúde.”

 

Riane reconhece que o desenvolvimento dentro do esporte exigiu persistência, especialmente no cenário local. “O estado apresentava desafios específicos, principalmente em relação à infraestrutura, ao preconceito em algumas partes e à falta de eventos homologados oficialmente. No início, foi necessário um trabalho para provar a técnica e criar uma base de alunos”, relata. A continuidade do estudo e o aperfeiçoamento técnico foram decisivos: “Manter a consistência, mesmo diante dos obstáculos, foi fundamental para consolidar meu nome e mostrar que o kickboxing em MS tem nível nacional.”

 

Sua metodologia de ensino se apoia no que ela chama de tripé: técnica, condicionamento e mentalidade. “Priorizar a biomecânica correta evita lesões e maximiza a potência, mas sem esquecer o aspecto motivacional”, afirma. Para Riane, dois fatores definem a evolução de um praticante: constância e humildade. “O aluno que entende que a evolução é gradativa e respeita os fundamentos vai mais longe do que aquele que busca apenas força.”

 

O aumento do interesse pelo kickboxing em Mato Grosso do Sul, segundo a instrutora, acompanha uma mudança de comportamento do público. “As pessoas cansaram da monotonia de treinos convencionais e encontraram no kickboxing uma válvula de escape para o estresse, com alto gasto calórico.” O crescimento também se conecta à maior exposição do esporte. “A visibilidade de campeonatos estaduais, municipais, nacionais e mundiais ajudou a desmistificar, mostrando que é acessível e seguro para todos.”

 

Hoje, o público que chega às suas aulas é variado. Embora haja espaço para atletas e iniciantes, o grupo mais constante é formado por quem busca bem-estar. “A maioria procura qualidade de vida e emagrecimento. Recebo desde profissionais liberais que querem aliviar a tensão do dia até jovens que sonham em competir”, diz. O interesse costuma ir além da primeira intenção: “Muitos entram pela saúde e acabam se interessando pela complexidade técnica, migrando para um perfil mais focado em performance.”

 

Os benefícios, segundo ela, vão além da preparação física. “É uma das modalidades mais completas, trabalhando resistência cardiovascular, explosão, flexibilidade e coordenação”, explica. No campo emocional, os ganhos aparecem cedo: “O foco total no momento presente reduz a ansiedade. Muitos relatam melhora da autoestima, do sono e da capacidade de tomar decisões sob pressão.”

 

Mesmo com a rotina intensa, Riane mantém seus próprios treinos. “Costumo aproveitar os intervalos entre uma aula e outra para treinar e fazer musculação, garantindo minha preparação física e técnica”, afirma. A recuperação também faz parte da rotina: “Uso fisioterapia preventiva, massagem e descanso ativo para manter a longevidade, porque preciso ser o exemplo de saúde que passo para os alunos.”

 

Ela também atua em outras frentes dentro do esporte. “Hoje, além de instrutora, sou árbitra e auxiliar técnica da federação de kickboxing de MS”, destaca. O incentivo do professor Joemerson Leite foi determinante. “Ele, que é presidente da federação, me apoiou muito no começo. Hoje desenvolvo várias funções das quais aprendi muito com ele e com colegas da profissão.”

 

Entre as conquistas pessoais e profissionais, uma das experiências mais relevantes tem sido representar o estado em competições e eventos da modalidade. “Como atleta, tive resultados, mas o mais marcante foi representar o estado em eventos nacionais como árbitra. Quando comecei, o kickboxing não tinha a visibilidade que tem hoje”, afirma.

 

Para os próximos anos, Riane planeja ampliar o alcance do trabalho. “Como instrutora, quero expandir a metodologia, talvez com cursos e workshops.” A carreira competitiva deve seguir em ritmo diferente. “Meu foco é manter a alta performance para servir de referência técnica, direcionando minha competitividade para a formação de novos campeões.”

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