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Ian Benites relata caminhada no kickboxing e projetos para formar novos atletas

da redação - 15 de jan de 2026 às 16:17 56 Views 0 Comentários
Ian Benites relata caminhada no kickboxing e projetos para formar novos atletas Da Redação

Aos 32 anos, o professor de lutas Ian Andrwei Silva Benites vive uma fase de consolidação no esporte após anos de trajetória entre Mato Grosso do Sul e o Rio de Janeiro. Nascido em Ladário em 08 de agosto de 1993 e atualmente morando em Campo Grande, ele resume seu caminho nas artes marciais como um processo construído a partir de referências familiares e descobertas tardias dentro do tatame. A afirmação “viver é lutar”, dita por ele aos alunos, tem origem direta na própria experiência pessoal.

 

Ian lembra que sua relação com as lutas começou ainda na infância, mas distante do kickboxing que se tornaria determinante em sua carreira. Ele recorda que tudo teve início ao assistir, com apenas oito anos, uma fita cassete que seu irmão via repetidas vezes. “Meu primeiro contato com a luta foi através de uma fita cassete que meu irmão mais velho assistia, eventos de vale-tudo e jiu-jitsu. Eu tinha apenas oito anos, porém lembro-me de ver aquilo e ter a certeza do que queria para a vida.”

 

Apesar do interesse precoce, o kickboxing só apareceria de fato em sua rotina uma década depois. “Por volta dos meus dezoito anos, tive meu primeiro contato com o kickboxing. Ali comecei a treinar e pegar amor pelo esporte”, conta. O início, no entanto, não trouxe perspectivas imediatas de competição. Segundo ele, o processo de amadurecimento dentro da modalidade foi longo: “Foi por volta dos vinte e oito anos que tudo aconteceu de verdade, após minha primeira luta a pedido de um aluno. Ali vi que muitas coisas poderiam acontecer.”

 

A carreira competitiva, apesar das conquistas, veio acompanhada de incertezas. Ian afirma que mesmo com vitórias e bons resultados, havia dúvidas sobre o próprio potencial. “Apesar de ver como tudo estava se desenrolando, ainda assim existiam muitas dúvidas sobre onde eu poderia chegar. Eu me via como um ‘cavalo correndo por fora do páreo’, devido ao nível de competição que eu iria enfrentar.” Ele atribui parte da mudança de mentalidade ao apoio dos treinadores Raphael Lubacheski e Luan Dalmaso. “Me deram muito apoio e encorajamento para que eu seguisse acreditando que era possível um título internacional.”

 

A sequência de resultados em torneios regionais e nacionais fortaleceu essa confiança. O título pan-americano veio de forma invicta, ampliando o alcance do seu nome no esporte. Para Ian, foi “a materialização do inacreditável”, como define. Antes disso, ele já havia vencido campeonatos regionais e a Copa Brasil. A conquista internacional consolidou uma fase mais estruturada da carreira.

 

Ao mesmo tempo em que se desenvolvia como competidor, Ian observava que os desafios fora do tatame também eram constantes. Entre eles, a falta de investimento no esporte e o impacto psicológico que atinge quem compete. “O desafio incomum de todo atleta é lidar com a falta de investimento e apoio, e também lidar com os estados mentais de dúvida que um atleta sempre se encontra”, afirma.

 

Hoje, com a experiência acumulada, ele direciona boa parte do tempo ao trabalho como professor e treinador. Essa transição trouxe novos entendimentos sobre a relação com os alunos e sobre a responsabilidade de orientar profissionais em formação. “Influência diretamente em todos os aspectos, principalmente com os atletas profissionais que tenho treinado. O fato de ter estado na posição em que eles se encontram faz com que haja um entendimento maior do cenário como um todo”, diz. Para ele, essa vivência é um dos elementos centrais para os resultados obtidos pelos alunos nos últimos anos.

 

Ian relata que procura mostrar aos seus alunos que a luta pode ser um instrumento de compreensão da própria capacidade. “Procuro mostrar a eles, através do paralelo de que a vida é uma extensão do tatame. O fato de compreenderem a capacidade pessoal para superarem desafios, saberem lidar com os momentos de desconforto e enxergar o quanto são fortes, até mais do que pensam.” Ele reforça ainda a importância de valorizar a oportunidade de se movimentar e treinar. “Entender que você está se exercitando ou se movendo é um presente e um privilégio dado por Deus e pela vida.”

 

Entre as experiências mais significativas como treinador, Ian cita o cinturão conquistado pelo atleta Vinícius Morais no Attack Fight, considerado por ele um momento determinante. “Foi a maior conquista que tive até aqui como treinador, através de uma parceria com o atleta Vinícius Morais, um dos maiores com quem tive o privilégio de trabalhar.”

 

Sobre a evolução do kickboxing em Mato Grosso do Sul, estado onde iniciou sua formação, Ian avalia que o cenário está em desenvolvimento contínuo. “Vejo o kickboxing aqui no estado em uma crescente contínua. O presidente Joemerson, junto à federação, tem feito um trabalho nos últimos anos. Acredito que em breve o kickboxing alcançará a posição de destaque e valorização que merece.”

 

Os próximos passos incluem a expansão da própria escola de lutas e o fortalecimento de uma linha de trabalho voltada ao desenvolvimento técnico e competitivo de novos atletas. “Tenho dado atenção à minha carreira como professor e aos meus projetos como treinador. Já temos encaminhado o projeto de crescimento da minha escola, visando aulas personalizadas para adultos e crianças, e também a viabilização dos nossos atletas de MMA para eventos nacionais e internacionais.”

 

Ian afirma que o objetivo é ampliar a representatividade do grupo. “Acredito que em breve estaremos representando a bandeira do nosso estado, Brasil e mundo afora.”

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