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“Hoje eu aprendi a respeitar o processo”, afirma Caroline Figueiredo após lesão

da Redação - 10 de set de 2026 às 14:49 59 Views 0 Comentrios
“Hoje eu aprendi a respeitar o processo”, afirma Caroline Figueiredo após lesão Da Redação

Se alguém dissesse a Caroline Figueiredo alguns anos atrás que a corrida faria parte de sua vida, a resposta provavelmente seria uma risada. Ela conta que sempre afirmou, com convicção, que nunca iria correr. Na época, convivia com dores fortes no joelho e, após exames, recebeu o diagnóstico de condropatia. A dor chegou a fazê-la mancar e, naquele momento, correr parecia algo distante de sua realidade.

 

A mudança começou por influência de amigas que já praticavam corrida. Elas insistiram para que Caroline experimentasse, mas, inicialmente, ela resistiu. Até que decidiu descobrir como seria.

 

“E foi aí que aconteceu algo que eu jamais imaginaria: eu comecei a me apaixonar pela corrida”, relata.

 

Segundo Caroline, a relação com o esporte começou pela sensação de superação e pelo sentimento após completar os treinos. Com o tempo, porém, ela percebeu que a corrida representava mais do que a atividade física.

 

“Primeiro veio a sensação de superação. Depois, aquela sensação maravilhosa do pós-corrida, de dever cumprido. E, principalmente, vieram as amizades, as conversas, as risadas e os encontros depois dos treinos. Percebi que a corrida era muito mais do que simplesmente colocar um tênis e sair correndo.”

 

A primeira prova aconteceu em 2025, durante a Maratona de Campo Grande. Na ocasião, completar cinco quilômetros já representava um desafio para Caroline.

 

“Minha primeira prova foi a Maratona de Campo Grande, em 2025. E eu fui morrendo de medo de correr 5 quilômetros. Para mim, aquilo já era um grande desafio.”

 

Ela foi, completou a distância e, depois daquele dia, passou a enxergar a corrida de outra maneira. O que começou com medo e resistência se transformou em uma atividade presente na rotina.

 

“Completei os 5 km e, depois daquele dia, alguma coisa mudou. O que começou com medo e resistência se transformou em paixão. E eu não parei mais.”

 

Corrida como parte da rotina

 

Atualmente, Caroline afirma que a corrida não está relacionada apenas a competições ou resultados. Para ela, o esporte também se tornou um espaço de convivência, diversão e cuidado pessoal.

 

“Hoje, a corrida vai muito além de competição ou resultados para mim. Ela é um divisor de águas.”

 

É durante os treinos que ela encontra amigas, conversa, se diverte e consegue se afastar por alguns momentos da rotina. A corrida também passou a fazer parte de sua produção de conteúdo, com fotos e vídeos registrados durante as atividades.

 

“É na corrida que eu encontro minhas amigas, que eu me divirto, que eu consigo desligar um pouco do movimento da minha semana e respirar. É também onde eu crio conteúdo, tiro fotos, gravo vídeos e registro momentos que eu amo guardar.”

 

Caroline explica que gosta tanto da prática esportiva quanto de tudo o que acontece ao redor dela. As amizades construídas e fortalecidas, os encontros e o sentimento de pertencimento passaram a fazer parte de sua relação com a modalidade.

 

“Eu gosto de correr, mas gosto também de tudo que existe ao redor da corrida. Das amizades que nasceram e das que se fortaleceram através dela. Das conversas, dos encontros, das risadas e daquela sensação de pertencimento.”

 

Apesar de participar de provas, Caroline não se considera uma atleta de alto rendimento. Ela define a corrida atualmente como um hobby, uma forma de diversão e também de cuidar de si.

 

“Eu não tenho uma preparação de alto nível e, hoje, enxergo a corrida muito mais como um hobby, uma diversão e uma forma de cuidar de mim do que como uma busca por performance.”

 

Isso, no entanto, não impediu que ela estabelecesse objetivos relacionados a distâncias maiores.

 

O desafio dos 21 quilômetros

 

Em 2025, Caroline se inscreveu para correr os 21 quilômetros da Maratona do Rio. A preparação começou com o objetivo de chegar à distância, mas, durante os treinamentos, ela passou a sentir dores fortes no quadril.

 

“Comecei a treinar pensando em chegar aos 21 km, mas, no meio do caminho, comecei a sentir dores muito fortes no quadril.”

 

A busca por um diagnóstico levou algum tempo. Caroline passou por diferentes avaliações até que o médico Cláudio Baisch identificou uma tendinopatia no glúteo. Com a lesão, foi necessário interromper os treinos.

 

“Foi um período difícil. Demorei para descobrir exatamente o que estava acontecendo, passei por alguns diagnósticos até que o Dr. Cláudio Baisch identificou uma tendinopatia no glúteo. E eu precisei parar.”

 

A pausa significou mais do que deixar de correr. Caroline também precisou interromper os treinos de musculação e concentrar a rotina no tratamento e na recuperação. Entre os procedimentos realizados, ela cita fortalecimento, infiltração com células-tronco, fisioterapia e liberação miofascial.

 

“Parar tudo. Recomeçar do zero. Fazer fortalecimento, infiltração com células-tronco, fisioterapia, liberação miofascial e focar completamente no tratamento.”

 

Antes da interrupção, porém, Caroline havia vivido uma experiência que considera marcante: a prova da OAB. Até então, ela ainda não havia conseguido completar dez quilômetros correndo de forma contínua.

 

“Até aquele momento, eu ainda não tinha conseguido correr 10 quilômetros direto. E naquele dia eu corri.”

 

Além de completar a distância, ela estabeleceu seu recorde pessoal na prova.

 

“Não apenas completei os 10 km, como bati o meu recorde pessoal. Fiz uma velocidade que nunca tinha conseguido fazer antes e superei limites que eu mesma achava que tinha.”

 

A prova ganhou um significado especial porque, pouco tempo depois, veio a lesão que a obrigaria a interromper a corrida.

 

“Por isso, essa prova ficou tão marcada para mim. Ela foi, ao mesmo tempo, uma conquista e uma espécie de despedida temporária da corrida como eu conhecia até então.”

 

A lição sobre respeitar os limites

 

Durante a preparação, Caroline tinha o acompanhamento do coach Tiago Pepe. Ela reconhece que, em algumas situações, não seguia exatamente o que estava previsto nos treinos e acabava fazendo mais do que havia sido orientada.

 

“Eu tinha um coach, o Tiago Pepe, que sempre me acompanhou e, muitas vezes, me dizia: ‘Carol, é bom você obedecer aos treinos’.”

 

Ela admite que nem sempre seguia a recomendação.

 

“E eu confesso: era um pouco rebelde. Muitas vezes fazia mais do que ele mandava.”

 

A lesão fez com que essa relação com os limites do corpo fosse repensada.

 

“Até que a conta chegou.”

 

A partir da experiência, Caroline passou a enxergar o respeito ao planejamento e aos limites físicos como parte fundamental da prática esportiva.

 

“Hoje eu entendo que correr também é saber respeitar os limites do corpo. Não adianta querer acelerar o processo, aumentar distância ou fazer mais do que está preparado para fazer. O corpo cobra.”

 

A experiência também mudou a forma como ela orientaria alguém que está começando a correr. Para Caroline, o início deve ser acompanhado por profissionais e acompanhado de fortalecimento, além de atenção aos sinais apresentados pelo corpo.

 

“Se alguma coisa estiver doendo, procure entender o que está acontecendo. Não espere piorar para só então procurar ajuda.”

 

Ela afirma que ignorar os sinais pode levar a um período de afastamento ainda maior.

 

“Porque, quando a gente deixa agravar, pode chegar ao ponto de precisar parar tudo e começar do zero, assim como aconteceu comigo.”

 

Crescimento da corrida

 

Caroline também acompanha o crescimento da corrida de rua em Mato Grosso do Sul e no Brasil. Para ela, o aumento no número de praticantes também tem contribuído para elevar o nível das competições.

 

“Ao mesmo tempo, é muito bonito acompanhar o crescimento da corrida no Mato Grosso do Sul e no Brasil. O esporte está crescendo muito e o nível dos atletas está cada vez mais alto.”

 

Ela destaca ainda a presença de atletas amadores que conseguem alcançar resultados expressivos.

 

“Hoje vemos pessoas comuns, atletas amadores, alcançando performances impressionantes e, muitas vezes, correndo em um nível que parece profissional.”

 

Na avaliação de Caroline, um dos pontos que fazem a modalidade crescer é a capacidade de aproximar pessoas com diferentes histórias e objetivos.

 

“Porque a corrida está fazendo com que cada vez mais pessoas se encontrem. Se encontrem no esporte, nas amizades, nos desafios e, principalmente, dentro delas mesmas.”

 

Para ela, não existe apenas uma maneira de vivenciar a corrida. Cada praticante estabelece seus próprios limites e motivos para estar no esporte.

 

“Cada pessoa tem o seu limite, a sua história e o seu motivo para correr. E talvez seja justamente isso que torne a corrida tão especial.”

 

Um passo de cada vez

 

Depois do período de tratamento, o objetivo de Caroline é voltar a correr sem dor. Entre as metas está novamente completar dez quilômetros e, se possível, superar o recorde pessoal conquistado na prova da OAB.

 

“Hoje, as minhas principais metas para os próximos meses são simples, mas muito importantes para mim: voltar a correr 10 quilômetros sem sentir dor e, quem sabe, buscar novamente o meu RP da prova da OAB.”

 

Ela não estabelece uma data específica para alcançar o objetivo. A experiência com a lesão fez com que o processo de recuperação passasse a ser tão importante quanto o resultado.

 

“Eu não sei exatamente quando isso vai acontecer. Mas hoje eu aprendi a respeitar o processo.”

 

Caroline resume a fase atual com uma reflexão sobre o que a corrida representa para ela depois de ter precisado interromper a atividade.

 

“Porque se tem uma coisa que a corrida me ensinou é que nem sempre o caminho mais rápido é o melhor caminho.”

 

Para ela, o retorno não precisa acontecer de uma vez. O importante é reconstruir a preparação respeitando o próprio corpo.

 

“Às vezes, é preciso parar. Às vezes, é preciso recomeçar. E, às vezes, o maior desafio não é correr mais longe ou mais rápido. É simplesmente voltar.”

 

Agora, o objetivo é justamente esse: retornar à corrida de forma gradual e sem ignorar os limites aprendidos durante o período de recuperação.

 

“E é isso que eu estou fazendo: começando de novo, um passo de cada vez.”

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