Da Redação
“O esporte me salvou de várias crises de ansiedade”. A frase resume o ponto de partida da relação de Sara Beatriz com o futevôlei em Mato Grosso do Sul. A modalidade, que entrou na vida da atleta por meio de uma colega de trabalho, passou a ocupar um espaço que ultrapassa o lazer e se conecta diretamente com saúde mental, convivência e perspectiva esportiva.
Segundo Sara, o primeiro contato com o futevôlei aconteceu de forma despretensiosa. “O futevôlei surgiu na minha vida através de uma amiga do serviço”, afirma. Com o tempo, o envolvimento ganhou outro significado. “O esporte me salvou de várias crises de ansiedade que tive durante um determinado período da minha vida”, completa.
A relação com a modalidade evoluiu conforme o crescimento do futevôlei feminino no estado. Sara relata que a mudança de percepção aconteceu quando passou a enxergar possibilidades competitivas. “O futevôlei feminino começou a expandir e percebi que, se me dedicasse, poderia alcançar o lugar mais alto dos pódios”, diz.
Mesmo sem uma rotina formal de treinos atualmente, a atleta mantém frequência nas quadras por meio de jogos. “Atualmente não estou treinando. Mantenho uma sequência de jogos com as meninas”, explica. Nesse cenário, ela aponta um dos principais obstáculos enfrentados por quem não segue um cronograma estruturado. “A maior dificuldade é tirar os vícios que são criados quando não se está com o treino em dia.”
Dentro das quadras, o futevôlei é associado a exigência física e mental. Fora delas, assume outro papel. “Representa desafios físicos e mentais. Fora da quadra, felicidade, resenha e convivência”, resume.
Entre os momentos mais marcantes da trajetória, Sara relembra o início em competições. “Meu primeiro torneio feminino eu perdi de 2 a 18, porque a outra dupla errou o saque”, conta. A experiência, no entanto, teve desdobramentos importantes. “Hoje, com as mesmas meninas que ganharam, que me influenciaram e apoiaram, consigo jogar torneios e subir ao pódio junto com elas.”
A presença feminina no futevôlei ainda apresenta desafios. Sara relata dificuldades especialmente na formação de duplas femininas. “Sempre foi muito difícil ter jogos femininos em que você não precisava ficar insistindo para que aconteça um campeonato ou até mesmo peladas”, afirma.
Apesar disso, ela avalia que o cenário no estado está em expansão. “O esporte está crescendo muito dentro do estado, com grandes atletas representando muito bem, se desafiando e se dedicando para estar entre os melhores”, diz.
Entre as referências, Sara cita nomes que acompanham sua trajetória no esporte. “Tem o Gilson, que é de Campo Grande mesmo, um mestre nos ensinamentos, e a Natália Guitler, de quem sou uma grande fã”, afirma.
Ao falar com outras mulheres interessadas em iniciar na modalidade, ela destaca a importância da prática desde o início em ambientes competitivos. “Comecem sem medo. Se arrisquem em torneios desde o início para trabalhar a mente e pegar ritmo de jogo”, orienta. Para ela, o futevôlei oferece desafios constantes. “O futevôlei é perfeito, consegue te desafiar muito.”