Da Redação
“Foi emoção à primeira vista.” É assim que Ana Paula de Araújo Prudente resume o início da sua relação com a corrida de rua. Nascida em 19 de abril de 1992, em Itaquiraí (MS), ela começou a correr no fim de 2016, em um momento que tinha outro objetivo: a preparação para o Teste de Aptidão Física (TAF) de um concurso para a polícia.
Na época, contou com o apoio do então amigo, Giovanni, que a auxiliava nos treinos e acabou se tornando seu marido. “Eu estudava para o concurso da polícia e ele me ajudava na preparação para o TAF. Foi emoção à primeira vista”, relembra. O que começou como parte de uma preparação específica se transformou em hábito e, posteriormente, em projeto esportivo.
Durante alguns anos, Ana Paula manteve a corrida e a caminhada na rotina, mas sem direcionamento técnico. Foi há cerca de dois anos que decidiu buscar acompanhamento profissional. “Sempre corri e caminhei ao longo desses anos, mas há cerca de dois anos resolvi procurar uma assessoria esportiva para evoluir de verdade. Foi nesse momento que passei a enxergar a corrida com mais seriedade e propósito”, afirma.
A decisão de treinar com orientação marcou uma nova fase. A partir daí, a prática deixou de ser apenas atividade física e passou a ter metas definidas. Segundo ela, o início foi marcado por desafios que iam além do desempenho nas provas. “Sem dúvida, a ansiedade por querer evoluir rápido foi uma das maiores dificuldades”, relata.
Conciliar as diferentes áreas da vida também exigiu organização. “Conciliar maternidade, casamento, trabalho e vida social também foi um grande desafio. Com a ajuda do meu marido, Giovanni, consigo organizar meus treinos. Meus sogros, Nadir e Arnaldo, também são uma base importante quando preciso viajar para participar de provas. Minha rede de apoio é essencial nessa jornada”, destaca.
Um dos marcos na trajetória aconteceu em 16 de junho de 2024, quando participou da primeira prova oficial de 5 quilômetros. “Minha primeira corrida de 5 km, no dia 16/06/2024. Ali entendi que a corrida era realmente para mim e que eu queria ir além”, afirma. A experiência consolidou a decisão de investir na evolução dentro do esporte.
Atualmente, Ana Paula vive um ciclo de preparação para a maratona. A rotina envolve quatro treinos de corrida por semana, três sessões de musculação e acompanhamento nutricional. “Atualmente estou em ciclo de maratona. Corro quatro vezes por semana, faço musculação três vezes e tenho acompanhamento nutricional”, explica.
No aspecto mental, ela adota uma postura de confiança e escuta ao próprio corpo. “Procuro ouvir meu corpo, confiar nos profissionais que me acompanham e fortalecer minha fé em Deus, acreditando que tudo dará certo”, diz.
Morando em Dourados, ela aponta que a estrutura para corredores no Mato Grosso do Sul ainda é limitada. “Principalmente a falta de locais seguros, limpos e adequados para treinos. Em Dourados, por exemplo, ainda não temos uma pista apropriada para treinos de tiro. O número de corredores cresceu muito nos últimos anos, mas a estrutura não acompanhou”, relata. Além da infraestrutura, a convivência no trânsito também é um obstáculo. “Enfrentamos motoristas desatentos e, muitas vezes, sem respeito pelos atletas.”
A prática esportiva, segundo ela, trouxe impactos diretos na vida pessoal e profissional. “A corrida me transformou. Hoje sou mais corajosa e confiante.” Vendedora, Ana Paula afirma que aplica no trabalho os aprendizados das provas e treinos. “Levo para o meu trabalho tudo que aprendo na corrida: persistência, disciplina e confiança.”
Ela também relaciona o esporte à vida familiar. “A corrida também soma muito no meu casamento e na minha maternidade, tornando-me uma pessoa mais equilibrada e presente.”
Entre as referências, Ana Paula cita a fé e a família como pilares. “Deus, por ser tão generoso comigo. Minha família, que me inspira e motiva diariamente. Meus amigos, dentro e fora da corrida, e toda a equipe que me acompanha.” No ambiente esportivo, menciona o treinador Caio Pompeu e a preparadora física Elaine Signorini como inspirações.
Para quem deseja começar, o conselho é direto: “Apenas comece. A corrida é democrática e acolhe todos. Você só precisa estar disposto a se desafiar e dar o primeiro passo.”
Os próximos meses serão dedicados a metas específicas. A principal delas é a Maratona de Porto Alegre, marcada para 31 de maio. Como objetivos secundários, pretende melhorar o tempo na Meia Maratona do Fogo, em Dourados, e encerrar o ano correndo 21 quilômetros em Bonito. “Minha prova A é a Maratona de Porto Alegre, no dia 31/05. Como prova B, quero melhorar meu tempo na Meia Maratona do Fogo, em Dourados, e finalizar o ano correndo 21 km em Bonito, que será minha estreia lá”, projeta.
Mais do que resultados, ela define o maior objetivo de forma simples: “Meu maior sonho é ter a dádiva de continuar correndo sempre.”