Da Redação
O primeiro contato de Deyse Faustino com o vôlei aconteceu ainda no ambiente escolar. “O vôlei entrou na minha vida na escola, era um jeito divertido de se exercitar e fazer amigos”, relembra. O que começou como uma atividade recreativa logo ganhou novos contornos quando surgiram as competições e os primeiros resultados. “Quando comecei a competir e ganhar alguns torneios, percebi que era mais do que um hobby”, afirma.
A partir desse momento, o esporte passou a ocupar um espaço central em sua rotina. O envolvimento com o vôlei exigiu disciplina, organização de tempo e adaptação a uma carga de treinos cada vez mais intensa. Para dar conta das exigências físicas da modalidade, Deyse incorporou a musculação como parte fundamental da preparação. “A musculação é fundamental. Ela me ajuda a ganhar força, velocidade e resistência, o que é essencial para o vôlei. É um treino pesado, mas vale a pena”, explica.
Conciliar diferentes frentes sempre foi um desafio. Estudos, treinos e recuperação física precisaram caminhar juntos, nem sempre de forma simples. “Os principais desafios foram conciliar os treinos com os estudos e lidar com lesões”, relata. Segundo ela, o apoio familiar teve papel decisivo para atravessar esses momentos. “Sempre busquei apoio da minha família”, completa.
Entre as lembranças mais marcantes da carreira esportiva, um título estadual ocupa lugar especial. “Um momento marcante foi quando ganhei meu primeiro título estadual. Foi incrível e me deu mais confiança para seguir em frente”, conta. A conquista não apenas simbolizou um reconhecimento esportivo, mas também reforçou a decisão de seguir investindo no vôlei de forma contínua.
A rotina atual é descrita como intensa e exige atenção a detalhes que vão além da quadra. “Minha rotina é intensa: treinos de vôlei e musculação quase todos os dias. Não pode faltar uma boa alimentação e descanso”, afirma. Para Deyse, o rendimento esportivo está diretamente ligado ao equilíbrio entre treino, recuperação e cuidados básicos com o corpo.
Além da preparação física, a atleta destaca a importância do aspecto mental. “Lidar com a pressão é complicado, mas a gente se acostuma. O importante é focar no processo e não no resultado”, diz. Ela também ressalta a necessidade de atenção à saúde emocional. “Cuidar da saúde mental também é fundamental”, acrescenta.
Ao olhar para o cenário local, Deyse avalia que o vôlei feminino em Mato Grosso do Sul vive um momento de crescimento, mas ainda enfrenta limitações estruturais. “O vôlei feminino em MS está crescendo, mas precisa de mais apoio e visibilidade”, analisa. Para ela, o fortalecimento das categorias de base e o incentivo contínuo às atletas são pontos essenciais para o desenvolvimento da modalidade no estado.
O incentivo mais próximo vem de casa. “Minha família me incentiva muito, principalmente meu marido e meu filho”, conta. O envolvimento do filho com as conquistas da mãe se tornou parte da rotina familiar. “Ele vibra com cada medalha e troféu que eu ganho. Ele até leva para a escola para mostrar para os amigos”, relata, ao comentar a relação entre esporte, exemplo e convivência familiar.
Atualmente, o vôlei deixou de ser apenas lazer e passou a ocupar também o campo profissional. “Hoje o vôlei, além de ser meu lazer, também é meu trabalho. Sou treinadora de vôlei adulto”, explica. Os objetivos, portanto, vão além das quadras como atleta. “Quero melhorar meu desempenho no vôlei, ganhar mais títulos e ser uma inspiração para minhas alunas”, afirma. Na musculação, a meta é clara: “Quero aumentar minha força e resistência”.
Ao falar com meninas e jovens atletas que sonham em seguir no esporte, Deyse adota um discurso direto, baseado na própria experiência. “Não desistam dos seus sonhos. O caminho é difícil, mas com dedicação e perseverança, vocês podem alcançar tudo o que querem”, diz. E conclui com um princípio que acompanha sua trajetória desde o início: “Se divirtam, porque esse é o principal”.