Da Redação
“Meu maior desafio foi vencer minha própria mente”. A frase resume uma das principais batalhas enfrentadas por Ana Laura Pontin Pereira, atleta de jiu-jitsu que construiu boa parte de sua trajetória esportiva em Mato Grosso do Sul e hoje segue conciliando os treinos com a rotina de estudos em Araçatuba (SP).
Nascida em 24 de abril de 2008, em Araçatuba, Ana Laura mudou-se para Ivinhema (MS) aos quatro anos de idade. Foi na cidade sul-mato-grossense que viveu grande parte da infância e adolescência, desenvolveu sua ligação com o esporte e conquistou a faixa-roxa aos 17 anos.
O primeiro contato com o jiu-jitsu aconteceu de forma simples, motivado pela curiosidade. Próximo de sua casa havia uma academia, e a movimentação diária dos praticantes chamou sua atenção.
“Conheci o jiu-jitsu porque havia uma academia perto da minha casa. Eu passava todos os dias em frente a ela e sempre via o pessoal treinando. Aquilo despertava muita curiosidade e vontade de participar, mas eu era muito tímida e nunca tive coragem de entrar sozinha.”
A oportunidade surgiu quando sua tia a levou para conhecer o local. A recepção encontrada foi determinante para que ela permanecesse no esporte.
“Um dia, minha tia me levou até a academia para conhecer e eu adorei. Fui muito bem recebida. Todos foram extremamente simpáticos e me ajudaram desde o começo.”
Ana Laura iniciou os treinamentos aos 12 anos. Segundo ela, a adaptação aconteceu de forma rápida, impulsionada pelo ambiente da academia e pelas amizades construídas ao longo do processo.
“Comecei a treinar aos 12 anos. No início foi tudo muito novo, mas me adaptei rapidamente porque sempre gostei do ambiente e das amizades que construí dentro da academia. Cada treino me motivava a continuar aprendendo e evoluindo.”
Ao longo dos anos, acumulou experiência em competições estaduais, regionais e nacionais. Entre os eventos que disputou estão etapas do circuito da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e o Campeonato Brasileiro.
Embora ainda busque resultados de maior expressão em competições nacionais, ela valoriza o caminho percorrido até aqui.
“Já participei de competições importantes, como Open da CBJJ e também do Campeonato Brasileiro. Embora ainda não tenha conquistado medalha de grande porte, tenho cerca de 32 medalhas conquistadas em competições estaduais e regionais, o que representa muito para mim e mostra toda a dedicação que venho tendo ao longo dos anos.”
Atualmente, a atleta vive novamente em Araçatuba, para dar sequência aos estudos. A mudança de cidade trouxe novos desafios, principalmente na organização da rotina. Entre escola, preparação física, cursinho e treinos, os dias são preenchidos por uma agenda rigorosa.
“Estudo das 7h ao meio-dia. Depois vou para a academia de musculação das 13h às 15h. Às 15h40 sigo para o cursinho preparatório para vestibular, onde fico até as 19h. À noite treino jiu-jitsu das 20h às 22h.”
Para ela, o equilíbrio entre esporte e educação depende de planejamento e disciplina.
“Conciliar estudos e esporte exige muita organização e disciplina, mas consigo administrar porque sei da importância de ambos para o meu futuro.”
Apesar dos desafios físicos e da exigência das competições, Ana Laura afirma que a principal barreira enfrentada não estava nas adversárias, mas em si mesma.
“Meu maior desafio foi vencer minha própria mente. Eu sempre fui uma pessoa com pouca confiança em mim mesma, e isso acabava me prejudicando nas competições.”
Ela conta que uma rival em especial teve papel importante em seu processo de amadurecimento esportivo.
“Havia uma atleta que me venceu diversas vezes. Em vez de desistir, usei isso como motivação para treinar ainda mais, evoluir e buscar minha melhor versão dentro dos tatames.”
A construção da confiança também passou pela influência dos treinadores que acompanharam sua formação. Em Ivinhema, ela treinou com os professores Anderson Figueira e Mestre Cabelo, da School Fights. Já em Araçatuba, passou a integrar a equipe Checkmat, sob orientação dos professores Luís e Gabas.
“Minhas maiores inspirações são meus professores, que têm um papel muito importante na minha formação como atleta e como pessoa.”
Segundo Ana Laura, os ensinamentos recebidos nos tatames ultrapassaram os limites do esporte.
“O jiu-jitsu transformou minha vida. Eu era uma pessoa muito tímida e, com o passar dos anos, me tornei mais comunicativa e confiante.”
Ela destaca ainda outros aprendizados adquiridos durante a prática da modalidade.
“O esporte me trouxe paz, disciplina, autocontrole e ensinou que a evolução acontece com dedicação diária.”
Nas competições, a preparação emocional é tratada com a mesma importância que os treinamentos técnicos e físicos. A atleta acredita que a confiança construída durante a preparação é um fator decisivo nos resultados.
“Aprendi que a confiança faz toda a diferença. Quando entro no tatame, procuro acreditar no meu treinamento e em tudo o que construí durante a preparação.”
Para ela, competir exige convicção no trabalho realizado.
“Não se trata de arrogância, mas de confiar no trabalho realizado. Se você entra pensando que vai perder, as chances de isso acontecer aumentam. Por isso, procuro competir sempre com confiança, foco e determinação.”
Além da carreira esportiva, Ana Laura também busca incentivar a participação de meninas e crianças nos esportes de combate. Durante o período em que viveu em Ivinhema, teve experiências como professora e participou de atividades voltadas ao público feminino.
“Acredito que os esportes de combate são extremamente importantes, principalmente para crianças e mulheres. Além dos benefícios físicos, eles desenvolvem disciplina, autoestima, autoconfiança e podem até ensinar noções de defesa pessoal.”
Ela relembra que as experiências fora das competições contribuíram para ampliar sua visão sobre o papel social do esporte.
“Em Ivinhema, tive a oportunidade de dar aulas para crianças e participar de eventos femininos e seminários de defesa pessoal. Essas experiências reforçaram ainda mais minha vontade de incentivar outras pessoas a praticarem o esporte.”
O futuro, segundo a atleta, passa pela continuidade da evolução nos tatames. Entre metas esportivas e projetos pessoais, ela mantém um objetivo de longo prazo: criar um espaço próprio para ensinar a modalidade.
“Meu objetivo é continuar evoluindo, conquistar títulos cada vez maiores e seguir construindo minha trajetória dentro do esporte.”
E completa:
“Um dos meus maiores sonhos é ter minha própria academia, onde eu possa ensinar jiu-jitsu, especialmente para crianças e mulheres, contribuindo para a formação de novos atletas e ajudando a transformar vidas por meio do esporte.”