Da Redação
Foi entre incertezas, vontade e desafios que a jornalista Rosália Silva deu os primeiros passos dentro do projeto que viria a se tornar um dos veículos de maior relevância para o esporte regional: o Esporte Ágil. Em 2004, quando o jornalismo digital ainda engatinhava e a internet mal era popularizada em todos os lares, ela aceitou o convite para fazer parte de algo novo, ousado e com uma missão clara — valorizar todas as modalidades esportivas de Mato Grosso do Sul.
“Eu comecei. Aceitei o desafio de entrar na seara dos esportes. Eu sou fora de campo, só que também nunca corri dos desafios”, relembra Rosália, ao contar como surgiu sua ligação com o site. Naquele momento, a estrutura era mínima, mas a ambição era grande. “Iniciamos o projeto tendo um computador para a edição das matérias. O fotógrafo (Roberto e outros posteriormente) se deslocando para as principais atividades; quem fotografava distribuía o cartão com o endereço eletrônico de acesso para as pessoas e atletas se verem no Esporte Ágil”, descreve.
Ao lado de um pequeno grupo comprometido, Rosália ajudou a construir uma proposta inovadora: um veículo digital dedicado não apenas ao futebol, mas às lutas, ao ciclismo, ao automobilismo, à base, aos eventos de bairro. “O desafio do pessoal da publicidade [era] em desenvolver o site e fazer vender a ideia, conseguir mais adeptos, ter público, ter patrocinadores”, explica.
Mais do que um trabalho, o Esporte Ágil tornou-se um projeto de vida. “Era um sonho sendo colocado na prática, de ter um espaço mais adequado nas redes, naquele momento ainda mais inicial desse processo de jornalismo digital, em dar destaque a tanta modalidade, pois não ficaria restrito ao futebol de campo”, afirma. “Tanto que cobrimos muito esporte diferente, estivemos junto a um número enorme de pessoas diante do que era possível fazer. No começo não tinha muito recurso financeiro. Tinha a vontade de fazer.”
Para Rosália, uma das experiências mais marcantes foi a oportunidade de cobrir eventos e modalidades completamente diferentes entre si. “Lembro de ter feito coberturas de tanta área, conversado com tanta gente. E falado até de esportes bem diferentes, como o Arrancadão. Lutas e outros torneios que ocorriam na cidade, e o que chegava ao nosso conhecimento de informações do interior.” Outro marco foi o início das entrevistas com personalidades do esporte sul-mato-grossense, como dirigentes e secretários. “As entrevistas eram gravadas num gravador e depois eu ia decupando as respostas. Lembro que um dia gravei em dois gravadores diferentes, só para ter certeza que não estava perdendo as falas do entrevistado”, revela, mostrando o cuidado com cada conteúdo produzido.
Mesmo diante de tantas dificuldades, Rosália não pensou em desistir. Pelo contrário: mergulhou de vez. “Foi uma época que comecei a compreender melhor o esporte, as dificuldades que se enfrentava na valorização do que acontecia regionalmente, e da importância em ter um meio de comunicação que desse esse destaque aos vários acontecimentos.” O site tornou-se também uma ponte direta com organizadores de eventos. “Era também uma ponte de divulgação para quem era da área, porque recebíamos muitas sugestões de promotores dos eventos esportivos.”
O desafio não era apenas técnico ou financeiro. Era também pessoal. Rosália conciliava o trabalho no site com a maternidade e outros compromissos. “Há 21 anos, meu filho tinha dois anos. Então, era mesmo muito desafiador em vários sentidos. Por outro lado, eu sempre digo que o jornalismo traz um ganho pessoal enorme, porque nem um dia é tão igual ao outro, sempre tem novidade. E trabalhar com esporte também era isso, aprendizado constante.”
Uma lembrança que guarda até hoje foi a cobertura de uma competição automobilística. “Eu lembro de um evento grande, de automobilismo, numa das competições maiores que iam ocorrer no autódromo. Como não fiz o dever de casa, de entender como funcionava aquela competição, eu fui entrevistar dois pilotos e não sabia como perguntar detalhes. Chega até ser engraçado depois que passa. É muito nicho de assunto, e se fosse hoje as mídias sociais estariam mais disponíveis para eu tirar dúvidas antes de perguntar qualquer coisa.”
O impacto do Esporte Ágil para o cenário regional, segundo Rosália, foi significativo. “Ser o pontapé inicial de um setor de cobertura que não era muito valorizado. Brigou muito e defendeu bem todos os craques do esporte local, desde os atletas em si e treinadores, até os bastidores, de todos que se esforçavam por realizar eventos esportivos”, resume. “O Esporte Ágil conseguiu estar onde muitos veículos não chegavam e não divulgavam na época. Foi pioneiro em dar visibilidade ao trabalho desenvolvido por muita gente.”
Ela destaca que, mesmo longe fisicamente de Mato Grosso do Sul — atualmente vivendo em outra região do país — ainda acredita que a imprensa local evoluiu, mas ressalta que há espaço para crescimento. “Acredito que tenha mais atuação das mídias hoje em dia. Só que sempre haverá espaço para mais divulgação. Até mesmo porque atualmente é muito diferente o que (e como) o público consome de mídias. Falo em relação ao que foi duas décadas atrás.”
Ao falar das figuras que mais a impressionaram nesse período, Rosália se recorda das coberturas na Escolinha Pelezinho e da entrevista com seu fundador, Júlio César de Souza. “Fui até procurar as entrevistas, puxa, entrevistei muita personalidade!”
Quando questionada sobre o que significou, em sua vida, ter feito parte dessa trajetória, ela responde com afeto e pertencimento. “Tive muito aprendizado neste período com certeza. Fui olhar no Currículo Lattes e está escrito de 2004 até atualmente (risos!). Acho que estou um pouco ainda no Esporte Ágil, ou ele está em mim, mesmo que só na memória.” Mesmo quando morou em Brasília, Rosália seguiu colaborando com o site. “Eu continuei sendo parte do Esporte Ágil a distância. Eu ajudei o site e o site me ajudou. Foi uma boa parceria! Até porque por alguns períodos eu fui sócia. Tinha muito interesse que a ideia vingasse e conquistasse mesmo o mundo.”
Para quem hoje enfrenta os mesmos desafios que ela enfrentou há 20 anos, a jornalista deixa uma mensagem: “Pelos diversos motivos que te fazem estar neste segmento do jornalismo (ou para quem é de outras áreas), eu acho que sempre vale a pena. A minha motivação era a experiência, a amizade, os ganhos que tinha de tudo isso. Então, o que te motiva hoje e te faz continuar, é isso que vale! É seguir! É seu sucesso e de tudo que divulga junto. Enfim, a pauta é boa, só correr pro abraço!”
Nossa história - Ao longo desses 21 anos, o Esporte Ágil não foi apenas um veículo de notícias: foi escola, trincheira, ponto de partida e, muitas vezes, abrigo para quem acreditava que o esporte sul-mato-grossense merecia mais do que notas de rodapé. Cada jornalista que passou por aqui deixou sua marca, ajudando a construir uma história feita de compromisso com o que é nosso.
Esta série de reportagens é uma homenagem a todos que escreveram nas madrugadas e acreditaram que cada atleta, técnico ou projeto local tinha uma história que merecia ser contada.