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Entre treinos solitários e faculdade, Carlito segue em busca do futebol profissional

da redação - 29 de abr de 2026 às 14:47 64 Views 0 Comentários
Entre treinos solitários e faculdade, Carlito segue em busca do futebol profissional Da Redação

“Um dia vamos voltar aqui, mas para eu jogar.” A frase dita por Carlos Manoel de Oliveira Zarate, o Carlito, resume o momento vivido pelo jovem atleta de Aquidauana, município do interior de Mato Grosso do Sul. Entre treinos, estudos e a busca por oportunidades, ele mantém o objetivo de se tornar jogador profissional e construir uma trajetória no futebol.

 

A ligação com o esporte começou cedo, ainda na infância, dentro da própria família. Carlito conta que o futebol esteve presente desde os primeiros anos de vida, principalmente pela influência do avô e do pai.

 

“Minha relação com o futebol começou desde os 4 anos, quando eu ia ver meu vô dar treino na escolinha JOTAR que ele tinha aqui em Aquidauana. Ao passar do tempo, fui vendo meu pai jogar”, relata.

 

Depois dos primeiros contatos com a bola, ele iniciou a prática escolar e passou a disputar competições de base. O caminho incluiu passagens por equipes e projetos locais, onde foi acumulando experiência.

 

“Comecei a jogar na escola Instituto Educacional Falcão e depois fui para o Seduc, onde atuei em campeonatos estaduais e fora do Estado, do sub-15 ao sub-17. Também passei pelo Aquidauanense sub-17 e tive a oportunidade de treinar com o sub-20”, afirma.

 

Representar Mato Grosso do Sul é algo que ele trata como responsabilidade. Ao falar sobre o Estado, Carlito menciona identidade cultural e também a percepção de falta de valorização do esporte regional.

 

“Para mim tem uma importância muito grande levar Mato Grosso do Sul e a nossa cultura por onde eu for. Levo nosso tereré, embora o pessoal tenha uma discriminação com nosso Estado por não apoiar muito o futebol e outros esportes em geral”, diz.

 

Atualmente, o atleta vive em Aquidauana, onde concilia a graduação em Educação Física com uma rotina independente de preparação física e técnica. Sem estrutura fixa, ele segue treinando durante a semana enquanto aguarda novas oportunidades.

 

“Atualmente estou em Aquidauana, cursando Educação Física e treinando sozinho durante a semana em busca de realizar meus sonhos”, conta.

 

Ao longo do processo, um dos principais obstáculos enfrentados não esteve dentro de campo. Para Carlito, a distância da família foi uma das experiências mais difíceis no período em que precisou sair em busca de chances no esporte.

 

“Os principais desafios que enfrentei foram a saudade de casa e da minha família”, resume.

 

Sobre suas características como jogador, ele destaca fundamentos técnicos e capacidade de marcação, qualidades apontadas por pessoas com quem conviveu no futebol.

 

“As pessoas que vêm jogar comigo me descrevem como um jogador que tem bons fundamentos, boa marcação, técnico e com marcação muito forte”, explica.

 

Entre os agradecimentos, Carlito cita a base familiar como elemento central da caminhada. Também faz referência a um treinador que considera importante em sua formação esportiva.

 

“Primeiramente agradeço a Deus e, em segundo, aos meus pais. Eles são meus melhores amigos e treinadores. Agradecimento especial ao treinador do Seduc, Nego, que foi quem insistiu em mim quando cheguei no Seduc. Me ensinou muita coisa e com certeza me ajudou a chegar aonde cheguei”, afirma.

 

Um dos episódios mais marcantes de sua trajetória aconteceu em Minas Gerais, quando teve contato pela primeira vez com a estrutura de um grande estádio. A visita à Arena MRV, casa do Atlético Mineiro, se transformou em combustível para seguir tentando.

 

“Quando fui para Minas Gerais ficar em um time lá, tive a oportunidade de visitar um estádio pela primeira vez, a Arena MRV, do Galo. Quando estava fazendo o tour, passou um filme na cabeça. Até disse: mãe, um dia vamos voltar aqui, mas é para eu jogar”, relembra.

 

Ao analisar o cenário estadual, Carlito relaciona a dificuldade de crescimento à ausência de investimentos e oportunidades para jovens atletas.

 

“Infelizmente, nosso Estado hoje é a última federação no ranking da CBF, o que demonstra a falta de investimento e oportunidade aos talentos do nosso Estado, seja no futebol ou em qualquer outro esporte”, opina.

 

Mesmo diante das barreiras, ele mantém metas claras. O plano imediato é alcançar o profissionalismo. Em perspectiva mais distante, sonha vestir a camisa da Seleção Brasileira.

 

“Primeiramente é me tornar um jogador profissional e, se Deus quiser, um dia chegar à Seleção”, projeta.

 

Para outros jovens que vivem realidade parecida, Carlito deixa uma mensagem direta, baseada na própria experiência de persistência.

 

“A mensagem que eu deixaria é não desistir, lutar pelos sonhos sem deixar que ninguém te atrapalhe de chegar neles.”

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