Da Redação
“Foi pura superação.” A frase resume um dos momentos mais marcantes da trajetória de Agatha Dalbello no futevôlei. Bicampeã estadual em Mato Grosso do Sul, a atleta construiu seu caminho recente na modalidade a partir de uma mudança de rotina durante a pandemia e, desde então, passou a conciliar treinos intensos, competições e a maternidade.
O futevôlei, que antes fazia parte apenas de momentos pontuais, ganhou espaço definitivo em 2020. “O futevôlei entrou de verdade na minha vida em 2020, na pandemia, pois meus pais já praticavam e eu apenas brincava de altinha ou fazia um treino ou outro esporadicamente. Porém, na pandemia, a convite dos meus pais e de um amigo, comecei a jogar mais, já que tinham parado as competições de vôlei de praia”, contou.
A adaptação rápida ao novo cenário trouxe resultados em pouco tempo. Após iniciar as disputas no estado, Agatha decidiu testar seu nível em competições fora de Mato Grosso do Sul. “Depois de poucos meses competindo no estado, me arrisquei a competir um torneio fora e me consagrei campeã. Ali vi que tinha chances e capacidade de competir em nível nacional”, afirmou. Desde então, ela acumula participações consistentes. “Hoje já subi em quatro pódios em quatro torneios nacionais, com grandes nomes e ao lado de grandes atletas.”
Os títulos estaduais vieram como consequência de uma rotina voltada exclusivamente ao esporte. “Ser bicampeã estadual representa muito treino, dedicação e vontade de vencer. Meta concluída com sucesso”, resumiu. Para alcançar esse nível, a atleta destaca o comprometimento exigido no dia a dia. “Os maiores desafios foram me dedicar por meses apenas ao futevôlei, com treinos pesados, fisioterapia e uma agenda dedicada apenas à vida de atleta.”
Atualmente, a preparação segue focada no retorno a competições nacionais. “Hoje faço treinos na areia e academia, visando minha volta a competições nacionais”, explicou. A atleta também destaca aspectos técnicos que considera fundamentais para evolução no esporte. “Todos os fundamentos são importantes, mas, de início, eu arrisco dizer que, para mulher, é o fundamento de ombro e, para o homem, o de peito.”
Apesar de atuar no futevôlei, a principal referência de Agatha vem de outra modalidade. “Quem me inspira de verdade não é atleta de futevôlei, mas sim do vôlei de praia, a vice-campeã olímpica Ágatha”, disse, ao citar a jogadora como exemplo de desempenho e trajetória.
O crescimento do futevôlei feminino em Mato Grosso do Sul também é observado pela atleta. “Hoje o feminino no estado está em uma crescente. Recentemente contamos com um evento que reuniu mais de 96 mulheres praticando esse esporte, nas categorias feminino A e feminino B”, relatou.
Entre as experiências vividas, dois momentos são destacados como referências na carreira. O primeiro foi a conquista de um dos principais torneios da modalidade. “Tive dois momentos super marcantes. O primeiro foi quando eu ganhei o TAFC, que hoje é considerado o maior torneio de futevôlei do mundo.” O segundo envolve contexto pessoal e competitivo. “O segundo foi quando fiquei em quarto lugar no qualifying de um torneio muito conhecido, o LSK. Pude ficar ao lado de grandes atletas, enquanto minha filha ainda era muito pequena, com poucos meses, e eu ainda amamentava. Foi pura superação e tive a honra de ganhar de grandes atletas.”
Para o futuro, o planejamento inclui manter a sequência de competições e ampliar a participação em eventos de maior nível. “A curto prazo, quero continuar jogando bastante e competindo torneios regionais. Em um futuro breve, voltarei a competir os torneios nacionais também.”
Ao olhar para quem está começando, Agatha aponta o caminho baseado na própria experiência. “O conselho que eu daria é: se dediquem, treinem muito, abdiquem de muitas coisas e, com certeza, vocês vão competir.”