Da Redação
A corrida de rua começou como uma tentativa de melhorar a qualidade de vida, mas acabou se tornando parte central da rotina do sul-mato-grossense Carlos Alexandre Centurião Cabreira, de 25 anos. Natural de Bela Vista (MS), o corredor afirma que encontrou no esporte uma maneira de lidar com a ansiedade, o sedentarismo e a sensação de estar “sem rumo”.
“A corrida entrou na minha vida em um momento muito difícil. Eu estava bastante sedentário, ansioso, com o pensamento acelerado e meio perdido. Comecei a correr estritamente por qualidade de vida, buscando desacelerar a mente”, relata.
O momento que mudou a relação dele com o esporte aconteceu durante a primeira competição amadora disputada em sua cidade, a Corrida Dupla FIT. Na ocasião, Alexandre completou os 5 quilômetros em 36 minutos. Segundo ele, a sensação ao cruzar a linha de chegada foi determinante para que a corrida deixasse de ser apenas uma atividade física ocasional.
“Quando cruzei a linha de chegada, algo mudou. Percebi que adorava a adrenalina da competição e que queria mais daquilo. A partir dali, os treinos ficaram mais sérios”, afirma.
Desde então, a rotina passou a ser organizada em torno dos treinos. Atualmente, Alexandre treina quatro vezes por semana, conciliando a preparação com a jornada de trabalho e os estudos. Ele conta que a maior dificuldade no início foi justamente administrar o tempo e vencer o cansaço diário.
“No começo, a gente vai pelo entusiasmo, mas depois é na força de vontade e na raça. A mente tenta nos convencer a descansar. Para vencer isso, criei uma estratégia: antes de sair para o trabalho, já deixo toda a minha roupa de treino arrumada. Quando volto, só tomo banho, visto a roupa e saio. Não dou tempo para a minha mente pensar”, explica.
Além da disciplina necessária para manter a constância, ele aponta o clima de Mato Grosso do Sul como um obstáculo para os corredores. Alexandre também avalia que ainda falta mais apoio ao esporte em algumas cidades do Estado.
“Nas ruas, ainda falta respeito de alguns motoristas e motociclistas com os corredores. No âmbito público, sinto que o esporte poderia ser mais abraçado pela Secretaria de Esportes e pela prefeitura”, comenta.
Entre as provas que marcaram sua trajetória, Alexandre destaca a Corrida Internacional em homenagem a Hélio Nílson Silva, quando estreou na distância de 10 quilômetros. Ele completou o percurso em 41 minutos, terminando na 11ª colocação geral e em 5º lugar na faixa etária.
“Foi o momento em que vi que o meu corpo e a minha mente estavam preparados e que os treinos exaustivos estavam dando resultado”, lembra.
Outra competição destacada pelo corredor foi o Desafio CLC Extremo, em Campo Grande, onde alcançou o 9º lugar geral na categoria de 20 a 29 anos e terminou em 2º lugar na faixa etária nos 5 quilômetros.
Apesar dos resultados, Alexandre afirma que ainda enfrenta dificuldades financeiras para evoluir no esporte. Segundo ele, equipamentos adequados, tênis de alta performance e acessórios específicos ainda estão fora da realidade de muitos corredores.
“O momento mais difícil para quem vem de baixo é o aspecto financeiro. É duro quando você percebe que está evoluindo, mas esbarra na falta de dinheiro para comprar um equipamento melhor ou um tênis de ponta. Eu faço o meu melhor com o que tenho, como dá e quando dá”, relata.
Além dos desafios financeiros, ele também já precisou lidar com lesões. Alexandre afirma que a canelite foi um dos principais problemas físicos enfrentados desde o início da prática esportiva. Para reduzir as dores e evitar interrupções frequentes nos treinos, passou a investir mais em fortalecimento muscular e treino funcional.
Na rotina de preparação, ele considera que a alimentação e o descanso são fundamentais para quem deseja evoluir nas corridas de rua.
“Disciplina e alimentação são o combustível e a estrutura do atleta. Não adianta apenas correr se você não cuida do corpo fora dos treinos. Dormir bem, se hidratar e manter uma alimentação equilibrada fazem diferença”, pontua.
Para Alexandre, o crescimento das corridas de rua em Mato Grosso do Sul mostra que o esporte deixou de ser apenas uma tendência passageira e passou a fazer parte da vida de muitas pessoas.
“No começo desse ‘boom’, muita gente achou que seria apenas um hype, mas hoje a corrida é vista como qualidade de vida e saúde pública. O esporte se democratizou. Uma pessoa pode começar do zero e, com dedicação, evoluir bastante”, afirma.
Nos momentos mais difíceis das provas, o corredor diz recorrer a estratégias mentais para manter o ritmo. Segundo ele, nos quilômetros finais, a principal motivação é pensar na família, especialmente na mãe.
“Penso que ela vai estar me esperando em casa, ansiosa para saber como fui e ver a minha medalha. Coloco na cabeça que falta pouco e que tem pessoas torcendo por mim”, conta.
Alexandre também acredita que a corrida transformou sua vida fora do esporte. Ele afirma que a prática trouxe mudanças físicas e emocionais importantes.
“Aquele jovem sedentário, ansioso e com a mente acelerada deu lugar a um homem que se sente mais leve, focado e sorridente. A disciplina que desenvolvo na corrida é a mesma que utilizo para enfrentar os desafios do dia a dia”, diz.
Atualmente, o corredor busca reduzir ainda mais seus tempos nas provas de 5 e 10 quilômetros. Recentemente, ele alcançou a marca de 19 minutos e 23 segundos nos 5 km e agora pretende baixar o tempo para a casa dos 18 minutos.
“O meu objetivo é conquistar mais pódios, trazer mais medalhas para casa e continuar escrevendo a minha história nesse esporte”, finaliza.