Da Redação
“Fico mais em campo do que com a família.” A frase resume a rotina de Elivelton Borges Theodoro, atleta do futebol amador de Mato Grosso do Sul, que concilia trabalho, compromissos pessoais e a dedicação ao esporte que começou ainda na infância.
Nascido em 13 de agosto de 1993, Elivelton teve o primeiro contato com o futebol por influência familiar. Segundo ele, o interesse surgiu ao acompanhar um primo nos jogos. “O futebol entrou na minha vida por causa de um primo meu, o Mamão, que me levava para assistir aos jogos dele. Aí fui pegando gosto e logo queria jogar com eles”, relembra.
O início despretensioso rapidamente se transformou em envolvimento direto com o esporte. Com o passar do tempo, Elivelton passou a integrar equipes e a vivenciar o cotidiano do futebol amador, realidade comum em diversas regiões do país e que, segundo ele, tem ganhado cada vez mais qualidade em Mato Grosso do Sul.
“Na minha visão, o nível do futebol amador em Mato Grosso do Sul hoje é altíssimo de qualidade”, afirma. A avaliação reflete um cenário em que campeonatos de bairro, ligas e competições conhecidas como “terrão” têm atraído atletas experientes e mobilizado comunidades inteiras.
Apesar da atuação predominante no amador, Elivelton também teve passagem pelo futebol profissional. “Sim, me profissionalizei no Campo Grande FC”, conta, ao mencionar a oportunidade que teve na carreira. A experiência, embora breve em comparação ao tempo dedicado ao amador, faz parte de sua trajetória no esporte.
No entanto, a rotina de quem atua fora do circuito profissional exige adaptações. Um dos principais desafios, segundo o atleta, é equilibrar os horários de trabalho com os compromissos esportivos. “A carga horária do trabalho” é apontada por ele como a principal dificuldade enfrentada no dia a dia.
Mesmo diante dessas limitações, a motivação para continuar jogando permanece. Para Elivelton, o ambiente do futebol amador vai além das quatro linhas. “A resenha e os amigos” são os fatores que o mantêm ativo nas competições, evidenciando o papel social que o esporte desempenha nesse contexto.
Ao longo da trajetória, alguns momentos se destacam. Entre eles, o atleta cita o gol marcado na conquista de um título importante. “Meu gol no título da Liga Terrão 2018 pelo Vô Maria”, lembra. Outro lance que ficou marcado foi um gol de bicicleta. “E um gol de bicicleta no campo do Ajala”, completa.
A rotina intensa, no entanto, tem impacto direto na vida pessoal. “Fico mais em campo do que com a família”, admite, ao comentar como concilia as diferentes responsabilidades. A fala evidencia o nível de dedicação exigido, mesmo em um cenário onde o futebol não é a principal fonte de renda.
Dentro de campo, Elivelton também aponta quais características considera essenciais para uma equipe competitiva no futebol amador. “Garra, vontade, disciplina e comprometimento”, lista. Para ele, esses elementos são determinantes em competições onde nem sempre há estrutura profissional, mas a exigência dentro de campo permanece elevada.
Diferente de avaliações comuns sobre falta de visibilidade, o atleta acredita que o cenário atual é positivo. “Não acredito. O futebol amador hoje está muito valorizado”, afirma, ao ser questionado sobre o reconhecimento da modalidade. A percepção acompanha o crescimento de ligas organizadas, maior presença de público e até transmissões em redes sociais.
Por fim, ao falar com jovens que desejam seguir no futebol, Elivelton resume sua orientação em uma frase direta: “Nunca desistir dos sonhos.” A mensagem reflete a própria trajetória, construída entre campos de bairro, competições locais e a persistência em seguir jogando.