Quarta-feira, 15 de julho de 2026, 19:27

Entre tatames, livros e farda: Paulo Trovão transforma a própria história em exemplo de superação

da redação - 7 de jul de 2026 às 15:32 368 Views 0 Comentários
Entre tatames, livros e farda: Paulo Trovão transforma a própria história em exemplo de superação Da Redação

“Eu venci o crack e a cocaína.” É dessa forma que Paulo Cesar Barbosa de Almeida, conhecido como Paulo Trovão, resume uma das fases mais difíceis da própria vida. Militar do Exército Brasileiro, faixa marrom de jiu-jitsu, estudante de Educação Física, escritor e compositor, ele encontrou no esporte uma ferramenta de transformação pessoal e hoje busca levar essa experiência para outras pessoas, principalmente jovens.

 

Natural de Costa Rica, na região norte de Mato Grosso do Sul, Paulo mora em Campo Grande há 17 anos. Antes de ingressar nas artes marciais, ele já mantinha uma relação próxima com o esporte desde a adolescência, quando praticava futebol, futsal, basquete e capoeira.

 

“Sempre fui apaixonado por esportes”, afirma.

 

Apesar disso, passou um longo período afastado das atividades físicas. O retorno aconteceu aos 34 anos, motivado pelo filho, que havia começado a praticar taekwondo e judô.

 

“Retornei novamente ao esporte para incentivar o meu filho. Eu sempre tive muito interesse por esse universo das artes marciais”, conta.

 

O contato com o jiu-jitsu e o judô rapidamente se transformou em algo maior. Segundo Paulo, os treinos mudaram sua rotina, sua visão de vida e sua maneira de enfrentar dificuldades.

 

“Comecei a praticar jiu-jitsu e judô e acabei ficando apaixonado. Eu sou viciado em jiu-jitsu e isso se tornou um marco e um estilo de vida.”

 

O apelido “Paulo Trovão”, que hoje também é utilizado em seus projetos artísticos, surgiu justamente dentro dos treinamentos de jiu-jitsu.

 

“O pseudônimo Paulo Trovão surgiu nos treinos de jiu-jitsu. Eu gostei e adotei o nome.”

 

Além do jiu-jitsu e do judô, ele também treinou muay thai e teve experiências com o karatê. Atualmente, devido à rotina profissional e pessoal, concentra a maior parte do tempo no jiu-jitsu, musculação e corrida de rua.

 

“O muay thai foi um complemento que busquei para fortalecer ainda mais a minha defesa pessoal. Todos esses estilos se completam e são extremamente eficientes.”

 

Para Paulo, as artes marciais vão além da prática esportiva e estão ligadas ao desenvolvimento humano.

 

“A filosofia do judô é fundamental na formação do ser humano”, afirma.

 

Ele acredita que o esporte de combate proporciona fortalecimento físico, equilíbrio emocional e autoconhecimento.

 

“O esporte de luta traz uma coisa muito importante, que é o autoconhecimento. Eu não sabia o quanto era forte e capaz.”

 

Ao longo dos anos, Paulo afirma ter percebido mudanças importantes no próprio comportamento.

 

“Hoje eu sou muito mais forte e resiliente. Consequentemente, a longo prazo, o indivíduo vai ficando mais forte fisicamente e emocionalmente. Hoje eu tenho muito mais autocontrole do que décadas atrás.”

 

A transformação relatada por ele também envolve mudanças nos hábitos pessoais. Paulo conta que abandonou o consumo de álcool e tabaco e passou a priorizar a saúde.

 

“Eu fiz uma revolução na minha vida. Parei de consumir álcool e também abandonei o tabaco. Geralmente a minha alimentação é saudável.”

 

Segundo ele, o esporte teve papel fundamental nesse processo, principalmente no enfrentamento da dependência química.

 

“Eu já fui dependente químico no passado. Vivi uma fase bastante sombria na minha vida, sofri demais e senti na própria carne o que é perder tudo. O esporte me trouxe mais força e resistência na minha luta diária.”

 

Hoje cursando licenciatura em Educação Física, Paulo afirma que pretende usar o esporte como ferramenta de orientação e prevenção entre crianças e adolescentes.

 

“Estou fazendo licenciatura em Educação Física para levar o jiu-jitsu até os jovens, principalmente nas escolas. Precisamos preparar as nossas crianças. O mundo é um lugar cheio de armadilhas.”

 

Atualmente, ele atua como Cabo especialista no Exército Brasileiro e trabalha como motorista de caminhão no 18º Batalhão de Transporte do Grupamento Logístico do Comando Militar do Oeste.

 

“O Exército é uma escola de liderança. As artes marciais nasceram do militarismo”, diz.

 

Para ele, aprender defesa pessoal continua sendo algo importante nos dias atuais.

 

“Na antiguidade era vital aprender a lutar para defender a sua tribo. Algumas coisas não mudam. É como saber nadar. É uma questão de sobrevivência.”

 

Essa percepção foi reforçada após um episódio traumático vivido por Paulo durante um assalto.

 

“Uma vez sofri um assalto e o bandido descarregou o revólver em cima de mim. Mesmo ferido, fui para cima e lutei até o fim pela minha vida e pela vida da minha mãe.”

 

Há oito anos no jiu-jitsu, Paulo lembra que o início foi marcado por dificuldades físicas.

 

“No começo foi difícil. Eu estava sedentário e acima do peso. Aprendi a lutar apanhando e hoje sou faixa marrom de jiu-jitsu.”

 

Nesse período, também enfrentou lesões.

 

“Já arrebentei o joelho, já quebrei o pé, já machuquei o ombro, mas nada vai me afastar mais do esporte.”

 

Competidor ativo, ele afirma gostar da experiência proporcionada pelas disputas.

 

“Gosto de competir e sentir a adrenalina circulando pelas minhas veias. A competição sempre vai trazer novas experiências para sua bagagem.”

 

O esporte também faz parte da rotina da família. A filha pratica judô e o filho está focado no jiu-jitsu.

 

“Atualmente o meu filho está focado no jiu-jitsu. Ele é autista. A minha filha está no judô. É muito importante aprender a cair sem se machucar e levantar mais forte.”

 

Além do esporte, Paulo também vem desenvolvendo trabalhos na área cultural. Escritor e compositor, ele está publicando o primeiro livro de poesias e lançou recentemente um disco com poemas musicalizados nas plataformas digitais.

 

“A música é um excelente canal para você levar uma mensagem positiva para os jovens.”

 

Ao falar sobre o futuro, Paulo resume o que espera deixar como legado.

 

“Quero terminar os meus dias na Terra falando de superação. A vida exige que sejamos corajosos e perseverantes. Seja forte.”

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.