Da Redação
A frase “não deixem que as pessoas acabem com o seu sonho” resume parte da caminhada de Gabriel Alves dos Santos Grance, jovem atleta sul-mato-grossense que encontrou no vôlei um caminho possível, apesar dos obstáculos. Nascido em 11 de dezembro de 2007, em Dourados (MS), Gabriel descobriu o esporte aos 15 anos, quase por acaso, dentro da escola agrícola Padre André Capelli. Foi ali que a professora Sandra o apresentou ao vôlei. “Eu fui curtindo e comecei a frequentar o Parque Rêgo d’Água”, relembra. No local, encontrou jogadores mais experientes dispostos a ensinar o básico, algo que marcou seu início na modalidade. Ele também destaca o aprendizado com a professora Vandineia, que dava treinos no Indaiá e nas quadras da cidade.
A trajetória, no entanto, não ficou restrita a Mato Grosso do Sul. No final de 2023, Gabriel decidiu tentar a vida como atleta em São Paulo. Mudou-se para Bauru e integrou o elenco sub-15 do Sesi-Bauru. A experiência trouxe evolução, mas também um choque de realidade. “Os principais desafios foram em São Paulo. Joguei pelo Sesi-Bauru sub-15, porém não tinha condições financeiras e acabei voltando pra Dourados”, conta. Ainda assim, o período foi marcante. Ele disputou campeonatos importantes e viveu momentos que guarda com orgulho. Sua principal lembrança dessa fase é o título de MVP em uma partida entre o Sesi-Bauru sub-15 e o Flamengo sub-15, no ginásio em Bauru. “Foi minha conquista mais marcante”, destaca.
O incentivo, segundo ele, veio principalmente de amigos que fez no próprio vôlei. Gabriel faz questão de mencionar um deles. “Quem mais me influenciou foram meus amigos do vôlei mesmo. Inclusive, um abraço ao meu amigo Rudi, que foi muito importante pra mim.” Ao falar da convivência dentro das quadras e nas rodas de treino, deixa claro que o esporte também o transformou pelo aspecto humano.
De volta a Dourados, Gabriel reorganizou a rotina. Hoje divide o tempo entre o trabalho e os treinos, que acontecem diariamente. “Eu busco o trabalho como prioridade durante o dia e, quando chego em casa, já vou treinar ou vou pra rachão”, afirma. Nos últimos meses, tem investido mais nas sessões de treino na areia, buscando corrigir fundamentos e ampliar sua visão de jogo. Sobre suas características técnicas, reconhece alguns pontos fortes. “Meu ataque e meu levantamento acabam sendo meus destaques.”
Mesmo com dedicação, Gabriel reconhece que alguns fatores podem dificultar sua projeção no alto rendimento. Um deles é a altura, algo que, para muitos atletas de vôlei, se torna determinante na continuidade da carreira. “Gostaria muito de sair pra fora jogar, porém, por conta de altura, não sei se será possível”, admite. Apesar da incerteza, não demonstra desânimo. Continua treinando e procurando evoluir, mantendo uma rotina disciplinada que possa abrir portas no futuro.
Quando fala sobre o cenário do vôlei em Mato Grosso do Sul, Gabriel é realista. Para ele, o esporte ainda engatinha quando comparado a outros estados. “No MS o vôlei não é muito reconhecido como um forte. Faz pouco tempo que o esporte vem crescendo no estado”, avalia. Mesmo assim, acredita que o avanço recente pode beneficiar jovens que, como ele, buscam espaço e estrutura para se desenvolver.