Da Redação
“Eu era tão ruim que ninguém queria me escolher.” A frase dita por Rodolfo Miguel Alves dos Santos resume parte do início da trajetória dele no esporte. Hoje atleta de voleibol e handebol em Mato Grosso do Sul, Rodolfo construiu seu caminho sem passar pela formação tradicional que muitos atletas tiveram desde as categorias de base. Entre dificuldades, espaço reduzido nas equipes e a necessidade de aprender sozinho, ele encontrou no esporte não apenas competições e títulos, mas também uma forma de construir a própria confiança.
Natural de São Paulo (SP), Rodolfo nasceu em 4 de outubro de 1994 e começou no voleibol entre 2009 e 2010, em Ilha Solteira (SP). O primeiro contato aconteceu por influência dos amigos, que já viajavam para disputar campeonatos.
“Todos os meus amigos jogavam e estavam sempre viajando para jogos. Eu era o único que não jogava e acabava ficando fora das viagens. Então, por esse motivo, resolvi começar a treinar”, relembra.
Apesar da decisão de iniciar no esporte, a adaptação não foi simples. Segundo ele, não existia uma equipe na mesma categoria e os colegas já tinham anos de experiência acumulada desde as categorias mirim. Sem acompanhamento individual, Rodolfo precisou aprender observando e insistindo nos treinos.
“Eles tiveram uma formação com fundamentos e treinos específicos. Já eu aprendi a jogar por força de vontade mesmo. Os treinos eram mais específicos para quem já jogava, então o professor não parava para me ensinar determinado movimento”, conta.
O começo foi marcado por dificuldades dentro da quadra. Rodolfo lembra que, durante os coletivos, normalmente era o último a ser escolhido.
“Eu era tão ruim que, quando tinha coletivo, ninguém queria me escolher e eu era sempre o que sobrava. Na maior parte do tempo eu só sacava e levava bolada, porque não sabia bloquear. Atacar menos ainda, porque eu mal sabia fazer a passada.”
Mesmo diante das dificuldades, ele afirma que nunca pensou em desistir. Pelo contrário, transformou a situação em motivação para evoluir. O vôlei de praia teve papel importante nesse processo.
“O que foi a virada de chave para eu evoluir foi jogar vôlei de praia todos os finais de semana com meus amigos que já jogavam desde o mirim. Isso me forçou a aprender a passar, bloquear e defender, porque o vôlei de praia é mais dinâmico e exige que você faça todas as funções.”
Com o tempo, começou a ganhar espaço em equipes e participar de competições, embora ainda atuasse grande parte das vezes como reserva. Foi também nesse período que surgiu o interesse pelo handebol.
“O meu amor pelo handebol começou em 2012, depois que assisti a uma partida do time de Ilha Solteira nos Jogos Regionais de Penápolis. Foi um jogo muito bonito, mesmo com a derrota da equipe.”
Após assistir à partida, Rodolfo procurou informações sobre os treinos e decidiu começar na modalidade. Ele afirma que a recepção encontrada no handebol foi diferente daquela que teve no início do voleibol.
“Eu fui morrendo de vergonha, mas fui muito bem recebido. O que me fez ficar foi o apoio que tive mesmo sem saber jogar, coisa que eu não tive no vôlei.”
A partir daquele momento, passou a dividir a rotina entre as duas modalidades. Os treinos aconteciam praticamente todos os dias da semana e, segundo ele, uma modalidade ajudava no desempenho da outra.
“Acredito que o handebol ajuda a ter mais resistência e velocidade no vôlei. Já o vôlei ajuda na agilidade e na técnica.”
Com mais espaço para atuar em jogos e campeonatos, Rodolfo acabou se aproximando ainda mais do handebol. Em Mato Grosso do Sul, ele passou a defender equipes importantes da modalidade.
“Acredito que percebi que poderia competir em alto nível representando o estado quando fui convidado para compor a equipe do Máquinas Handebol, por ser um time com histórico de vitórias estaduais e nacionais.”
No voleibol, outro momento marcante aconteceu durante o período universitário, quando integrou a equipe da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs).
Entre as lembranças mais importantes da carreira, Rodolfo destaca uma partida nos Jogos da Juventude de 2013.
“Eu estava no banco e, em um momento crucial do jogo, entrei na partida e consegui ajudar meu time a conquistar a vitória.”
Já no handebol, uma das memórias mais marcantes veio em um momento difícil. Em 2014, durante aquela que considera sua melhor fase na modalidade, sofreu uma fratura na fíbula faltando duas semanas para as finais da liga.
“Acabei ficando de fora, mas um dos meus companheiros jogou com o meu uniforme. Foi um momento que me marcou muito.”
Rodolfo também faz questão de destacar as pessoas que contribuíram para a trajetória dele nas duas modalidades. No handebol, ele cita o técnico Marquinhos Moreira, conhecido como Poin.
“Foi a pessoa que me ensinou tudo e quem me moldou como atleta de handebol.”
No voleibol, ele lembra do grupo de amigos que o incentivou desde o início: Luan Mattos, Fernando Angelo, Muriel Takahashi, Lucas Junqueira e Gustavo Vasconcellos.
Atualmente, Rodolfo avalia que o handebol sul-mato-grossense enfrenta dificuldades relacionadas à estrutura e à falta de competições.
“Temos ótimas equipes no estado, mas poucas oportunidades de competições, ainda mais aqui dentro de Campo Grande. A dificuldade para conseguir quadras de qualidade para treinamento também pesa.”
Mais do que resultados dentro das quadras, Rodolfo afirma que o esporte transformou a vida dele fora delas.
“O esporte moldou a pessoa que sou hoje. Me deu oportunidade de conhecer vários lugares, criar amizades em vários estados do país e me ajuda constantemente no ambiente de trabalho com resiliência, liderança e trabalho em equipe.”
Sem pensar em aposentadoria no momento, ele ainda pretende seguir ligado às competições.
“Não quero parar de jogar tão cedo. Quem sabe o próximo objetivo seja compor uma equipe master no futuro.”