Da Redação
“Não desista dos seus sonhos e treine até chegar no seu máximo para que alcance seu alto nível.” A frase resume a forma como Lourran Lúcio dos Santos Rodrigues, conhecido no meio do futebol como Bahia, encara a própria trajetória no esporte. Nascido em 4 de agosto de 2004, o jovem atleta sul-mato-grossense construiu seu caminho no futebol enfrentando limitações estruturais, falta de oportunidades e dificuldades financeiras, realidade comum a muitos jogadores fora dos grandes centros do país.
Desde cedo, Lourran se destacou em competições de base. Segundo ele, o futebol entrou em sua vida ainda na infância, quando passou a chamar a atenção de treinadores. “Desde pequeno me destacava em campeonatos, era sempre bem falado por treinadores e, com incentivo dos meus pais, prossegui, porque meu sonho era ser jogador”, relatou. O apoio familiar foi decisivo para que ele continuasse no esporte. “As pessoas que mais me incentivaram foram meus pais, Adriana e Joel, e também meu professor Daniel, com quem passei a maior parte da minha base”, afirmou.
Ao longo da trajetória, Lourran disputou competições estaduais e interestaduais. Ele participou de dois Campeonatos Estaduais Sub-20, experiências que contribuíram para sua formação como atleta. No entanto, um torneio específico marcou sua carreira. “A competição que mais me marcou foi uma Mercosul em Rondonópolis, em que fiz o gol da final e meu time se sagrou campeão”, contou. O episódio é lembrado por ele como um dos momentos mais importantes vividos dentro de campo.
Atuando preferencialmente como ponta direita, Lourran define de forma objetiva suas principais características. “Diria que são o drible, o um contra um e também a minha velocidade”, disse. O estilo de jogo tem inspiração clara. “Com certeza meu ídolo é o Neymar. Foi o cara que me fez amar o futebol. Eu assistia ele driblando e queria fazer igual, porque me encantava”, relatou, ao explicar a influência do jogador em sua forma de atuar.
Apesar das boas atuações e da passagem por competições relevantes, Lourran aponta que o principal obstáculo da carreira não esteve dentro das quatro linhas. “Os principais desafios foram mais pela falta de oportunidade e financeiramente falando”, afirmou. A dificuldade de acesso a estruturas mais sólidas e a necessidade de se manter economicamente acabaram moldando os rumos de sua trajetória recente.
Atualmente, a rotina do atleta reflete essa realidade. “Hoje em dia eu trabalho durante o dia e, à noite ou aos finais de semana, jogo futebol amador em Campo Grande”, explicou. O futebol segue presente, mesmo que fora do ambiente profissional, conciliado com o trabalho e com a busca por estabilidade financeira.
Ao falar sobre o cenário estadual, Lourran faz uma análise direta do futebol praticado em Mato Grosso do Sul. “Aqui o futebol é muito equilibrado, mas quem investe mais acaba se sobressaindo. Então creio que hoje, no futebol sul-mato-grossense, prevalece o investimento”, avaliou. A observação evidencia a diferença estrutural entre clubes e a influência dos recursos financeiros no desempenho esportivo.
Quanto aos objetivos, o atleta mantém os pés no chão. “Meus objetivos são trabalhar e jogar amador em Campo Grande, me divertir, porém ganhar títulos também”, afirmou. A fala demonstra uma relação com o futebol que combina competitividade, prazer pelo jogo e adaptação às circunstâncias atuais da carreira.
Mesmo diante das dificuldades enfrentadas, Lourran faz questão de deixar uma mensagem para outros jovens que sonham com o futebol. “Que não desistam dos seus sonhos e treinem até chegar no máximo, para que alcancem o alto nível”, disse. A frase, construída a partir da própria experiência, sintetiza a vivência de um atleta que conheceu o reconhecimento dentro de campo, mas também os limites impostos pela realidade fora dele.