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Entre o judô e o jiu-jitsu, Caio Vinícius constrói trajetória nos tatames de MS

da redação - 29 de mai de 2026 às 15:04 82 Views 0 Comentários
Entre o judô e o jiu-jitsu, Caio Vinícius constrói trajetória nos tatames de MS Da Redação

“A faixa preta é uma faixa branca que não desistiu.” A frase acompanha o atleta Caio Vinícius Amante Gomes dentro e fora dos tatames e resume parte da trajetória construída por ele no judô e no jiu-jitsu em Mato Grosso do Sul.

 

Natural de Dourados (MS), Caio nasceu em 25 de novembro de 2003 e iniciou no esporte em 2015, por meio de um projeto escolar chamado “Mais Educação”. Curiosamente, o primeiro interesse dele não estava ligado às artes marciais.

 

“Fui para o projeto fazer aula de violão. Nesse meio tempo eu vi o judô lá. Eu fazia karatê antes”, relembrou.

 

Ao observar os treinos, Caio acabou recebendo um convite do professor que o acompanha até hoje. A reação inicial, segundo ele, foi de recusa.

 

“Quando eu estava olhando as crianças lutarem, o sensei me convidou para ir treinar, e eu recusei na hora. Eu disse que esse esporte não era para mim, muita agarração”, contou, aos risos.

 

A resposta do treinador, porém, mudou o rumo da história.

 

“Ele falou: ‘Não tem como você saber se o esporte não é para você sem você praticá-lo’. Isso me motivou e eu comecei a treinar. Foi onde eu me apaixonei por esse esporte.”

 

Os treinamentos começaram dentro do projeto social e, posteriormente, ele e outros colegas receberam bolsas para treinar no Clube Indaiá, em Dourados, onde passaram a ter contato com uma estrutura maior e treinos mais intensos.

 

“Os treinos eram mais pesados, tinha mais gente e uma estrutura maior”, disse.

 

Foi também através do mesmo professor que Caio conheceu o jiu-jitsu. Segundo ele, os primeiros treinos aconteciam na varanda da casa do sensei, onde alunos do judô passaram a frequentar as aulas da nova modalidade.

 

“Meu sensei estava no jiu-jitsu e começou a dar aulas na varanda da casa dele. A gente do judô começou a treinar jiu-jitsu lá, e foi outro esporte pelo qual eu me encantei.”

 

Para o atleta, mais do que os resultados em competições, as artes marciais trouxeram ensinamentos que passaram a fazer parte da rotina.

 

“O que mais me chamou atenção nesses esportes foi a disciplina, o respeito, a superação pessoal e a mentalidade. Mas o que mais me marcou mesmo foi o companheirismo da galera dentro e fora do tatame.”

 

O interesse pelas competições surgiu logo no início da caminhada esportiva. Caio lembra que os Jogos Escolares foram determinantes para despertar o gosto pelas disputas.

 

“O momento que eu percebi que poderia competir foi através do meu primeiro campeonato, que foram os Jogos Escolares. Eu peguei gosto pela competição e vi que poderia ir muito longe nesses esportes.”

 

Atualmente dividindo a rotina entre o trabalho e os treinos, Caio explica que existem diferenças importantes entre competir no judô e no jiu-jitsu, principalmente em relação ao ritmo das lutas e à preparação.

 

“No judô a luta é mais explosiva e intensa. Um erro pequeno pode acabar a luta com um ippon”, afirmou.

 

Já no jiu-jitsu, segundo ele, a estratégia e a paciência ganham mais espaço durante os combates.

 

“No jiu-jitsu a luta tende a ser mais estratégica e paciente. Existe mais tempo para construir as posições e a luta pode mudar várias vezes.”

 

A preparação física e mental também muda entre as modalidades.

 

“No judô a preparação é mais voltada para explosão e velocidade. A mentalidade é focar na luta e impor tudo aquilo que você treinou. Tenho que estar com a mente alinhada e entrar para ganhar.”

 

Ao falar sobre dificuldades, Caio afirma que sempre procurou se dedicar ao máximo nos treinamentos.

 

“Na minha opinião, eu não encontrei dificuldade nenhuma. Eu sempre me entreguei ao máximo ao esporte.”

 

Entre os resultados conquistados até aqui, duas competições ganharam destaque especial na memória do atleta: o título de campeão brasileiro regional de jiu-jitsu e o terceiro lugar em um campeonato mundial disputado no Rio de Janeiro.

 

“Uma conquista que mais me marcou foram duas: quando fui campeão brasileiro regional no jiu-jitsu e quando fiquei em terceiro lugar no Mundial de Jiu-Jitsu no Rio de Janeiro.”

 

Mesmo ficando cerca de um ano e meio afastado das competições, Caio nunca deixou os treinos de lado. Em 2026, ele voltou a competir.

 

“Atualmente eu trabalho durante o dia e treino à noite. Fiquei um ano e meio sem competir, mas sempre estive treinando. Voltei a competir este ano.”

 

Além da parte esportiva, ele destaca valores que aprendeu nas artes marciais e que leva para a vida pessoal.

 

“Paciência, humildade, autocontrole, disciplina e respeito.”

 

Entre as inspirações no judô, Caio cita a campeã olímpica Rafaela Silva.

 

“Ela veio da comunidade e mostrou que, independentemente do que dizem de você ou do lugar de onde veio, só você pode dizer o rumo da sua vida.”

 

Já no jiu-jitsu, os nomes mencionados por ele são Mica Galvão, Leandro Lo e Fernando Tererê.

 

Para Caio, o cenário das artes marciais em Mato Grosso do Sul vive um período de crescimento, com atletas participando de eventos nacionais e internacionais.

 

“O cenário do judô e do jiu-jitsu em Mato Grosso do Sul vive uma fase de forte expansão, com alto nível técnico, investimentos, circuitos estaduais e vários atletas nos circuitos nacionais e internacionais.”

 

Sobre o futuro, o atleta afirma que pretende seguir competindo, mas também revelou que trabalha em um novo projeto ligado ao esporte.

 

“Meus próximos passos agora são competir em alguns campeonatos, mas o principal ainda está por vir. Não posso compartilhar isso ainda, mas logo vou falar sobre um projeto grande que irei assumir com um instituto em outro estado.”

 

Ao falar sobre o principal sonho dentro das artes marciais, Caio resume o objetivo de continuar levando o esporte para mais pessoas.

 

“Meu sonho é fazer o esporte ser mais conhecido para as pessoas que nunca tiveram contato. Que elas sintam o que eu senti no início e que isso possa transformar vidas.”

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