Da Redação
Camilly Melchiades Mancilha, nascida em 08 de maio de 2009 em Campo Grande (MS), encontrou no vôlei um caminho que se tornou central em sua rotina. O início veio aos 12 anos, no começo de 2022, quando ainda estudava na Escola Municipal Professora Elizabel Maria Gomes Salles. Foi ali que, segundo ela, “foi o começo de tudo”. O interesse não surgiu do nada: sua mãe praticou o esporte na infância e adolescência, o que despertou a curiosidade da jovem.
No ano seguinte, Camilly recebeu o primeiro convite que mudaria sua relação com o esporte. “Fui convidada para ser líbero numa escolinha particular do professor Leomar Soares e foi o lugar em que me encaixei. Estou treinando lá até hoje”, conta. O esporte, que inicialmente era uma experiência escolar, passou a ocupar outro espaço em sua rotina. Treinar se transformou em hábito e, pouco depois, em projeto de futuro.
Segundo Camilly, a virada de chave aconteceu quando ela percebeu o quanto o vôlei poderia abrir caminhos. “Comecei a gostar muito do que eu fazia e comecei a treinar muito. Foi quando me destaquei e percebi que o esporte muda a vida das pessoas e abre diversas portas.” Para ela, o vôlei proporcionou vivências que não estariam presentes em sua vida se não estivesse no ambiente esportivo. “Desde que comecei a viver o vôlei eu conheci coisas que jamais conheceria sem ele.”
As referências que a acompanharam nesse processo surgiram dentro das escolas em que passou e nos projetos em que treinou. A primeira professora, Janaina Salgueiro, foi quem apresentou os fundamentos da modalidade. “Ela me ensinou o básico e fundamental para jogar e foi com ela o começo de tudo”, afirma. Depois veio o professor Leomar Soares, responsável pelo convite para integrar a escolinha onde treina até hoje. Camilly também cita o professor William Mascarenhas, que auxilia nos treinos. “Sou muito grata a cada um deles por terem me proporcionado viver o esporte e terem a paciência de me ensinar”, diz. A frase de Mascarenhas, repetida por ela — “nós somos sortudos por poder vivenciar o esporte e tê-lo em nossas rotinas” — parece resumir o sentimento que carrega para as quadras.
O início, no entanto, trouxe obstáculos. Conciliar estudos, vida pessoal e treinos exigiu adaptação. “Sempre estudei de manhã e treinei à noite, o que foi algo cansativo por um tempo, principalmente em períodos de provas”, afirma. O desafio, segundo Camilly, foi superado com o tempo. A rotina atual mudou desde o fim dos jogos escolares, mas ainda é intensa. “Eu treinava duas vezes ao dia, três vezes na semana. Hoje treino três vezes na semana, podendo ter treinos extras nos finais de semana.” O ponto mais importante, para ela, é a organização. “Tenho que saber administrar muito bem o meu tempo para que estudos, vida pessoal e treinos não comprometam uns aos outros.”
Ao falar sobre as experiências que marcam sua trajetória, Camilly destaca que cada competição deixa algo. “Os jogos, o time unido, os pontos, as vibrações são os que mais ficam na memória.” Entre essas memórias, o terceiro lugar nos Jogos Escolares de 2024, representando a Escola Estadual Joaquim Murtinho, ocupa posição especial. “Foi um ano com muito choro, risadas, pontos perdidos e pontos ganhos. Esse campeonato eu jamais vou esquecer”, diz. Para ela, a vivência coletiva é determinante: “Um time em quadra vira mais que um time, vira uma família.”
Camilly também observa o cenário do vôlei no estado e aponta que ainda há caminhos a percorrer. “O MS deixa a desejar muito na parte de contribuir e apoiar os atletas e o esporte em si. Uma maior contribuição, tanto no orçamento quanto no apoio incentivando mais campeonatos, com certeza faria a diferença.” A percepção reflete a visão de quem vivencia o esporte diariamente e sente falta de políticas mais efetivas para o desenvolvimento da categoria.
Quanto ao futuro, a jovem atleta estabelece metas claras. “Eu pretendo conseguir uma bolsa atleta para a faculdade e viver do vôlei sempre que possível.” Ela projeta atuar em equipes universitárias e, mais adiante, integrar um time adulto. “Quero seguir jogando pelo resto da vida. O vôlei é um esporte que eu pratico quase tanto quanto respirar. Com certeza não consigo viver sem.”
Para outras meninas que desejam trilhar caminho parecido, Camilly resume o que aprendeu até aqui. “É importante ter muita paciência e nunca se comparar com outras pessoas, porque isso diminui nossa confiança.” A frase final sintetiza sua postura diante dos desafios: “Se eu quero, eu consigo, e eu vou conseguir. A motivação de si mesmo é a que mais conta ao final das contas.”