Da Redação
O strongman entrou na vida de Thallis Romano Cardoso Victor Silva quase por acaso, mas rapidamente deixou de ser apenas um treino para se tornar um projeto esportivo e profissional. “Eu comecei a treinar força fazendo os movimentos básicos de força, até que um dia na academia fui tirar uma dúvida sobre levantamento terra com o Maillon Machado e ele me chamou para conhecer o CT dele de strongman. Desde então, nunca mais parei de treinar”, conta o atleta, nascido em 29 de março de 1998, em Campo Grande (MS).
A partir desse primeiro contato, o esporte passou a ocupar um espaço central em sua rotina. O encantamento veio rápido, impulsionado pela complexidade da modalidade e pela exigência física e mental. “Me apaixonei pelo esporte. Depois de nove meses de treino, decidi ir para minha primeira competição para entender melhor essa dinâmica”, relembra. O resultado não foi expressivo — 9º lugar entre 12 atletas —, mas foi decisivo. “Não foi uma boa colocação, mas decidi ali que voltaria melhor e mais forte.”
Acadêmico de Educação Física, Thallis busca alinhar a vivência prática com o conhecimento científico. Segundo ele, essa combinação é essencial para sustentar o desempenho e reduzir riscos. “O conhecimento científico anda lado a lado com a prática, pois eu e meu treinador, Heitor Alves, estamos sempre estudando e nos atualizando sobre o treinamento físico e todas as suas variáveis, buscando manter a performance e evitar as lesões”, explica.
Essa preocupação se reflete também na forma como ele enxerga a preparação física em um esporte marcado por cargas elevadas. Para Thallis, lesões não podem ser atribuídas a um único fator. “A lesão é multifatorial e é muito difícil dizer de onde ela veio com toda certeza”, afirma. Entre os cuidados considerados fundamentais, ele cita alimentação, organização dos treinos e descanso. “Os melhores cuidados, sem dúvida, são se alimentar adequadamente de acordo com a demanda energética, periodizar muito bem os treinos e, o mais negligenciado de todos, o sono”, avalia. Ele reconhece que a rotina moderna interfere diretamente nesse processo. “Com o aumento do uso das telas, nosso sono anda cada vez pior, e sem dúvidas devemos nos atentar mais a isso.”
Dentro das provas do strongman, Thallis destaca que todas exigem muito do corpo como um todo, mas algumas representam desafios específicos. “Todos os movimentos do strongman são bem desafiadores, pois exigem muito de praticamente o corpo inteiro”, explica. Ainda assim, aponta uma dificuldade pessoal. “Os movimentos acima da cabeça são muito difíceis para mim, por exigirem não só muita força, mas bastante técnica também.” Para ele, é justamente essa dificuldade que move o processo de evolução. “O mais legal de tudo isso é conseguir se superar a cada ciclo de treino por conta desses desafios que nós mesmos nos impomos.”
A rotina, segundo o atleta, exige organização constante. Ele concilia trabalho, estudos e treinos diariamente. “Exige bastante organização nos horários para conseguir. Trabalho de manhã e treino na parte da tarde ou à noite, quando a aula acaba mais cedo”, relata.
Ao comparar o strongman com outras modalidades de força, Thallis define o esporte como uma prática ampla e multifacetada. “O strongman pode ser considerado um atletismo da força, onde somos testados em todas as valências físicas”, diz. Ele lista algumas delas: “Força isométrica, força máxima, força de resistência, força de pegada, velocidade e potência.” Além disso, destaca a variedade de tarefas. “Carregamos objetos estranhos, arremessamos, puxamos, empurramos, tiramos do chão e passamos esse objeto por uma trave ou obstáculo. Isso tudo deixa o esporte muito amplo e desafiador.”
Entre as experiências mais marcantes da trajetória, duas competições se destacam. A primeira, justamente a estreia. “Com certeza a minha primeira competição, onde terminei em 9º de 12 atletas, pois aquele resultado me impulsionou a querer melhorar e dar mais de mim.” A segunda envolve uma conquista coletiva. “Outra competição que me marcou muito foi quando nossa equipe inteira foi para Cotia (SP) e ganhamos todas as categorias”, relembra. Na ocasião, Thallis venceu na categoria estreantes, enquanto seus companheiros conquistaram títulos em outras divisões. “Essa fica realmente guardada na minha memória.”
Sobre o cenário nacional, ele percebe um crescimento gradual do strongman, especialmente em alguns estados. “Pude observar um crescimento de novos atletas em São Paulo, Blumenau e Rio de Janeiro”, aponta. Para os próximos anos, a expectativa é de expansão. “Podemos esperar novos nomes no strongman aqui no Brasil, eu incluso”, projeta. Thallis também reconhece o papel dos atletas na divulgação da modalidade. “Acredito que, ao postar nossas rotinas de treino e do dia a dia, inspiramos, mesmo que sem saber, várias pessoas, nem que seja a começar a treinar e buscar um estilo de vida mais ativo fisicamente.”
Os planos futuros passam tanto pela formação acadêmica quanto pela carreira esportiva. “Meu objetivo na Educação Física é me tornar um treinador de ponta, unindo minha prática e o conhecimento teórico para ajudar pessoas a terem um estilo de vida mais ativo”, afirma. No esporte, o foco é ainda mais ambicioso. “Meu maior objetivo na carreira esportiva é me tornar um atleta reconhecido a nível mundial, conhecer novos países e culturas, sempre em busca de mais aprendizado.”