Da Redação
“Eu costumo dizer que a bola é o melhor brinquedo do mundo. Nenhum jogo de celular, rede social ou vídeo game consegue competir, pelo interesse da criança, com uma bola.” A frase é de Vinícius Araújo da Rocha, professor de educação física e treinador de futsal em Campo Grande, nascido em 29 de dezembro de 1997.
O contato dele com o esporte começou cedo. Filho de ex-jogador profissional de futebol, cresceu nos campos e quadras, onde aprendeu, desde pequeno, a relação entre disciplina e diversão. “Desde que me conheço por gente pratico esporte, meu pai foi jogador profissional de futebol e com isso sempre me levou para os campos”, conta. O início foi com o futebol e o futsal, mas o interesse natural pela prática esportiva o levou a explorar outras modalidades.
A escolha pela educação física escolar, no entanto, não estava nos planos desde o início. A ideia inicial era seguir carreira como personal trainer. Foi durante a faculdade, nos estágios escolares, que veio a mudança de rota. “Ao conhecer o trabalho escolar durante o estágio, decidi que seria aquilo que queria fazer”, explica.
Hoje, Vinícius está voltado para o desenvolvimento de crianças e adolescentes no futsal. Ele não atua mais como atleta da modalidade, mas mantém o esporte como prioridade na sua trajetória profissional. “Atualmente não treino mais futsal, apenas brinco de vez em quando. Meu foco agora é me desenvolver em cursos e formações para aprimorar cada vez mais o ensino do futsal, tanto em âmbito competitivo quanto escolar.”
O trabalho no comando das equipes infantis trouxe experiências marcantes. Uma delas aconteceu quando o time organizado por ele lançou uma campanha direcionada aos pais nas arquibancadas. “A mensagem era: ‘Apenas torçam, somos crianças’. No futsal de base ainda existe muita briga, xingamento e confusão nas torcidas, constituída por pais e familiares dos atletas. A campanha deu muita visualização pois se tratava de um tema que todos os professores de futsal sofriam com isso.”
Na prática, a formação esportiva passa por treinos específicos e direcionados, mas também pelo olhar humano do professor sobre o grupo que tem em mãos. “O desenvolvimento físico e técnico dos alunos é trabalhado com muito treino, treinos específicos, treinos coletivos e instruções voltadas para a faixa etária dos atletas.”
Mesmo com a rotina de treinador, Vinícius buscou novos caminhos no esporte. Recentemente iniciou a prática do jiu-jitsu, motivado pela curiosidade, pela disciplina que a arte marcial exige e pela função de autodefesa. “Sempre procuro novas modalidades para me desafiar, e dessa vez escolhi o jiu-jitsu por admirar a história da arte e como funciona a hierarquia dentro do tatame. Além disso, acredito ser necessário um homem saber alguma arte marcial para se proteger e proteger sua família, e acredito ser o jiu-jitsu a melhor arte para isso.”
A modalidade já trouxe resultados expressivos, entre eles o título do Campeonato Brasileiro do Centro-Oeste, que lhe garantiu vaga para o Mundial no Rio de Janeiro. “Como atleta de jiu-jitsu, foi quando ganhei o campeonato brasileiro do Centro-Oeste e me classifiquei para o mundial no Rio de Janeiro.”
Mesmo ainda em fase inicial, os princípios do tatame já influenciam o modo como Vinícius conduz seu trabalho com o futsal. Ele cita o respeito, a resiliência e a paciência como valores centrais. “O respeito, tanto pelo seu professor, quanto pelo colega de treino, quanto pelo adversário. O trabalho duro, não há talento que não seja superado pelo trabalho duro. E a resiliência e paciência para que entenda que o processo de ensino e evolução leva tempo, mas com constância ele será alcançado.”
A rotina de atleta e professor nem sempre é simples de administrar. “A principal dificuldade, e acredito que da maioria, é o tempo: trabalho, obrigações, família, treinos e estudos.” O equilíbrio exige disciplina, mas também consciência de que o processo é parte essencial do resultado.
Aos jovens que sonham com uma carreira no esporte, o recado é direto. “Que deem sempre o seu melhor. O treino, suor e trabalho duro devolvem em forma de aprendizados e conquistas. Aproveitem o momento, desfrutem cada parte do processo, cuidem do corpo que é a ferramenta do atleta e nunca desistam do seu sonho.”
Para Vinícius, o impacto do esporte vai além da quadra ou do tatame. Ele enxerga nas modalidades uma ferramenta capaz de transformar vidas. “O esporte é a melhor ferramenta de inclusão social que existe no mundo. O esporte ajuda a combater depressão, obesidade, ansiedade. Além de desenvolver psicomotricidade, coordenação motora e força.”
Essa visão se reflete no trabalho diário com as crianças. Para ele, cada treino é também uma oportunidade de ensinar valores que ultrapassam o resultado de uma partida ou de uma competição. “Meu objetivo profissional é me desenvolver cada vez mais para contribuir com o ensino do esporte para crianças e adolescentes. E esportivamente é evoluir mais na modalidade do jiu-jitsu para que um dia possa ensinar também.”