Da Redação
“Foi quando passei do qualifying do Brasileiro adulto ao lado do Miguel.” A frase resume um dos momentos que Rafael Lucas Queiroz, nascido em 6 de setembro de 2004, considera decisivos em sua trajetória no voleibol. O resultado, segundo ele, marcou não apenas uma etapa competitiva, mas também uma mudança na forma de encarar o esporte.
Rafael começou no vôlei de quadra aos 7 anos, na Escolinha do Pezão, com um objetivo que ia além do rendimento esportivo. “Entrei com o propósito de me socializar, porque era muito tímido na época”, conta. A permanência na modalidade foi moldando outros interesses. Aos 11 anos, disputou a primeira competição e, a partir dali, passou a buscar evolução constante.
Com o tempo, vieram as seletivas para outros clubes e a convocação para o primeiro Campeonato Brasileiro de Seleções (CBS) no vôlei de quadra. “Foi quando vi que dava para ser algo além de só mais um atleta”, afirma. A partir dessa percepção, adotou uma rotina mais rígida de treinos, musculação e alimentação. “Comecei a treinar todo dia, comecei academia, comecei a regrar minha alimentação e a me privar de certas coisas, até porque o resultado não vem sem esforço.”
A pandemia de Covid-19 interrompeu o ritmo de treinos e competições, o que gerou desânimo. “Parecia que todo o meu esforço tinha sido descartado.” O apoio da família foi determinante para a continuidade. “Meus pais sempre me apoiaram em tudo. Eles chegaram em mim e falaram: ‘Calma, meu filho, vai passar e você vai voltar. Tenha paciência’.” Com a retomada das atividades, Rafael retornou aos treinos com o objetivo de recuperar o tempo perdido.
Depois da pandemia, voltou a disputar o CBS. “Entrei em todos os jogos como oposto titular e consegui entregar um jogo bom”, relata. Apesar das conquistas no vôlei de quadra, ele afirma que passou por um novo momento de desmotivação. “Mesmo ganhando várias competições, comecei a desanimar de novo. Eu estava sem um propósito.”
A mudança de cenário veio com a transição para o vôlei de praia, no CT Calepes. “No começo, eu não sabia nada, só sabia bater forte na bola”, diz. A adaptação exigiu paciência e repetição. “Com muitos erros e muitos treinos, fui me adaptando ao estilo de jogo.” Ainda no primeiro ano na areia, conquistou quatro títulos estaduais, um título regional e campeão da temporada sub-19 no estado, ao lado do parceiro Luiz, com orientação do técnico Roberto Calepes.
O calendário passou a incluir viagens frequentes para etapas nacionais. “Exigiu muito controle emocional, tanto dentro de quadra para fazer um jogo bom, quanto fora, porque eu estava longe da minha família, algo a que eu não era acostumado.” A experiência fora do estado trouxe desafios que ultrapassaram a parte técnica.
Entre as conquistas mais marcantes, Rafael destaca o primeiro título estadual no vôlei de praia. “Foi um resultado que eu não esperava, porque tinha muitas duplas boas.” Também menciona o título regional, alcançado em meio a dificuldades enfrentadas pela dupla. “Mesmo com tantos problemas, conseguimos alcançar o objetivo.”
O momento citado no início da reportagem — a classificação no qualifying do Campeonato Brasileiro adulto — é tratado como um divisor de águas. Ao lado de Miguel, descrito por ele como “o primeiro jogador adulto que aceitou jogar comigo”, Rafael superou a fase classificatória e disputou jogos na chave principal. “Passamos e fizemos jogos muito bons dentro do torneio.” Para ele, o resultado simbolizou avanço técnico e amadurecimento psicológico. “Foi quando melhorei meu psicológico, meu desempenho e minha visão de jogo.”
Ao analisar o cenário estadual, Rafael avalia que há evolução, mas também limitações. “Acredito que o vôlei tem melhorado aos poucos aqui no estado, mas ainda tem muito a evoluir, principalmente na valorização dos atletas que temos aqui.” A observação aponta para desafios estruturais enfrentados por quem busca espaço em competições nacionais.
Entre as referências, ele cita Carlos Eduardo Miranda, atleta que também treina no CT Calepes. “A dedicação dele é algo admirável e, mesmo com todos os problemas, ele não se deixa abalar.” A convivência diária com outros atletas, segundo Rafael, influencia diretamente sua forma de encarar treinos e competições.
Aos 21 anos, Rafael Queiroz soma passagens pelo Campeonato Brasileiro de Seleções no vôlei de quadra, títulos estaduais e regionais na areia e participação em etapas nacionais do vôlei de praia. A trajetória, iniciada como tentativa de superar a timidez, hoje é pautada por metas competitivas e pela busca de regularidade em torneios de maior nível técnico.
“O resultado não vem sem esforço”, repete, ao relembrar a mudança de postura que adotou ainda na quadra. Na areia, o princípio permanece como base para os próximos passos da carreira.