Da Redação
“No CrossFit, quando se está mais próximo da saúde, está mais longe da doença.” A frase resume a forma como Alisson Siqueira enxerga a modalidade que passou a integrar sua rotina a partir de 2017 e que, anos depois, se tornou também sua profissão.
Sempre ativo e ligado ao esporte, ele conta que o primeiro contato com o CrossFit aconteceu por meio de uma aula experimental. “Sempre fui ativo e gostei de esportes e movimento, mas meu primeiro contato foi em 2017. Fiz uma experimental e gostei, mas não dava pela minha situação financeira”, relata.
A oportunidade de retomar a prática veio anos depois, já no ambiente universitário. Em 2020, ele ingressou no curso de Educação Física da Unigran Capital por meio do Fies. A proximidade com o Centro de Treinamento BARU foi decisiva para aproximá-lo novamente da modalidade. “Em 2022, o Centro de Treinamento BARU, que ficava próximo à Unigran, abriu vagas para acadêmicos da área treinarem CrossFit três vezes por semana de graça e aproveitei a oportunidade”, explica.
O que começou como três treinos semanais rapidamente se intensificou. “De três vezes virou seis vezes. Eu amei o esporte”, afirma. O envolvimento com a rotina do box chamou a atenção da equipe, e, em meados de 2023, quando cursava o terceiro semestre, recebeu o convite para estagiar como auxiliar de treino. “Recebi um convite para estagiar no box como auxiliar de treino e, desde então, além de ser um praticante, busco estudar para passar da melhor forma o esporte à frente.”
Hoje formado em bacharelado, ele atua na Black Titã CrossFit e destaca que o início da trajetória profissional foi marcado por desafios ligados à experiência recente na modalidade. “O maior desafio para mim foi ser um praticante recente e já estagiar no início e estudar. Faltava um pouco de confiança diante dos praticantes mais antigos”, reconhece. Segundo ele, a saída foi transformar a insegurança em aprendizado. “Vi a oportunidade de estudar e aprender com eles.”
A formação acadêmica passou a caminhar junto com a prática diária no box. Para Alisson, o papel do coach exige atualização constante e compreensão do processo individual de cada aluno. Ele aponta que um dos principais equívocos de quem começa na modalidade está relacionado à ansiedade por resultados. “O maior erro no começo é ter pressa ou medo de achar que não é para você, ou achar que não consegue por algum motivo. Primeiro, paciência, entender o processo e procurar box e coaches qualificados para te ajudar diante da sua realidade.”
A adaptação dos movimentos é, segundo ele, um dos pilares do trabalho. “Nós adaptamos conforme a realidade de cada um. Todo movimento é adaptável e sem mudar o estímulo do dia”, afirma. Ele explica que os treinos envolvem padrões como puxada, empurrada e agachamentos, aplicados em diferentes variações. “Diante dos estímulos pretendidos, todos fazem de iguais para iguais.”
Sobre críticas e preconceitos em relação ao CrossFit, Alisson diz não perceber resistência dentro do seu ciclo social, mas reconhece a existência de desinformação. “Há desinformação diante do processo de aprendizagem ou medo de se lesionar, mesmo que todo esporte, se feito com um mau profissional ou executado de forma errada, vai te lesionar”, pontua. Para ele, a resposta é simples: “Nada me incomoda. Se alguém vier falar algo para mim, apenas convido para uma experimental.”
No contato diário com os alunos, ele relata mudanças que vão além do desempenho físico. “Já tivemos alunos que saíram da depressão e ajudaram na ansiedade”, conta. No entanto, destaca que os casos que mais o impressionam são os de pessoas sedentárias ou com sobrepeso que passam a incorporar o exercício à rotina. “Os que mais me impressionam são os sedentários ou com sobrepeso que mudam de vida com o CrossFit, visando condicionamento físico e saúde.”
A relação entre performance e saúde, segundo ele, depende dos objetivos individuais. “Performance e saúde andam juntos, mas dentro do CrossFit depende do objetivo pessoal. Há como adequar para qualquer pessoa, assim como as adaptações. Temos que conhecer o atleta e os objetivos.”
No cenário estadual, ele avalia que houve crescimento da prática nos últimos anos, inclusive com a popularização de outras nomenclaturas. “Em MS evoluiu bastante, tanto com outras nomenclaturas, como funcional, crosstraining, entre outras. Isso, na prática, faz com que mais pessoas façam exercícios, pois é uma modalidade em grupo, que auxilia na convivência.”
Para Alisson, o trabalho do coach vai além da orientação técnica. “O papel do coach é ser humano e entender o processo das pessoas e também lidar com elas, sempre sorrindo e feliz por fazer parte do cotidiano delas”, afirma.
Entre os próximos passos, ele cita a busca por certificações e continuidade na formação acadêmica. “Meus próximos projetos são conquistar o Level 1, que é uma graduação dentro do CrossFit, e continuar me especializando dentro do bacharelado e da licenciatura no Estado, ajudar crianças, adultos e idosos a continuarem saudáveis.”