Terça-feira, 14 de julho de 2026, 09:49

Entre a maternidade e as quadras: a rotina de Gabi Gonzales no esporte

da redação - 7 de mai de 2026 às 14:26 96 Views 0 Comentários
Entre a maternidade e as quadras: a rotina de Gabi Gonzales no esporte Da Redação

“Pensei que nunca mais pisaria em uma quadra novamente.” A frase resume um dos momentos mais difíceis vividos pela atleta sul-mato-grossense Gabi Gonzales, que encontrou no futsal e no futebol não apenas uma prática esportiva, mas também um espaço de pertencimento desde a infância.

 

Natural de Mato Grosso do Sul, Gabi começou a jogar ainda criança, aos 8 anos, em campos de terra onde passava horas correndo atrás da bola com outras crianças do bairro. Segundo ela, foi naquele ambiente simples que nasceu a ligação com o esporte.

 

“Comecei aos 8 anos de idade, jogando em um campo de terra, o famoso ‘terrão’, onde juntava as crianças para correr atrás de uma bola. Era ali a minha diversão. Desde muito pequena, senti uma paixão gigantesca por esse esporte”, contou.

 

A trajetória, no entanto, passou por uma interrupção inesperada em 2018. A atleta sofreu um acidente que resultou em uma fratura na bacia e ficou um ano afastada das quadras. Durante o período de recuperação, ela acreditou que não conseguiria voltar a jogar.

 

“Em 2018, fiquei um ano sem jogar. Sofri um acidente em que fraturei a bacia e pensei que nunca mais pisaria em uma quadra novamente. Foi um milagre voltar para o lugar que me traz paz e alegria. Deus opera milagres todos os dias, e eu sou prova viva disso”, afirmou.

 

Após a recuperação, Gabi retomou gradativamente a rotina esportiva e voltou a atuar tanto no futsal quanto no futebol de campo. Hoje, ela representa a cidade de Jardim, no interior de Mato Grosso do Sul, município onde também trabalha.

 

“Hoje moro em uma cidade do interior de Mato Grosso do Sul e atualmente represento Jardim-MS, cidade onde trabalho. É uma cidade acolhedora, cheia de amor pelo esporte, e é uma honra muito grande receber o convite para fazer parte da equipe”, disse.

 

Vivendo entre duas modalidades, a atleta explica que, apesar de terem características distintas, o sentimento dentro de quadra e de campo permanece o mesmo.

 

“Há uma diferença gigantesca entre o futsal e o futebol, mas a paixão é a mesma. No futsal, o jogo é mais acelerado, são reações rápidas e decisões que precisam ser tomadas a todo momento. Já no campo, você tem mais espaço e uma visão mais clara para decidir qual será seu próximo passo dentro do jogo”, explicou.

 

Entre as lembranças mais marcantes da carreira, Gabi destaca a participação nos Jogos Escolares durante a adolescência. Na época, mesmo sendo mais nova, foi escolhida para atuar em uma categoria acima da sua faixa etária.

 

“A competição que mais me marcou ainda foram os Jogos Escolares, quando eu era adolescente. Foi o primeiro campeonato do qual participei e foi incrível competir com times diferentes. Eu tinha entre 12 e 13 anos, e naquela época era permitido subir de categoria. Foi o que aconteceu comigo: os professores me escolheram para jogar na categoria de 15 a 17 anos”, relembrou.

 

Segundo ela, a experiência de dividir a quadra com atletas mais velhas trouxe confiança e aprendizado.

 

“Joguei com meninas mais velhas que eu e me senti muito orgulhosa de mim mesma, mesmo sendo tão pequena”, completou.

 

Além da rotina esportiva, Gabi também concilia trabalho, estudos, família e maternidade. Mãe de uma menina de 2 anos, ela afirma que a organização se tornou essencial para conseguir manter todas as atividades.

 

“Hoje, conciliar trabalho, treino, família e estudos exige muita organização. A rotina é corrida, mas, para quem ama o que faz, sempre existe um jeitinho. Tenho uma filha de 2 anos e, desde muito pequenininha, levo ela comigo sempre que possível, conciliando toda essa rotina”, contou.

 

Dentro de quadra, a atleta acredita que uma das principais qualidades é a capacidade de ouvir e colocar em prática as orientações recebidas da comissão técnica.

 

“Um ponto positivo que vejo em mim mesma é saber ouvir o que meus treinadores falam quando me chamam na lateral da quadra. Eles têm uma visão diferente do jogo fora de quadra e, quando escuto e coloco em prática o que pedem, as chances de acertar dentro de quadra são muito maiores”, afirmou.

 

Ao longo da caminhada no esporte, Gabi destaca a importância do apoio familiar e dos treinadores que passaram pela sua formação.

 

“Sempre tive muito apoio da minha família nessa modalidade. Também tive professores incríveis ao longo dessa caminhada, e cada um deixou um aprendizado diferente na minha vida”, disse.

 

Para esta temporada, a atleta afirma que o objetivo é manter a dedicação aos treinos e ajudar a equipe a buscar melhores resultados nas competições.

 

“Para esta temporada, quero me dedicar ainda mais aos treinos, agregar ao meu time e buscar chegar ao topo do campeonato. A vontade de vencer sempre existe, mas isso também depende de nós mesmas”, declarou.

 

Ao falar sobre o cenário do futebol feminino, Gabi reconhece avanços nos últimos anos, embora ainda veja desafios para quem deseja seguir carreira na modalidade.

 

“O futebol feminino ainda enfrenta muitas dificuldades, mas hoje é mais valorizado e mais visto do que antigamente”, avaliou.

 

Para as meninas que sonham em construir uma trajetória no esporte, ela deixa um conselho baseado na própria experiência dentro das quadras e dos campos.

 

“Sejam persistentes, tenham disciplina, treinem muito e cuidem do descanso. O sono e a recuperação também fazem parte do processo”, finalizou.

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.