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Entre a escola, a estrada e o treino: o dia a dia de um volante sub-13 de MS

da redação - 23 de fev de 2026 às 15:56 103 Views 0 Comentários
Entre a escola, a estrada e o treino: o dia a dia de um volante sub-13 de MS Da Redação

“Ando por dia uma média de 140 km.” A frase resume parte da rotina de Gabriel Birkholz, nascido em 24 de março de 2013, em Campo Grande, e morador de Sidrolândia. Aos 12 anos, o jovem atleta divide o tempo entre escola, estrada e treinos, em uma agenda que começa pela manhã e só termina à noite.

 

Gabriel conta que a relação com o futebol começou dentro de casa. “Meu pai gostava muito de jogar e eu acompanhava ele e já dava os primeiros chutes. Segundo meu pai, eu já chutava forte aos 4 anos.” O incentivo familiar foi decisivo no início da trajetória.

 

Ele aponta como pilares desse começo a mãe, o pai e o primeiro professor. “Minha mãe, meu pai e meu primeiro professor de escolinha de Sidrolândia, José Bonadiman (Bona), foram as pessoas mais importantes no início.” A partir das aulas na escolinha, o futebol passou a ocupar espaço central na rotina.

 

O momento em que o sonho ganhou novos contornos veio com a primeira oportunidade fora do estado. “Quando surgiu minha primeira oportunidade de fazer avaliação em um grande clube (Flamengo)”, relata, ao explicar quando percebeu que poderia levar o futebol além de um sonho de infância. A chance de ser observado por um clube de expressão nacional passou a orientar metas mais concretas.

 

Atualmente, Gabriel atua como volante e diz buscar evolução constante na posição. “Tenho bastante visão, chute forte, marcação dura. Gosto muito de atuar como volante, seja primeiro ou segundo homem.” Para aprimorar o desempenho, afirma que acompanha atletas da mesma função. “Busco evoluir sempre na minha personalidade, postura e, principalmente, na posição em que jogo, sempre buscando informações sobre grandes jogadores da posição.”

 

Entre as referências, cita nomes do cenário nacional e internacional: “Gosto muito de Casemiro, Toni Kroos e Neymar. Gosto do estilo de jogo de cada um deles e tento trazer para a minha vida um pouco de cada, porque são jogadores que têm muita qualidade.” Ele observa características técnicas e comportamentais, procurando adaptar elementos ao próprio estilo.

 

Um dos episódios mais marcantes até agora foi no Campeonato Estadual Sub-13. “Atuei em algumas partidas com 12 anos. No jogo decisivo contra o ABC, fiz gol de pênalti. Foi um peso enorme para uma criança.” A cobrança em uma partida decisiva é lembrada como experiência de responsabilidade precoce dentro de campo.

 

A rotina diária envolve deslocamento constante entre Sidrolândia e Campo Grande. “Moro em Sidrolândia e vou quase todos os dias para Campo Grande treinar e jogar.” O trajeto soma cerca de 140 quilômetros por dia. “Saio depois do almoço e volto à noite para casa. Tenho deveres de escola e é bem puxado, mas minha mãe faz o possível para me ajudar e assim sempre consigo conciliar.” Pela manhã, frequenta a escola; à tarde, treina; à noite, divide o tempo entre tarefas, momentos de lazer e compromissos religiosos. “Sempre consigo conciliar escola pela manhã, treino à tarde e alguns minutos para brincar à noite ou nos dias de folga, sem deixar de ir à igreja.”

 

Ao falar das dificuldades enfrentadas por jovens atletas de Mato Grosso do Sul, Gabriel menciona a falta de apoio estrutural. “Ajuda, incentivo, empresas que queiram de alguma forma colaborar. Não temos incentivo nem de prefeitura nem de governantes.” A necessidade de suporte financeiro e institucional aparece como um dos principais obstáculos para quem busca espaço fora do estado.

 

Mesmo diante das limitações, ele destaca o apoio recebido no clube atual. “Sou muito grato ao meu clube, Náutico, que me acolheu, onde já estou há três anos, buscando melhorar a cada dia junto aos professores.” Também cita o dirigente que o acompanha. “Agradeço ao Júlio, dono do clube, que me apoiou e tem me ajudado muito, uma pessoa incrível que aposta muito e confia em mim.”

 

Sobre o futuro, Gabriel estabelece metas claras. “Meu objetivo maior é me transferir para um grande clube. Sei que não é fácil, mas sigo treinando forte para isso.” O planejamento passa pela continuidade do trabalho e pela manutenção do desempenho em competições de base.

 

A fé também é parte do discurso. “Como todo menino sonha, quero ser um grande jogador de futebol, se assim for da vontade de Deus. Tenho muita fé que o Senhor Jesus vai me abençoar.” Ao resumir o momento que vive, faz uma afirmação que sintetiza a própria expectativa: “As lutas são grandes, mas a minha vitória será muito maior.”

 

Entre escola, estrada e campo, Gabriel Birkholz mantém a rotina que considera necessária para alcançar o objetivo de atuar em um grande clube. A agenda diária, marcada por deslocamentos e treinos, é tratada como etapa de um processo que ele entende como gradual. “Sigo treinando forte para isso”, repete, ao projetar os próximos anos.

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