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“Em hipótese alguma desistir”: Marlon Nogueira divide rotina entre o crossfit e o vôlei de praia

da redação - 6 de mar de 2026 às 16:43 83 Views 0 Comentários
“Em hipótese alguma desistir”: Marlon Nogueira divide rotina entre o crossfit e o vôlei de praia Da Redaçao

“Em hipótese alguma desistir”. A frase resume a forma como o atleta e coach Marlon Nogueira Rodrigues encara a própria trajetória no esporte. Natural de Antônio João (MS) e nascido em 8 de abril de 1997, ele divide sua rotina entre duas frentes: o trabalho como treinador de crossfit e a carreira como atleta de vôlei de praia, modalidade na qual já conquistou o vice-campeonato brasileiro e soma 11 títulos estaduais em Mato Grosso do Sul.

 

A relação com o esporte começou dentro de casa. Marlon conta que o incentivo veio principalmente da família, que sempre esteve envolvida com o vôlei de praia. Entre as maiores influências está o tio, Mauro Nogueira, que representou o estado em competições pelo país.

 

“Minha relação com o esporte veio por meio da minha família, que sempre viveu do esporte, principalmente meu tio Mauro Nogueira, que representou nosso estado Brasil afora na modalidade. Foi ele quem mais me deu força para seguir no esporte”, afirma.

 

Além do incentivo familiar, os pais também tiveram participação nesse processo, já que também praticavam a modalidade. O crossfit surgiu posteriormente, a partir de contatos dentro do próprio meio esportivo. Marlon explica que a conexão aconteceu por meio do proprietário do box onde trabalha atualmente.

 

“O crossfit veio por meio de conhecidos, pois meu tio Mauro jogou ao lado do Antônio Urbanski, que hoje é proprietário do Crossfit Raros, onde sou o principal coach. Hoje estou dividido nesse amor pelas duas modalidades.”

 

Mesmo com a dupla atuação, foi no vôlei de praia que vieram alguns dos resultados mais expressivos de sua carreira. Entre eles está o vice-campeonato brasileiro, resultado que ele considera o mais significativo até agora.

 

“Sem dúvida nenhuma a maior conquista foi o vice-campeonato brasileiro, onde pude representar meu estado e ficar entre os melhores do Brasil. Mas jamais esqueço dos estaduais, que me fizeram chegar até o nacional.”

 

A caminhada dentro do cenário estadual também teve momentos importantes. Segundo ele, uma das primeiras etapas vencidas teve significado especial após anos tentando alcançar as primeiras posições.

 

“Minha primeira etapa do estadual também foi muito importante. Eu já estava há mais de três anos tentando chegar entre os melhores do estado. Hoje, em 2026, estou liderando o ranking estadual há três anos como melhor jogador.”

 

Conciliar a carreira de atleta com o trabalho como treinador exige disciplina e uma rotina intensa. Marlon descreve um dia que começa ainda de madrugada e termina apenas à noite.

 

“Tento conciliar ao máximo, pois não é fácil uma rotina de acordar super cedo para dar aula e, mesmo assim, se preparar para ir ao treino. Acordo às quatro da manhã, dou três aulas de crossfit, treino vôlei das 9h30 às 11h30, à tarde faço preparação física e depois volto para as aulas.”

 

Apesar da carga de trabalho, ele afirma que a dedicação às duas áreas está ligada ao fato de gostar de ambas. Ainda assim, reconhece que gostaria de concentrar sua carreira apenas no vôlei de praia.

 

“É uma rotina muito intensa, porém gratificante, pois amo as duas modalidades. Mas gostaria muito de me dedicar somente a uma, que é o vôlei, que sempre amei na vida e que fez eu ser quem sou hoje. Porém, o vôlei está sem apoio e acabo ficando dividido.”

 

Na preparação física, Marlon aponta semelhanças e diferenças entre as duas modalidades. Enquanto o crossfit trabalha capacidades físicas gerais, o treinamento para o vôlei de alto rendimento exige uma preparação mais específica.

 

“O crossfit busca ganho de força, potência, equilíbrio, flexibilidade, mobilidade e agilidade. Já o vôlei de alto rendimento utiliza alguns treinos do crossfit, mas mais voltados para a modalidade, como potência de salto e força explosiva.”

 

No cenário estadual, ele avalia que o vôlei de praia em Mato Grosso do Sul tem evoluído, mas ainda enfrenta dificuldades para ampliar a competitividade das etapas.

 

“O vôlei de praia no estado vem ficando cada vez mais competitivo, porém poderia ser mais. As inscrições nas etapas são baixas por conta das premiações, e isso acaba fazendo com que atletas de outros estados não venham competir.”

 

Mesmo com esse cenário, Marlon observa um crescimento na base da modalidade, com a presença de novos atletas nas categorias mais jovens.

 

“Nossa base vem muito forte, com bastante adolescentes treinando vôlei de praia. Eles vão ser o futuro do nosso estado.”

 

Quando fala sobre competições, ele destaca que a pressão faz parte da vida de qualquer atleta. Para ele, a melhor forma de lidar com isso é manter a preparação em dia.

 

“A pressão sempre vai existir, sempre tem aquele frio na barriga. Mas, se você se preparou para fazer o que precisa ser feito, as coisas vão fluir. Quando o atleta se sente preparado, a pressão diminui.”

 

Um dos momentos mais desafiadores aconteceu justamente na final do Campeonato Brasileiro, quando chegou perto de um título inédito.

 

“Com certeza o maior desafio foi físico. Eu nunca tinha chegado a uma final de brasileiro, e o cansaço acabou chegando. A tão sonhada conquista brasileira para nosso estado não veio.”

 

Além da carreira como atleta, Marlon também se dedica ao trabalho como coach de crossfit. No contato diário com os alunos, ele aponta que o maior desafio é manter a regularidade nos treinos.

 

“A maior dificuldade é ter constância. Tento motivar todos os dias, por isso estou sempre lá com bom humor, conversando, motivando. Às vezes é com uma conversa, às vezes com um abraço de professor, mas sempre puxando cada um para cima.”

 

Para o futuro, o objetivo é ampliar sua presença no cenário nacional do vôlei de praia e buscar condições para competir em mais etapas.

 

“Minhas metas são estar no ranking do Brasil e poder representar meu estado no cenário nacional, com apoiadores que possam dar suporte. Não é fácil disputar as etapas sem ter apoio.”

 

No trabalho como treinador, ele também projeta novos passos.

 

“Como treinador, meu objetivo é um dia ter meu próprio box.”

 

Ao falar com jovens atletas, Marlon deixa um recado baseado na própria experiência dentro do esporte.

 

“Com toda certeza, o conselho é não desistir. Isso serve não só para o esporte, mas para qualquer coisa que você queira muito. Eu vim de baixo, fui conquistando aos poucos, sempre acreditando que um dia estaria jogando com os melhores.”

 

E reforça a mensagem que considera essencial para quem busca evoluir no esporte.

 

“A maior palavra que deixo aqui é: em hipótese alguma desistir.”

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