Da Redação
“Eu precisava de algo para fazer.” A frase, dita por Eddy Silva Acácio, resume o ponto de partida de um percurso que começou por necessidade e se transformou em trajetória esportiva. Nascido em Dourados, em 24 de março de 2006, o jovem atleta iniciou no muay thai em 2021, em meio às limitações impostas pela pandemia da Covid-19. Com pouca opção de treino e rotina restrita, encontrou na academia do professor Kallew dos Santos uma oportunidade de ocupação e, mais tarde, de competição.
Eddy relata que o início foi marcado pela adaptação ao novo contexto e pela descoberta de um ambiente que o acolheu. “Era difícil treinar na pandemia, mas encontrei a academia do professor Kallew perto de casa”, lembra. A influência do treinador foi determinante para que o jovem avançasse no esporte. “O professor Kallew me ajudou muito, dando apoio e incentivo para continuar”, afirma. Essa confiança permitiu que Eddy migrasse rapidamente para o kickboxing, modalidade na qual passou a competir pouco depois.
Com 19 anos, ele hoje concilia estudos e treinos. A rotina é menos intensa do que em períodos anteriores, mas ainda exige organização. “Estudo durante o dia e treino à noite. Mesmo assim é um pouco cansativo”, explica. O esforço, porém, tem rendido resultados. Eddy coleciona conquistas esportivas que incluem títulos estaduais, medalhas no Brasileiro Centro-Oeste e resultados em eventos profissionais.
Mesmo com as vitórias, foi uma competição universitária que marcou mais de perto sua trajetória. O jovem define o Campeonato Brasileiro Universitário como o torneio que mais o impactou. “Com certeza o campeonato mais marcante foi o Brasileiro Universitário, no qual conquistei o 2º lugar”, afirma. A experiência, segundo ele, reforçou o entendimento de que o esporte exige constância e disciplina. “Aprendi a ser disciplinado com os treinos e a cuidar bem do corpo. Mantive um ritmo bom de treinos e atenção com a alimentação”, conta.
Apesar da evolução dentro do kickboxing, Eddy identifica obstáculos que atravessam a rotina de praticamente todos os atletas de Mato Grosso do Sul. O peso financeiro das competições é o principal deles. “Acho que o maior desafio não só para mim, mas para todos os atletas do estado, é o alto custo para competir em outros estados e países”, pontua. Ele destaca que viagens, hospedagens e inscrições representam dificuldades recorrentes. “Sempre temos dificuldade para custear viagens, seja hospedagem, inscrição ou outros gastos”, diz. A falta de apoio financeiro, segundo o atleta, compromete o acesso a eventos de maior expressão e limita a continuidade de muitos jovens no esporte.
Para este ano, Eddy projeta manter o ritmo competitivo e somar novas vitórias ao cartel. “Quero continuar competindo, manter os treinos e um cartel positivo de vitórias”, resume. Para quem ainda não pratica, ele vê o kickboxing como uma ferramenta de desenvolvimento físico e pessoal. “O kickboxing é um esporte que ajuda muito na disciplina e na saúde. Tenho certeza de que pode ajudar quem quiser começar”, afirma.