Da Redação
Entre a rotina de treinos, estudos e decisões sobre o futuro, o jovem atleta sul-mato-grossense Guilherme Careno Pistori Dias Santos, de 19 anos, vive um momento de definição. Natural de Coxim, ele divide sua trajetória esportiva entre o voleibol, tratado como projeto de vida, e a corrida, prática que mantém como elo familiar e forma de equilíbrio pessoal.
“O esporte é a minha maior salvação. Eu não vou me referir a um em específico… eu sou um atleta que depende do esporte para a minha vida correr bem, pois toda vez que tenho um dia ruim, ou estou perdido, de cabeça cheia, é no esporte onde eu me alivio, me desestresso e me encontro”, afirma.
A relação com o esporte começou ainda na infância, influenciada diretamente pelo ambiente familiar. Segundo Guilherme, a prática sempre esteve presente dentro de casa. “Desde muito novo, toda a minha família sempre foi muito ativa nessa questão de esportes. Meu avô, tios e tias correm, pedalam… então, desde muito cedo estou no mundo dos esportes.”
Mesmo com essa base diversificada, ele encontrou no voleibol uma direção mais definida dentro da sua trajetória. Ainda assim, optou por não abrir mão da corrida, atividade que mantém como hábito coletivo. “Sempre fui um atleta que pratica mais de um esporte. Gosto muito de uma rotina bem movimentada. Eu pratico a corrida como um hobby em família, pois todas as corridas que participo tenho a companhia deles. E o voleibol é uma grande paixão que encontrei durante a minha vida desportiva.”
A decisão de conciliar as duas modalidades passa por diferentes significados atribuídos a cada uma delas. “Não queria deixar de correr e acompanhar minha família, principalmente meu avô, que é minha inspiração nos dias de hoje. E também não queria deixar de lado o esporte que é minha maior paixão e meta de vida, que é o voleibol.”
No cenário competitivo, Guilherme aponta o voleibol como o principal desafio atual. Ele destaca o ambiente de disputa por espaço dentro da equipe e a cobrança interna como fatores determinantes. “Acredito que o voleibol, pois jogo pelo time da minha cidade, em que existe uma competitividade grande na disputa de vagas para o time que participa de campeonatos. Isso acarreta uma cobrança maior vinda de mim mesmo.”
Já na corrida, a relação é diferente. “Na corrida, não tenho a cobrança e a pressão do voleibol, porque, para mim, é mais importante o momento em família ali.”
Entre os momentos já vividos no esporte, ele cita experiências distintas nas duas modalidades. No voleibol, a primeira competição oficial marcou sua trajetória. “O momento mais marcante foi o meu primeiro campeonato que fui jogar, o Jojums, no ano de 2023. Ficamos em sétimo como o time do estado, mas foi a melhor experiência até hoje na minha vida no voleibol.”
Na corrida, a memória mais significativa envolve justamente a participação coletiva com familiares. “Tenho o primeiro Coxim Xtreme, que era uma corrida em pista de obstáculos, em revezamento com equipes. Minha família montou um time, participamos e ganhamos o campeonato.”
Apesar da continuidade nos treinos, Guilherme relata que atravessa uma fase comum entre jovens atletas: a necessidade de conciliar o desenvolvimento esportivo com decisões acadêmicas e profissionais. “A principal dificuldade que eu enfrento hoje em dia é mais uma fase que estou passando, que todo jovem atleta, acredito eu, passa. É a fase em que tenho que decidir entre o mundo pelo qual sou apaixonado, que é o dos esportes, ou dar um tempo e focar no futuro com os estudos.”
A influência familiar segue presente, especialmente na figura do avô, apontado como principal referência. “Meu avô, desde muito novo, apresentou a mim e à minha família o mundo desportivo. Na casa dele existe uma parede inteira de medalhas e troféus que ele coleciona ao longo da vida. E toda vez que eu vou lá e vejo, penso: ‘Meu Deus, eu quero isso para mim’.”
Sobre os objetivos, Guilherme adota um discurso voltado ao processo de evolução contínua. “Em ambos os esportes, minhas metas são treinar e melhorar, tanto o físico, técnico e o psicológico, para sempre poder entregar o meu máximo em qualquer oportunidade que surja para eu mostrar do que sou capaz.”
Ao falar diretamente com outros jovens, ele destaca a realidade de altos e baixos no esporte, sem romantização. “O mundo do esporte é feito de altos e baixos. Você nem sempre vai entregar tudo o que é capaz, mas está tudo bem, é completamente normal. E vale muito a pena todo o suor derramado. É inexplicável a sensação de dever cumprido e de realização quando você se supera em cada campeonato ou treinamento.”
Ele encerra com um alerta que sintetiza sua relação com a prática esportiva. “Mas já aviso: é um caminho sem volta. Mas vale muito a pena.”