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Do primeiro toque ao sonho de alto nível: atleta detalha rotina, dificuldades e metas no esporte

Lívia destaca talento e falta de apoio no vôlei
da redação - 12 de fev de 2026 às 16:06 99 Views 0 Comentários
Do primeiro toque ao sonho de alto nível: atleta detalha rotina, dificuldades e metas no esporte Redação

“Cheguei lá sem saber nem fazer uma manchete, toque ou saque, sem saber nem o básico”. A frase resume o início da relação de Lívia Guerino, de 16 anos, com o vôlei, esporte que passou a fazer parte da rotina da jovem atleta sul-mato-grossense a partir de um projeto esportivo em sua cidade. Antes disso, o contato com a modalidade havia começado apenas nas aulas escolares, sem maiores pretensões competitivas.

 

Segundo a atleta, o interesse pelo esporte surgiu gradualmente. “Minha relação com o vôlei começou na escola e depois fui para o projeto que tinha na cidade em 2024. Cheguei lá sem saber nem o básico, mas aos poucos comecei a me interessar mais pelo esporte e me apaixonar cada dia mais pelo vôlei”, afirmou. O desenvolvimento técnico aconteceu ao longo dos treinos e das experiências em jogos locais, o que contribuiu para ampliar sua visão sobre a modalidade e suas possibilidades.

 

A trajetória, no entanto, foi marcada por dificuldades estruturais. Lívia relata que a falta de oportunidades foi um dos principais desafios enfrentados desde o início. “Aqui sempre foi mais valorizado o futebol do que o vôlei. A cidade ficou oito anos sem o projeto do vôlei e, quando voltou, continuaram valorizando mais o futebol. Quase não tínhamos treinos”, disse. De acordo com ela, o cenário impacta diretamente o desenvolvimento dos atletas e a continuidade de jovens no esporte.

 

Além da escassez de atividades regulares, a atleta também destaca a desvalorização da modalidade e dos próprios jogadores. “A maior dificuldade foi a oportunidade e as pessoas desvalorizando o vôlei e os atletas”, relatou. Mesmo diante das limitações, ela seguiu participando de competições e atividades que contribuíram para sua evolução dentro de quadra.

 

O incentivo familiar e a presença de profissionais do esporte tiveram papel importante na permanência da jovem no vôlei. “As pessoas que mais me incentivaram dentro e fora de quadra foram minha treinadora da época e meus pais”, contou. O apoio próximo ajudou a manter a motivação durante os períodos em que havia poucos treinos e estrutura limitada.

 

Atualmente, a rotina da atleta inclui treinos duas a três vezes por semana no período da tarde, conciliados com a escola pela manhã. “No tempo livre que tenho, sempre estou jogando vôlei de areia no parque que tem aqui em Itaporã ou no ginásio. Às vezes é puxado ter que equilibrar tudo, mas é um dia de cada vez, então temos que aprender a equilibrar e lidar com as situações”, explicou. A prática constante, segundo ela, é uma forma de compensar a falta de atividades mais frequentes.

 

Entre as experiências mais marcantes da carreira até agora, Lívia destaca a participação no JOJUMS de 2024. “Uma das coisas mais marcantes para mim foi o JOJUMS de 2024”, afirmou. Além disso, os jogos municipais também contribuíram para mudanças na forma de enxergar o esporte e sua própria evolução. “Um dos jogos que fez eu mudar meu jeito de enxergar o vôlei foram os jogos municipais aqui da cidade e o JOJUMS”, disse.

 

Dentro de quadra, a atleta afirma que busca manter constância e evolução contínua. “A característica que mais me define dentro do jogo é sempre dar meu melhor em cada jogo, independente se é um torneio ou amistoso, e sempre buscar melhorar e evoluir a cada treino”, relatou. A postura reflete a tentativa de compensar as dificuldades estruturais com dedicação individual.

 

Ao analisar o cenário do vôlei feminino em Mato Grosso do Sul, Lívia aponta a existência de talento, mas ressalta limitações recorrentes. “O vôlei feminino em Mato Grosso do Sul tem muito talento, mas ainda é pouco valorizado. Muitas vezes falta apoio, investimento e uma estrutura melhor para as atletas. Também falta mais visibilidade”, afirmou. Segundo ela, esses fatores dificultam o crescimento das equipes e contribuem para a desistência precoce de atletas com potencial.

 

Em relação aos próximos passos, a jovem estabelece metas tanto no curto quanto no longo prazo. “A curto prazo quero evoluir tecnicamente e psicologicamente. A longo prazo, sonho em jogar em alto nível, representar meu estado e, quem sabe, o país, e construir uma carreira sólida no vôlei”, disse. O planejamento inclui aprimorar habilidades dentro de quadra e fortalecer o aspecto mental para enfrentar competições mais exigentes.

 

Para outras meninas interessadas em seguir no esporte, a atleta reforça a importância da persistência diante das dificuldades. “Persista e não deixe que os outros ditem quem você é. Confie em você mesma e continue lutando até conquistar o que você quer”, concluiu.

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