Da Redação
“Comecei por diversão.” A frase de Ana Beatriz Arce Galhardo resume a forma como o vôlei entrou na vida da atleta campo-grandense. Hoje com 19 anos, ela iniciou no esporte aos 10, observando os pais jogarem vôlei de areia nas praças da cidade. “Meus pais costumavam jogar vôlei na areia, em praças, com amigos, e foi nesse ambiente que comecei a me interessar pelo esporte.” A curiosidade infantil abriu caminho para a prática, e, com o tempo, evoluiu para o que ela descreve como um “amor pelo vôlei de praia”.
O primeiro sinal de que a modalidade poderia ser mais do que lazer surgiu cedo. Aos 11 anos, participou do Campeonato Estadual de Vôlei de Praia Sub-18 ao lado de uma parceira, em uma estreia que ela define como inesperada. “Participamos de última hora, eu tinha apenas 11 anos e fazia pouco tempo que jogava.” O resultado surpreendeu. “Conquistamos o 3º lugar, mesmo sendo muito novas.” A experiência foi determinante. “Foi ali que percebi que poderia ir além e encarar o esporte de forma mais competitiva.”
O episódio marcou o início de uma jornada que se desenvolveu dentro das possibilidades — e também das limitações — do voleibol sul-mato-grossense. Para Ana Beatriz, o principal obstáculo foi a falta de apoio. “A maior dificuldade foi a falta de incentivo. O vôlei em Mato Grosso do Sul já evoluiu bastante, mas ainda enfrenta limitações, principalmente em relação a apoio financeiro, passagens e maior número de competições.” A percepção resume uma realidade comum a atletas jovens no estado, que dividem o calendário esportivo com custos elevados e poucas oportunidades de intercâmbio competitivo.
A base para seguir competindo veio de casa. A atleta destaca que a família teve papel central em sua trajetória. “Minha maior base sempre foi minha família, especialmente minha mãe, Gisele, e meu padrasto, Luciano. Eles foram essenciais em toda a minha trajetória, me apoiando, incentivando e acreditando em mim em todos os momentos.” O apoio estruturou não apenas a entrada no esporte, mas a continuidade, mesmo diante das dificuldades logísticas e financeiras.
Entre as experiências acumuladas, Ana Beatriz destaca um episódio nacional como o mais marcante até agora. “O jogo mais marcante foi aquele em que conquistei minha primeira medalha nacional, nos Jogos da Juventude, com o 3º lugar.” Ela lembra que a competição reunia equipes de todas as regiões, em um ambiente exigente. “Foi um Campeonato Brasileiro extremamente concorrido.” Representar Mato Grosso do Sul e subir ao pódio deu ainda mais sentido à caminhada. “Conquistar essa medalha foi algo muito especial e gratificante.”
A rotina atual da atleta mudou em 2025 com o início da faculdade de Engenharia de Alimentos, o que exigiu ajustes na agenda e reduziu o ritmo de treinos. Ainda assim, ela mantém uma programação que combina esporte e preparação física. “Treino vôlei de praia duas vezes por semana no CT Bel e Lilan, além de realizar treinos de musculação três vezes por semana na academia, com acompanhamento do personal trainer Juliano Simplicio.” Mesmo com menor volume de viagens e competições, os objetivos esportivos permanecem na pauta. “Meu objetivo é seguir participando dos Campeonatos Estaduais Adultos de Vôlei de Praia e, se possível, do Campeonato Brasileiro Sub-21, conciliando os estudos com o esporte.”
Quando avalia o cenário estadual, Ana Beatriz aponta caminhos que, em sua visão, poderiam fortalecer o desenvolvimento do vôlei local. Segundo ela, é necessário que haja mais cooperação entre treinadores e centros de treinamento. “Acredito que falte mais parceria entre centros de treinamento, com um relacionamento mais saudável entre técnicos e atletas.” Para ela, rivalidades internas acabam interferindo no rendimento e no progresso dos jovens esportistas. “Muitas vezes, rivalidades desnecessárias acabam prejudicando os próprios atletas.” Além disso, destaca a importância de apoio institucional mais robusto: “É fundamental um maior apoio do estado, mais competições e auxílio financeiro para custear viagens.”
Fora das quadras, a rotina acompanha o período de transição para a vida universitária, o que exige organização e adaptação. “Estou cursando Engenharia de Alimentos, uma área fora do esporte, o que demanda bastante dedicação.” Para manter o equilíbrio entre estudo, vida pessoal e prática esportiva, ela busca conciliar horários sem abrir mão de momentos de descanso e convivência. “Procuro organizar bem minha rotina, passar tempo com minha família e, mesmo nos momentos de descanso, acabo sempre participando de um ‘voleizinho’ no fim de semana.” Segundo ela, trata-se de uma fase de ajustes. “Estou vivendo uma nova fase da minha vida, aprendendo a equilibrar estudos, vida pessoal e esporte, mesmo que isso signifique reduzir um pouco os treinos neste momento.”