Da Redação
“Comecei a fazer jiu-jitsu para poder ter uma ocupação e sair do mundo da internet do celular. Porque depois que perdi meu avô, eu me perdi no mundo do celular.” A fala de Arthur Miguel de Oliveira Lima, de apenas 10 anos, resume como o esporte passou a ocupar um espaço central em sua vida e ajudou a reorganizar sua rotina, seus objetivos e sua relação com o dia a dia.
Nascido em 12 de fevereiro de 2015, em Campo Grande (MS), Arthur iniciou no jiu-jitsu aos 7 anos. A modalidade surgiu inicialmente como uma alternativa para ocupar o tempo, mas rapidamente se transformou em um compromisso que envolve disciplina, organização e metas claras. Atualmente, ele concilia os estudos com uma rotina intensa de treinos, que inclui jiu-jitsu e judô.
Arthur estuda no período da manhã, até às 11h10. À tarde, a rotina esportiva começa às 15h, com preparação física. “Das 16h às 18h faço meu primeiro treino de jiu-jitsu, esse horário faço todos os dias”, explica. Além disso, duas vezes por semana ele retorna ao tatame no período noturno, treinando jiu-jitsu das 20h às 21h. Paralelamente, pratica judô três vezes por semana, das 19h às 21h, ampliando o repertório técnico e físico.
O incentivo familiar e técnico é apontado como fundamental para a continuidade no esporte. “Meus pais, meus mestres do jiu-jitsu e meus senseis do judô” são, segundo ele, as principais referências e fontes de apoio. A presença constante dessas figuras contribui para manter a regularidade nos treinos e o equilíbrio entre esporte e estudos.
Entre as competições disputadas, uma experiência em especial marcou sua trajetória. Em 2024, Arthur participou do Pan-Americano No-Gi, enfrentando um cenário que exigiu adaptação e aprendizado. “Foi o campeonato que mais me desafiou. Me inscrevi nas duas modalidades. Me preparei mais para o kimono e não me dediquei tanto ao no-gi. Acabei não me tornando campeão na modalidade que eu mais me preparei e me tornei campeão no no-gi, onde não tinha me dedicado tanto.” O resultado trouxe uma leitura prática sobre preparação, foco e imprevisibilidade nas competições.
Além desse torneio, Arthur destaca outras conquistas importantes no início de sua caminhada no esporte. Ele cita a Copa Kids e um desafio de lutas casadas realizado em Nova Alvorada. “Lutei com um menino muito bom e me tornei campeão na modalidade de kimono e no grappling”, relata, apontando esses eventos como momentos relevantes de sua formação competitiva.
Fora do ambiente esportivo, o jiu-jitsu também se reflete em outras áreas da vida. Arthur afirma que a prática contribuiu diretamente para o comportamento na escola e em casa. “O jiu-jitsu me ensinou disciplina, confiança e a me defender”, resume. Esses ensinamentos aparecem como parte do processo educativo que o esporte proporciona desde cedo.
Representar Mato Grosso do Sul nas competições é tratado com naturalidade e reconhecimento da responsabilidade envolvida. “Me sinto feliz e grato por poder representar meu estado”, afirma. A vivência em eventos fora do estado amplia o contato com outros atletas e contextos competitivos, fortalecendo a experiência esportiva.
Quando fala sobre referências dentro do jiu-jitsu, Arthur destaca pessoas próximas. “Meus mestres Bruno, Breno e Lenir, porque eles me motivam e me incentivam a ser melhor todos os dias”, diz. Entre os nomes conhecidos da modalidade, ele cita João Miyao como inspiração, acompanhando sua trajetória no esporte.
Os planos para o futuro são diretos e objetivos. Arthur afirma que deseja “ser campeão mundial, participar do campeonato Pan Kids nos Estados Unidos, viver dessa profissão e morar fora do país”. As metas refletem um entendimento precoce de que o esporte pode se transformar em projeto de vida, desde que acompanhado de dedicação constante.