Quarta-feira, 22 de julho de 2026, 19:02

Do basquete ao futebol americano: Matheus Montes mira primeira competição no powerlifting

da redação - 10 de jul de 2026 às 15:37 110 Views 0 Comentários
Do basquete ao futebol americano: Matheus Montes mira primeira competição no powerlifting Da Redação

O powerlifting entrou na rotina de Matheus Montes Moura em um momento de transição. Depois de mais de uma década envolvido em competições esportivas, o atleta de Campo Grande encontrou na modalidade uma nova motivação para continuar desafiando os próprios limites. Aos 26 anos, ele afirma que a preparação para levantar grandes cargas vai além da força física e exige constância, paciência e equilíbrio emocional.

 

"Powerlifting ensina a lidar com a constância. Ensina a celebrar pequenas conquistas, porque chega em um ponto em que aumentar apenas 1 kg no peso total já representa uma evolução. Para entender isso, o psicológico precisa estar em dia", resume.

 

Nascido em Campo Grande, em 20 de julho de 1999, Matheus construiu praticamente toda a sua trajetória esportiva em modalidades coletivas antes de iniciar a preparação para competir no powerlifting. O primeiro contato com o esporte de rendimento aconteceu no basquete, ainda na adolescência.

 

Segundo ele, o esporte teve papel importante em sua formação pessoal. "Comecei a treinar no Sesc com o treinador Rodrigo Oliveira em 2012, depois de um período difícil da minha vida, quando meus pais enfrentavam depressão. Me apaixonei pelo esporte assim que comecei. Eu tinha 12 anos e quase 1,80 metro de altura, o que tornou tudo ainda mais divertido."

 

Durante a base, defendeu equipes como Sesc, Colégio Auxiliadora e Seleta nas categorias sub-15 e sub-17. Em 2016, participou de um intercâmbio nos Estados Unidos, onde integrou a equipe principal (Varsity) da Highlands High School, na Carolina do Norte.

 

"A adaptação ao esporte escolar norte-americano foi desafiadora, mas me ensinou muito sobre treinamento, disciplina, preparação física e a importância do trabalho fora das quadras", relata.

 

Ao retornar ao Brasil, percebeu que havia encerrado seu ciclo no basquete competitivo. Em 2018, participou de uma seletiva do Campo Grande Predadores e iniciou sua trajetória no futebol americano.

 

O desempenho chamou atenção rapidamente. Em 2019, conquistou o Campeonato Estadual pelo Predadores e disputou a primeira divisão da então Brasil Futebol Americano (BFA). As atuações renderam um convite para defender o Timbó Rex, de Santa Catarina, onde permaneceu até 2024.

 

Pela equipe catarinense, conquistou os títulos regionais de 2022 e 2024, além do Campeonato Brasileiro de 2022.

 

Para Matheus, o futebol americano foi responsável por desenvolver características que permanecem presentes na sua rotina esportiva.

 

"O futebol americano é um dos esportes mais mentais e físicos que existem. A dureza mental foi um dos principais aprendizados, principalmente depois da pandemia, quando perdi minha mãe e meu avô. Também aprendi sobre constância, estudo do jogo, trabalho em equipe e altruísmo. Eu jogava na linha ofensiva, uma posição que faz o trabalho menos reconhecido, então aprendi muito sobre confiança nas pessoas ao meu lado."

 

O período de luto também marcou sua relação com o esporte. Sua mãe, a médica pediatra Aby Jaine da Cruz Montes, morreu em decorrência de sequelas da Covid-19.

 

"Ela era minha principal apoiadora no esporte, a pessoa que mais acreditava em mim. Quando ela faleceu, pareceu que uma parte da minha motivação foi junto. Muitas sessões de terapia, tempo e reflexão me fizeram entender isso e voltar a ter motivação."

 

Hoje, Matheus realiza duas sessões de terapia por mês e considera o acompanhamento psicológico parte da preparação esportiva.

 

"Como você está no dia interfere diretamente no treino. Um peso que você levanta com facilidade em um dia bom pode não sair em um dia ruim. É importante ter paciência e entender que nem sempre será possível evoluir na velocidade que gostaríamos."

 

A decisão de migrar para o powerlifting surgiu justamente após encerrar o ciclo no futebol americano.

 

"2025 foi o primeiro ano, desde 2012, em que eu não estava envolvido em competições esportivas. Sempre gostei de levantar pesos altos na academia e acabei me interessando pelo esporte e por toda a adrenalina que envolve levantar um peso que a maioria das pessoas não consegue."

 

Embora tenha experiência em esportes coletivos, ele afirma que a adaptação para uma modalidade individual trouxe novos desafios.

 

"A carga de treinamento é diferente e, muitas vezes, falta um parceiro de treino com o mesmo objetivo. Nos dias de cargas mais pesadas, faz falta alguém de confiança para acompanhar e garantir a segurança."

 

Mesmo sem ter estreado oficialmente em competições de powerlifting, Matheus já alcança marcas expressivas nos treinamentos: 175 kg no supino, 185 kg no agachamento e 250 kg no levantamento terra.

 

Ele explica que a modalidade é composta por três movimentos: agachamento, supino e levantamento terra. Cada atleta realiza três tentativas em cada exercício, e vale o maior peso executado dentro das regras técnicas estabelecidas pelos árbitros.

 

A preparação atual inclui treinos de segunda a sexta-feira, voltados aos três movimentos principais, exercícios acessórios, mobilidade, alongamentos e sessões de cardio. A alimentação é organizada em cinco refeições diárias, acompanhadas pela nutricionista Melina Mello.

 

Matheus também chama atenção para a necessidade de ampliar o espaço destinado às modalidades esportivas em Mato Grosso do Sul.

 

"Muita gente nem sabe que existe powerlifting. Na época em que eu jogava no Predadores, muita gente também não sabia que existia futebol americano no Brasil. Falta acesso ao esporte e estrutura. Investir em esporte é investir em saúde, educação e segurança pública."

 

Embora ainda esteja conhecendo o ambiente competitivo da modalidade, ele diz ter encontrado uma característica que considera marcante.

 

"Existe uma cultura muito forte de coopetição. Você compete com seu amigo, mas quer que ele faça o melhor possível para que isso também faça você evoluir. Nas competições, vejo atletas vibrando quando o adversário consegue levantar um peso grande, e acho isso muito interessante."

 

A estreia oficial ainda não tem data definida, mas o objetivo já está traçado.

 

"Quero competir pela primeira vez na primeira metade do ano que vem. Quero me preparar bem para colocar meus melhores números na plataforma."

 

Para quem pretende iniciar no esporte, Matheus resume o caminho em poucas recomendações.

 

"Ame treinar pesado. Coma bem, não subestime uma boa noite de sono, beba bastante água, procure um profissional de educação física e confie no processo. Não subestime os exercícios acessórios nem os alongamentos. Aproveite a jornada."

Comentários

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos com * são obrigatórios.