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“Desistir nunca foi uma opção”, diz jovem líbero de MS que encontrou no vôlei seu projeto de vida

da redação - 29 de jan de 2026 às 10:51 171 Views 0 Comentários
“Desistir nunca foi uma opção”, diz jovem líbero de MS que encontrou no vôlei seu projeto de vida Da Redação

“Desistir nunca foi uma opção.” A frase resume a forma como Daniel Horst Milbratz, jovem atleta de voleibol, entende o esporte e o caminho que escolheu seguir dentro dele. Aos 19 anos, o jogador, que nasceu em Londrina (PR) e mora desde os quatro anos em Chapadão do Sul (MS), construiu sua relação com o vôlei a partir da escola pública, enfrentou rejeições locais, mudou de posição em quadra e hoje divide sua rotina entre a faculdade de Educação Física, os treinos e o estágio como treinador.

 

O primeiro contato com o voleibol aconteceu de forma tardia em comparação a outros atletas. Daniel começou a praticar o esporte aos 15 anos, por meio do Prodesc, projeto de treinamentos nas escolas estaduais. O início foi na Escola Estadual Arlindo Neckel, em 2022, junto com dois colegas de sala. “Em 2022 eu já havia me interessado pelo esporte junto com dois colegas da minha sala, e passou pouco tempo surgiram esses treinamentos na nossa escola, onde tivemos nosso início no voleibol”, relata.

 

Durante aquele primeiro ano, os treinos foram conduzidos pelo professor Lukas Henrique Borges Gonçalves, que acompanharia Daniel desde então. “O Lukas foi meu treinador desde quando comecei a jogar voleibol, me ensinou tudo o que eu sei sobre esse esporte”, afirma. Em 2023, o envolvimento com a modalidade ganhou outro peso. Daniel passou a treinar cinco vezes por semana e decidiu levar o voleibol como objetivo pessoal.

 

Mesmo com apenas 1,68m de altura, atuava como ponteiro titular da equipe. “Não era de grande ajuda, mas conseguia ser eficiente para o time. Não foi um ano de vitórias, mas foi um ano cheio de aprendizado”, conta. Ao fim daquela temporada, veio a constatação de que sua categoria sub-17 havia se encerrado e de que as limitações físicas poderiam reduzir suas oportunidades dentro de quadra.

 

A decisão seguinte foi estratégica. Em dezembro de 2023, Daniel procurou o treinador para aprender uma nova função. “Pedi para o Lukas me ensinar a jogar de líbero, porque eu sabia que não havia muita opção sendo baixo no voleibol.” A mudança de posição veio acompanhada de um plano mais amplo de vida. Daniel compartilhou com o treinador o desejo de cursar Educação Física e seguir no esporte como professor e técnico. “Futuramente quero ser um profissional na área, não dentro de quadra, mas sendo professor e técnico de voleibol, ter meu próprio time e levar vários adolescentes e crianças a viajar e crescer nesse esporte, igual ele fez comigo.”

 

O início, porém, não foi simples. Em Chapadão do Sul, havia dois times de voleibol, um ligado à prefeitura e outro à Prodesc. A rivalidade entre as equipes marcou os primeiros anos de Daniel no esporte. “A principal dificuldade nossa era a rejeição por sermos um time novo. Havia uma rivalidade muito grande entre o time da prefeitura e o time da Prodesc, e nós fomos muito rejeitados no começo”, explica. Segundo ele, as críticas não o afastaram do objetivo. “Nunca deixei essas rejeições me abalarem, porque só depende de mim para crescer nesse esporte.”

 

Hoje, Daniel estagia no voleibol ao lado de Lukas Henrique, a quem define como treinador, mentor e amigo. Cursa o quinto semestre de Educação Física, em licenciatura e bacharelado, mantém dois treinos semanais e participa de cursos voltados à formação de treinadores. “Ele tem me ensinado a me tornar um profissional na área, me ensinando a ser treinador.”

 

As críticas e rejeições, segundo Daniel, foram decisivas para a evolução como atleta. “Usei todas as críticas como combustível para os treinamentos. Mantive o foco e sempre dei o meu máximo quando fui representar uma equipe, porque além do resultado, haviam outros técnicos observando.” Essa postura abriu portas fora de Mato Grosso do Sul.

 

Entre os momentos marcantes, ele destaca o convite para disputar um torneio em Votuporanga (SP), representando a equipe Wizard, de Santa Fé. “Foi mais de uma semana de viagem participando dos regionais de São Paulo. Fomos desclassificados nas quartas de final, mas foi uma experiência incrível jogar um torneio desse porte”, relembra.

 

Atualmente, Daniel já representou equipes de diferentes cidades e estados, como Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo. “Graças à dedicação, hoje venho representando várias equipes de outras cidades e fora do nosso estado, recebendo títulos e mantendo a linha de pódio, sendo premiado como melhor líbero e atleta com melhor passe”, afirma.

 

Para lidar com a pressão, ele adota um método próprio. “Sempre mantive a calma, respirar fundo e focar apenas no jogo. Durante a partida é você por você mesmo.” Após os campeonatos, grava e analisa os jogos. “Assisto aos vídeos, observo os erros meus e da equipe e faço uma estatística para entender o que nos impediu de ser campeões.”

 

O planejamento para 2026 já está definido. Daniel tem sete torneios agendados, incluindo etapas da Liga de Voleibol (LAV) em Aparecida de Goiânia, campeonatos em Rio Verde e convites para disputar os Jogos Abertos de Goiás. “Estou focado em evoluir. Um dia sonho em jogar a Superliga, seja Série C, B ou A. Independente da fase, quero que seja algo marcante.”

 

Mesmo com o sonho de competir em alto nível, ele não perde de vista o objetivo principal. “Além de atleta, o principal é me tornar um treinador, levar adolescentes e crianças a conhecer esse esporte e se apaixonar por ele, assim como eu me apaixonei.” Para Daniel, desistir nunca foi uma opção, dentro ou fora da quadra.

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