Quarta-feira, 15 de julho de 2026, 19:16

“Desafiar meus próprios limites é o que me move”, diz maratonista sul-mato-grossense Bárbara Zão

da redação - 9 de jun de 2026 às 12:35 94 Views 0 Comentários
“Desafiar meus próprios limites é o que me move”, diz maratonista sul-mato-grossense Bárbara Zão Da Redação

“Desafiar meus próprios limites é o que me move”. A frase resume a relação da sul-mato-grossense Bárbara Cristina Zão Ferreira com a corrida. Natural de Ponta Porã, onde nasceu em 11 de junho de 1985, a atleta encontrou no esporte uma forma de enfrentar dificuldades pessoais e construir uma rotina baseada em disciplina, resistência física e equilíbrio mental.

 

Militar há 19 anos, Bárbara teve os primeiros contatos com a corrida ainda durante o curso de formação, quando praticou corrida de orientação por dois anos. A modalidade unia corrida e navegação em meio à natureza, experiência que deixou marcas importantes em sua trajetória.

 

“Essa experiência me permitiu, além de praticar corrida, ter contato com a natureza. Porém, depois de formada, não pratiquei mais”, contou.

 

O reencontro com a corrida aconteceu apenas em 2021. Na época, ela já frequentava a academia NG Training para treinos funcionais e recebeu o convite para integrar a assessoria de corrida. O momento coincidiu com um período delicado em sua vida pessoal.

 

“Nessa época eu passava por problemas pessoais e acabei encontrando na corrida uma válvula de escape para vencer a ansiedade e a depressão”, relatou.

 

No início, o foco eram provas curtas de 5 e 10 quilômetros no asfalto. Com o passar do tempo, vieram os primeiros resultados e pódios em competições amadoras. A evolução nos treinamentos despertou o interesse por distâncias maiores e também pelas corridas em trilha.

 

“Logo veio meu interesse por corridas mais longas e também pelo trail run”, explicou.

 

Em 2023, Bárbara intensificou a participação em competições. Ao longo daquele ano, disputou 19 provas de diferentes distâncias, com foco principalmente em meias maratonas no asfalto e no trail. O volume de provas abriu caminho para um objetivo ainda maior: a primeira maratona.

 

“Em 2024 veio então a ideia de fazer a Maratona de Campo Grande. Foi um ciclo difícil, mas uma experiência incrível”, afirmou.

 

Depois da experiência na maratona, a atleta decidiu direcionar os treinamentos para as corridas de trilha e provas de longa distância. Segundo ela, o contato com a natureza e as dificuldades impostas pelo terreno são fatores determinantes para essa escolha.

 

“As corridas de trail, diferentemente das corridas de rua, proporcionam uma experiência de contato com a natureza e também têm o desafio das variações de terreno, que é algo que realmente aprecio, já que sou uma pessoa movida a desafios”, disse.

 

Conciliar a rotina militar com os treinos é apontado por Bárbara como uma das maiores dificuldades desde o início no esporte.

 

“Conseguir treinar com constância, pois a minha rotina é muito pesada e cansativa. Constância é fundamental para quem quer ter resultados consistentes”, destacou.

 

A preparação envolve treinos de corrida, funcional, musculação e acompanhamento nutricional. Ela afirma que provas longas exigem planejamento detalhado, principalmente em relação ao desgaste físico.

 

“Provas de longa distância e com terrenos variados demandam planejamento nutricional rigoroso, treinos técnicos e descanso estratégico”, explicou.

 

Entre as experiências mais marcantes da carreira está a participação na La Mission Brasil, disputada na Serra Fina, em Minas Gerais. A prova teve percurso de 37 quilômetros e altimetria de 2.691 metros.

 

“Foi uma prova de montanha muito desafiadora, tanto pelo terreno com muita variação como pela altimetria. Algo que exigiu muito preparo físico e mental”, contou.

 

Durante a competição, Bárbara enfrentou um dos momentos mais difíceis no esporte. Ela apresentou queda de pressão arterial e precisou fazer três paradas estratégicas ao longo do percurso.

 

“Essa competição representou o primeiro contato com um nível tão intenso de desgaste fisiológico”, afirmou.

 

Após a prova, a atleta realizou avaliações junto aos profissionais que acompanham sua preparação para evitar novos episódios semelhantes.

 

Além dos desafios individuais, Bárbara observa limitações estruturais para atletas de trail running em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, o relevo predominantemente plano do Estado dificulta a realização de treinos específicos para provas de montanha.

 

“A principal limitação do atleta no MS reside na especificidade dos treinos técnicos, sobretudo no que tange à variação de altimetria”, analisou.

 

Por outro lado, ela destaca o crescimento das provas da modalidade no Estado e o aumento da participação de corredores locais nos últimos anos.

 

“Sob a perspectiva de oportunidades, tenho observado que, nos últimos anos, o calendário de provas de trail no Estado apresentou um crescimento notável”, disse.

 

Bárbara também acredita que a corrida trouxe mudanças importantes para sua vida pessoal e profissional. Segundo ela, a prática esportiva ajudou a desenvolver foco, produtividade e controle emocional.

 

“A corrida melhorou minha saúde física e mental, minha produtividade, meu foco e minha capacidade de gerenciar o tempo”, afirmou.

 

Ela também destaca os aprendizados construídos a partir das dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória.

 

“O fato de ter que lidar com derrotas, lesões e frustrações fortaleceu minha inteligência emocional e melhorou minha capacidade de superar desafios pessoais”, completou.

 

Ao falar sobre mulheres que desejam iniciar na corrida, Bárbara reforça a importância de respeitar o próprio ritmo.

 

“Ninguém começa correndo 5 quilômetros direto, e você não precisa fazer isso. Está tudo bem começar caminhando”, aconselhou.

 

Para ela, a regularidade nos treinos é mais importante do que a velocidade.

 

“O segredo não é a velocidade, é a constância”, resumiu.

 

Atualmente, a atleta se prepara para o Desafio Rota da Baleia, em Garopaba (SC), onde disputará 42 quilômetros em terreno litorâneo. A prova é tratada como o principal objetivo da temporada.

 

“Trata-se de uma experiência inédita para mim, tanto pela distância quanto pelas particularidades do terreno litorâneo”, explicou.

 

Os planos para os próximos anos incluem novas maratonas e desafios ainda maiores no trail running.

 

“Para o próximo ano, quando completarei 42 anos, planejo correr uma nova maratona, pois considero essa uma forma emblemática de comemorar essa idade”, afirmou.

 

“Já em longo prazo, pretendo explorar distâncias ainda maiores e diversificar os tipos de terreno. Afinal, desafiar meus próprios limites é o que me move.”

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