Da Redação
“Fui DJ por uns 30 anos, empresário do ramo de transporte, veio a pandemia em 2020, fechou as academias e eu queria praticar exercícios. Comprei uma bike bem simples e comecei a pedalar. Com 15 dias desisti e guardei a bike”. O relato é de Marcelo de Lima Marques, atleta de mountain bike de Mato Grosso do Sul, campeão estadual de MTB Master C1 em 2025, que iniciou sua trajetória no esporte apenas há alguns anos, já na casa dos 40.
Nascido em Campo Grande, em 19 de fevereiro de 1974, Marcelo não planejava seguir carreira esportiva. Sua vida até então estava dividida entre a música e os negócios. Foi apenas por insistência de um amigo que ele voltou a pedalar em 2022. “Um amigo irmão me pediu emprestada a bike. Depois de dois meses, ele começou a me chamar para pedalar, mas eu dizia ‘isso não é vida para mim, tô fora’. Ele foi insistindo até que resolvi ir, tipo toda segunda uns 15 km”.
A primeira experiência não foi fácil. “A galera me deixava para trás, me zoava, até as mulheres. Como eu jogava bola, eu sabia que qualquer esporte para evoluir é treino. Então comecei a treinar, para poder participar desses passeios”. O esforço trouxe resultado: ainda em 2022, resolveu competir pela primeira vez, em Bonito, em uma prova organizada pela AZ Eventos. Não teve grande colocação, mas, segundo ele, a experiência serviu de aprendizado.
O ano seguinte marcou um divisor de águas. Em abril de 2023, sofreu um acidente grave em uma prova de speed. “No hospital, meu pensamento era parar, mas não desisti”. Pouco tempo depois, voltou às competições e conquistou sua primeira vitória, em Maracaju, superando inclusive o então campeão estadual. “Foi meu primeiro pódio em primeiro lugar. Após o acontecido, resolvi ser um atleta federado e logo pela equipe do Fabricio, Mar del Plata. As coisas mudaram muito. Aprendi muita coisa nessa equipe”.
Ainda em 2023, Marcelo foi campeão estadual de speed e vice-campeão da Copa Centro, ambos resultados alcançados já como atleta federado. Em 2024, mudou para a equipe Velo, onde, segundo ele, o aprendizado seguiu intenso. “Esse ano não ganhei estadual, mas ganhei experiência, evolução, amizade. Foi um ano muito difícil por conta do falecimento da minha mãe, quase entrei em depressão, mas a bike não deixou”.
Em 2025, voltou a federar por uma equipe de Campo Grande, mas uma divergência interna o levou a ser convidado pela Bonito Bike Team, onde conquistou o título estadual de crono MTB Master C1. O triunfo, para ele, foi consequência do trabalho. “Quando a gente foca em um objetivo e o mesmo é alcançado, isso é muito gratificante. Treinei muito, então valeu a pena”.
A rotina atual do atleta é intensa, com quatro treinos semanais, somando entre 250 e 400 km, além de duas sessões em academia. Ele afirma que o desempenho não depende apenas da parte física. “Descanso, fazer pedais tranquilos com seus amigos, sair da rotina competitiva. Isso é importante também”.
Sobre o cenário do MTB em Mato Grosso do Sul, Marcelo é direto: “visibilidade sim, apoio é pouco, as mídias de esporte não falam das nossas competições”. Aos 51 anos, ele não traça grandes planos para competir em nível nacional ou internacional. “Mesmo em competições, no momento só em se divertir e conhecer pessoas”.
A trajetória de Marcelo mostra que o esporte pode surgir em momentos inesperados e transformar rotinas. De um DJ que guardou a bicicleta no quarto, para um atleta campeão estadual, sua história revela o papel do incentivo, da disciplina e da persistência. Aos jovens que sonham em seguir no mountain bike, ele deixa um recado: “acreditar, todos que querem de verdade conseguem. Nada é impossível, todos podem conseguir”.