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De Camapuã ao Sul do país: as escolhas e os desafios de Yan Gouveia

da redação - 27 de fev de 2026 às 16:06 308 Views 0 Comentários
De Camapuã ao Sul do país: as escolhas e os desafios de Yan Gouveia Da Redaçao

“Para que as coisas deem certo, precisamos sair da zona de conforto, pois é fora dela que as coisas se encaminham.” A frase resume a decisão que mudou o rumo da vida de Yan Gouveia de Oliveira, nascido em 3 de agosto de 2006, em Camapuã, Mato Grosso do Sul. Ainda adolescente, ele deixou o Estado para tentar espaço no futebol do Rio Grande do Sul, enfrentando distância da família, testes em grandes clubes e momentos de incerteza.

 

Yan conta que a relação com o futebol começou na infância. “Sempre sonhei muito com isso. No começo, era apenas uma brincadeira. Eu jogava com alegria, me destacava por onde passava, mas sem reconhecimento.” A possibilidade de transformar o sonho em profissão ganhou força em 2023, quando recebeu do tio a proposta de morar no Sul para buscar oportunidades maiores.

 

“No início, não levei tão a sério, porque mudanças nunca são fáceis. Convencer minha mãe também foi difícil, e eu entendia o lado dela, pois envolve distância e responsabilidade”, relata. Mesmo diante das dúvidas, decidiu aceitar o desafio. A mudança marcou o início de uma nova etapa.

 

No Rio Grande do Sul, passou a disputar competições pelo Tamoio, entre elas o Gauchão Dalponte. Em uma das partidas, contra o Esporte Clube Novo Hamburgo, participou da vitória por 3 a 1. “Foi ali que percebi que aquilo estava deixando de ser apenas paixão e começando a se tornar profissão”, afirma.

 

A busca por espaço incluiu períodos de avaliação em clubes como o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, o Sport Club Internacional, o Esporte Clube São José e o Clube Esportivo Aimoré. “No Grêmio, inclusive, marquei um gol em um jogo-treino, mas infelizmente não se concretizou”, recorda. Para ele, foram experiências que exigiram “maturidade, paciência e resiliência”.

 

A adaptação fora de casa foi apontada como o principal obstáculo. “O maior desafio foi a adaptação: clima, cultura e principalmente a distância da família. Ficar longe de casa é uma das partes mais difíceis da vida de atleta”, diz. O apoio familiar, segundo ele, foi determinante para seguir. “Meus pais sempre foram minha base e meu maior exemplo. Mesmo com medo da distância, nunca deixaram de me apoiar.”

 

Yan também destaca o papel dos padrinhos e, principalmente, do tio e da tia, que o acolheram no Sul. “Meu tio foi decisivo na minha trajetória, pois foi ele quem abriu a porta para que eu fosse ao Rio Grande do Sul buscar meu sonho. Junto com minha tia, me acolheu como um filho e me deu todo suporte necessário nos momentos mais difíceis.”

 

A fé aparece como elemento constante no discurso do atleta. “Sempre acreditei que cada oportunidade que surgiu foi direção d’Ele. Em momentos em que eu estava sem clube e sem perspectiva, foi na fé que encontrei força para continuar.”

 

Em 2024, ele viveu uma situação fora das quatro linhas que impactou diretamente a carreira: a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul e paralisou competições. “Vi amigos perderem suas casas, o centro de treinamento ser atingido, e fiquei meses sem conseguir sair do estado.” O período, segundo ele, trouxe incertezas.

 

No retorno a Mato Grosso do Sul, defendendo o Esporte Clube Campo Grande, enfrentou outro episódio marcante. Em uma partida contra o Naviraiense, sofreu uma fratura na mão. “Quebrei a mão e joguei o restante do jogo com muita dor. Depois descobri que precisaria passar por cirurgia e colocar pinos.” A lesão o tirou da decisão que poderia garantir vaga na Copa São Paulo de Futebol Júnior. “Fiquei fora da decisão que poderia nos levar à Copa São Paulo, o maior campeonato de base do Brasil. Perdemos a vaga por um detalhe.”

 

Apesar dos episódios, afirma que não perdeu o foco. “Foram momentos em que quase desisti, mas minha fé em Deus, o apoio da minha família e das pessoas que acreditam em mim me mantiveram firme.”

 

Sobre o futebol sul-mato-grossense, defende mais investimento e visibilidade. “Acredito que o futebol de Mato Grosso do Sul precisa de mais visibilidade e oportunidades. Temos atletas de alto nível, mas muitas vezes faltam estrutura, investimento e reconhecimento.” Ele afirma que mantém o desejo de representar o Estado. “Sempre sonhei em representar meu estado porque acredito no potencial que existe aqui.”

 

Em campo, define-se como um atleta competitivo. “Sou um atleta muito competitivo, intenso e mentalmente forte. Procuro sempre ajudar a equipe com movimentação, entrega e decisão nos momentos importantes.” Entre os pontos fortes, cita “determinação, confiança e capacidade de superação”.

 

Um dos jogos mais marcantes, segundo ele, foi a estreia no torneio Sub-23 pelo Tamoio. “Fiz dois gols, dei uma assistência e sofri um pênalti. Terminei o torneio com três gols e duas assistências em três jogos, e ali percebi que estava no caminho certo.” Também destaca o gol marcado contra o Ivinhema pelo Campeonato Estadual, que garantiu a liderança da rodada.

 

Ao falar de metas, mantém o discurso centrado em evolução. “Quero alcançar o mais alto nível possível no futebol nacional e, se Deus permitir, internacional. Sonho em disputar grandes competições, conquistar títulos importantes e representar Mato Grosso do Sul com orgulho.”

 

Aos jovens atletas, deixa um recado direto: “Não desistam. A caminhada é difícil. Haverá distância da família, críticas, lesões e momentos de dúvida. Mas se você tiver fé, disciplina e coragem para sair da zona de conforto, as coisas começam a se alinhar.” Ele encerra citando um versículo bíblico: “Confia no Senhor de todo o coração e não se apoie no seu próprio entendimento; reconheça-o em todos os seus caminhos, e Ele endireitará as suas veredas.”

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