Da Redação
“A fisioterapia devolve não apenas o movimento, mas também a qualidade de vida e a alegria de viver”. A frase resume a visão do fisioterapeuta, atleta e técnico de vôlei Pedro Gomes Marques, nascido em 21 de novembro de 2002, em Santo Anastácio (SP), que construiu sua atuação profissional a partir da experiência direta com o esporte e do contato com pacientes em processo de reabilitação.
Segundo ele, a escolha pela profissão não foi imediata. “A fisioterapia nunca foi a minha primeira escolha. Até quando eu estava finalizando o 3º ano do Ensino Médio, eu ainda não sabia o que iria fazer”, relatou. Após pesquisar diferentes cursos, identificou na área traumato-ortopédica e esportiva um caminho que se aproximava de sua vivência. “Quando deparei com essa área, isso me chamou muita atenção e foi o que me levou a cursar fisioterapia”.
Durante a formação, o contato com disciplinas específicas e estágios práticos consolidou a decisão profissional. “Quando chegaram os estágios, caiu a minha ficha. Eu disse para mim mesmo: ‘Eu escolhi o curso certo’”, afirmou. Para explicar o impacto do trabalho fisioterapêutico, ele utiliza exemplos da rotina clínica. “Pergunto ao paciente o que ele gostaria de voltar a fazer e hoje não consegue mais. A fisioterapia entra para trabalhar força, equilíbrio e coordenação, devolvendo autonomia”, disse, acrescentando que o mesmo princípio se aplica aos atletas lesionados que buscam retorno seguro ao esporte.
A vivência como jogador de vôlei influencia diretamente sua atuação. “Ser atleta contribui para minha atuação como fisioterapeuta ao proporcionar uma visão prática das demandas do esporte, como saltos, mudanças de direção e sobrecarga articular”, explicou. Essa experiência, segundo ele, permite conduzir processos de reabilitação mais próximos da realidade competitiva.
Entre as lesões mais frequentes observadas na modalidade, ele cita a entorse de tornozelo durante ações de bloqueio e aterrissagem. “Quando o atleta pisa no pé de outro jogador, ocorre o entorse”, afirmou. Também mencionou fraturas em dedos das mãos durante bloqueios, situação que já enfrentou pessoalmente. “A bola pegou em cheio na ponta do dedo e fez uma compressão, consequentemente causando uma fratura”.
No trabalho clínico, ele aponta diferenças entre atletas profissionais e amadores. “O tratamento se diferencia pelas demandas físicas, nível de carga, objetivos e tempo de retorno. Atletas profissionais exigem uma reabilitação mais específica e intensa, enquanto amadores precisam de adaptação e desenvolvimento progressivo, respeitando limites”.
Além da atuação na fisioterapia e como atleta, Pedro também é técnico da equipe Chamas do Vôlei, projeto iniciado de forma voluntária. “Eu me voluntariei. Observava que as meninas queriam aprender e se aperfeiçoar, então perguntei se queriam que eu treinasse elas”, contou. O grupo começou participando de jogos escolares e amistosos, conquistando posições de destaque. Com o tempo, passou a disputar torneios e adotou o nome atual da equipe. “Hoje temos nove troféus, com dois primeiros lugares, quatro segundos e três terceiros lugares”, relatou.
Para ele, a dupla função de treinador e fisioterapeuta é complementar. “Creio que é algo benéfico para elas, porque têm alguém que também cuida da saúde e do preparo físico”, disse. O principal desafio, segundo afirmou, surge quando uma atleta precisa se afastar por lesão. “Atleta sofre muito quando você diz que ele não pode retornar ao jogo, e eu me coloco no lugar porque também sou atleta”.
Na avaliação sobre o cenário esportivo atual, ele observa maior atenção à prevenção. “Muitos atletas estão mais conscientes sobre fortalecimento, recuperação e escuta do próprio corpo, principalmente em centros especializados”, afirmou. Ainda assim, reconhece que a cultura de “aguentar a dor” ainda existe em parte do meio esportivo.
Entre os momentos marcantes da carreira como técnico, ele destaca a conquista de títulos coletivos. “Ver a equipe colocando em prática tudo o que foi trabalhado nos treinos e jogando de forma unida mostra que o resultado deixa de ser individual e passa a ser coletivo”, afirmou.
Representar localidades menores no esporte também é um ponto presente em sua trajetória. “Cada conquista acaba refletindo diretamente no reconhecimento do lugar de onde se vem”, disse. Para ele, a atuação profissional exige compromisso com ética e qualidade, tanto na saúde quanto no esporte.
Ao falar com jovens interessados em seguir carreira nas áreas em que atua, ele ressalta a importância da constância e da formação contínua. “No vôlei, é preciso paciência e disciplina. Na fisioterapia esportiva, é essencial buscar atualização científica e desenvolver sensibilidade para ouvir o paciente”, concluiu.