Quinta-feira, 18 de junho de 2026, 14:42

De atleta a árbitra nacional: a trajetória de Cristiéli Gonçalves no judô

da redação - 17 de jun de 2026 às 14:41 78 Views 0 Comentários
De atleta a árbitra nacional: a trajetória de Cristiéli Gonçalves no judô Da Redação

O primeiro contato de Cristiéli Pereira Gonçalves com o judô aconteceu em 2009, de forma simples, dentro da escola. Nascida em 25 de abril de 1995, ela conheceu a modalidade quando o sensei Marcelo Matos apresentou um projeto que oferecia treinos gratuitos em uma academia. Naquele momento, porém, o interesse pelo esporte ainda não existia.

 

“Eu peguei o bilhete sobre as informações dos treinamentos, mas no momento não queria fazer. Uma grande amiga insistiu muito para eu conhecer e fui no primeiro treino. Estou até hoje, porque gostei muito desse esporte”, relembrou.

 

O que começou por insistência de uma amiga se transformou em uma trajetória de anos dentro do tatame. Cristiéli permaneceu treinando com Marcelo Matos até o momento em que o professor decidiu seguir outros objetivos e informou que não conseguiria continuar com os treinamentos. Foi então que ela passou a integrar o Judô Clube Rocha, onde iniciou uma nova fase sob orientação do sensei Igor Rocha.

 

Segundo ela, foi nesse período que vieram os primeiros passos mais competitivos dentro do esporte. “Comecei a treinar e competir, e foi lá que consegui realizar o sonho de chegar à faixa preta em 2017”, afirmou.

 

No ano seguinte, Cristiéli conquistou vaga para o Campeonato Brasileiro Regional na categoria até 78 quilos. Durante a disputa por medalha de bronze, porém, sofreu uma lesão que interrompeu sua sequência como atleta.

 

“Acabei quebrando o punho. Fiquei alguns meses sem treinar por conta da lesão e acabei subindo muito de peso”, contou.

 

A pausa forçada provocou mudanças importantes em sua relação com o esporte. Sem conseguir manter a rotina como atleta, ela decidiu iniciar uma nova caminhada dentro do judô: a arbitragem.

 

“Foi quando decidi entrar para a arbitragem e parar com a vida de atleta”, disse.

 

Pouco tempo depois, Cristiéli também decidiu trocar de clube e passou a integrar a Associação Caminho Suave, onde permanece atualmente. Segundo ela, a mudança foi determinante para seu crescimento na arbitragem.

 

“Lá cresci muito na arbitragem, pois meu sensei Esmi também é um grande árbitro e me incentiva e me apoia quando preciso”, relatou.

 

A evolução dentro da arbitragem aconteceu de forma gradual e trouxe novas oportunidades. Em 2022, ela recebeu da Federação de Judô de Mato Grosso do Sul (FJMS) a graduação de Ni-Dan. Paralelamente, passou a conquistar novas graduações na arbitragem e começou a ser convocada para eventos nacionais.

 

“Nesses anos, minhas graduações na arbitragem foram sempre crescendo e evoluindo. Fui convocada para eventos nacionais e viajei para muitos estados, tendo a oportunidade de conhecer lugares através do judô”, afirmou.

 

Em 2024, Cristiéli alcançou uma das principais conquistas da carreira ao ser aprovada para ASP A FIJ. A partir da aprovação, recebeu convocação para a seletiva nacional de arbitragem, experiência que considera uma das mais marcantes da trajetória.

 

“Foi uma das melhores atuações. Fui destaque no evento porque realizei uma final muito difícil, que foi muito marcante para mim. Só de atuar nessa luta eu já estava muito honrada”, contou.

 

Mesmo atuando na arbitragem, Cristiéli não abandonou completamente os tatames como atleta. Em 2025, ela passou por outra transformação importante em sua vida pessoal ao realizar uma cirurgia bariátrica, algo que classificou como um sonho antigo. Ela também narra o judô paralímpico em São Paulo (SP) há dois anos.

 

“Queria muito perder peso. Foi aí que tudo mudou como pessoa, como atleta, como árbitra e também como técnica. Hoje estou com menos 54 quilos”, disse.

 

A mudança física também refletiu no retorno às competições. Depois de cinco anos sem lutar, Cristiéli voltou aos tatames e encerrou o ano conquistando um título.

 

“Uma das lutas mais marcantes como atleta foi no final de 2025. Ainda lutei na categoria pesado, mas depois de cinco anos sem lutar consegui ser campeã, já tendo eliminado cerca de 30 quilos”, afirmou.

 

Ao falar sobre o cenário estadual, Cristiéli acredita que o judô sul-mato-grossense vive um momento de crescimento tanto na arbitragem quanto nas competições de alto rendimento.

 

“Hoje o judô sul-mato-grossense evoluiu muito, tanto na arbitragem como com os atletas de alto rendimento, com muitas medalhas internacionais e muitos títulos importantes”, avaliou.

 

Depois de anos divididos entre treinos, competições, lesões, arbitragem e mudanças pessoais, ela resume sua trajetória no esporte com uma mensagem direcionada principalmente aos mais jovens.

 

“Que as pessoas sonhem com grandes conquistas, porque é possível. Basta acreditar, não desistir e buscar sempre evoluir”, finalizou.

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